Não sei explicar. Amamentar é uma coisa louca. A gente ama, a gente odeia. A gente se oferece, se doa; a gente cansa, esbraveja. Até que chega o dia em que começa o desmame. E aí, a gente chora.
(Uma pausa: eu contei como foi amamentar meu mais velho e todo o sofrimento ao amamentar a minha mais nova nesses dois posts aqui: “Amamentação: ato de amor, ato de superação” e em “Entre os defeitos e a melhor qualidade do marido” – neste eu falo do quanto doeu. Tudo isso para eu não ficar escrevendo tuuuuudo de novo…)
Eu não contei como foi o desmame do mais velho e como isso influenciou muito a relação que tenho com minha pequena.
Quando Cauê tinha 4 meses e meio, precisei voltar a trabalhar. Infelizmente, a cada dia que eu saía, deixava meu coração com o pequeno e ia embora chorando, nervosa. Não devia escutar o que me falavam, devia ter retrucado, devia ter respondido. O pequeno mamava pela manhã e à noite; durante o dia, eu tirava o leite para que ele mamasse. Com o nervosismo, o leite foi secando e eu não tinha mais como suprir sua necessidade diária de leite. Lembro-me de amamentá-lo pela última vez quando estava com 5 meses. Depois, tudo se acalmou, tudo se ajeitou, apesar de eu não amamentá-lo mais.
Quando fiquei grávida da minha mocinha, já tinha acatado amamentá-la o máximo de tempo que eu conseguisse, por, pelo menos, 6 meses. Um dia , à toa, escutei de alguém que sequer amamentou o próprio filho “Você amamentou o Cauê por apenas 2 meses. Quero ver qual será a desculpa para não amamentar sua filha agora”. Argumentei, expliquei, recordei. Não há santo que tenha convencido a pessoa do contrário. Podia ter entrado por um ouvido e saído por outro, mas, não. Pegou.

Primeiras mamadas
A Catarina nasceu sabendo mamar. Surpreendeu enfermeiras, pediatras, papai, mamãe. Contudo, depois que saí da maternidade, a amamentação tornou-se sessão de tortura e, por mais de um mês, não havia mamada que eu não chorasse de dor. Entretanto, eu não podia desistir. Era uma questão de honra, eu precisava mostrar àquela pessoa que ela estava errada.
Sempre fui adepta da rotina. Cauê foi lindo e feliz na rotininha que eu tinha com ele. Nina, não. Catarina veio para esbravejar. Como tinha medo de que ela parasse de mamar, adotei a livre demanda. Como tinha medo de ser julgada péssima mãe, assim como fui (injustamente) com o mais velho, deixei de lado a rotina. Tudo isso vai além. Porque eu e ela temos uma questão de alma, de pegada, de amo/odeio impressionante. Não dá pra saber o que veio primeiro, o que causou o quê.
O que sei é que a menina, agora com 9 meses, sempre mamou o quanto quis, a hora que quis – e essa história de ela mamar sem rotina nunca me fez bem (perdoem-me a sinceridade)Amo amamentar, por favor. Quero amamentá-la bastante tempo. Só gostaria de ter uma rotina mais estabelecida. Eu sinceramente não acho que a livre demanda deixa o bebê mais feliz, mais seguro, porque vejo o quanto ela sofre enquanto não tem o peitinho na boca; vejo o quanto ela acorda, mesmo que esteja bem alimentada, somente para sentir meu cheiro e voltar a dormir. Não me faz bem porque não sou o tipo de mãe (que respeito e admiro) que consegue abdicar-se tanto de si mesma e continuar feliz e de bom-humor. Eu estou cada vez mais cansada, mais tensa, mais mal-humorada. O quanto isso pode ser sadio para nós duas?

Nina mama
Por causa dessa minha maldita insegurança, eu incentivei um comportamento do qual eu mesma não dou conta: não há ninguém que a acalme, que a faça mais feliz do que eu. Lindo? Não, amiga, não. Ela tá feliz, brincando com todos, me vê e chora, porque passa a me querer. Quando vem ao meu colo, já sabe como puxar a blusa para mamar. E eu nem sempre quero amamentar e aí ela sofre desesperadamente. Não está certo incentivarmos nenhuma relação de dependência. Ela precisa, dentro dos limites de um bebê, aprender que não somos uma só e que ela pode, sim, ser feliz sem a mamãe. Eu estarei sempre perto, apoiando, mas não posso ser a única motivação.
Tudo bem. Daí, decidi que, esta noite, eu iria dar a primeira mamadeira depois de todos esses meses (ela deve ter mamado umas três ou quatro quando recém-nascida por causa das minhas dores). Comprei o leite em pó, fervi mamadeira, esfriei mamadeira, preparei leitinho. Na hora de dormir, fiz questão de ir ao quarto e eu ser a pessoa que ia lhe dar o leite. Leitor (se é que algum chegou até aqui), eu chorei, chorei muito… Sentia-me culpada por estar oferecendo mamadeira. Sentia medo de ela não querer mais meu peito. Sentia que eu e ela não éramos mais uma só. Ela, ali, segurando o mamá, estava aquém de mim. Já era só ela, só Catarina. Amamentar dói. Desmamar parece um parto do avesso. Dói pra dentro.
Marido veio no quarto, viu se estava tudo bem, me viu chorando, me abraçou e disse: “Você sabe que é necessário. Você precisa disso, está no seu limite.”
(Silêncio. Porque tá doendo, porque amo, porque tenho raiva, porque não sei.)
(Atualizado) Em tempo: eu não estou desmamando minha filha por completo. Só gostaria que, à noite, ela não precisasse mais mamar. Meu post foi um relato, um desabafo, uma maneira para falar o que senti quando vi minha filha com a mamadeira. Eu não pretendo tirá-la do peito. Somente gostaria que ela dormisse mais à noite. Ao dar a mamadeira para ela, me dei conta de como o processo de desmame pode ser difícil e, por isso, vim até aqui escrever.
Na mesma noite, ela acordou, sinal de que a mamadeira não “funcionou”. A questão que me pega é dormir mais e não tirar o peito de uma criança menor que um ano… Na noite seguinte, eu não dei a mamadeira, já que não resolveu anteriormente e não pretendo desmamá-la.
Entenda este post como uma reflexão do quanto o desmame pode doer, do quanto tomar consciência da separação entre mãe e bebê (porque a gente se confunde com eles e eles com a gente) pode ser difícil.
Tags:amamentação, desmame, dor
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