O significado que damos às coisas

24 jan

Comecei a pensar nisso quando meu marido, arrumando a bagunça da mudança, começou a rir das coisas que guardo. Não sou uma acumuladora, mas gosto muito de guardar pequenos objetos e papéis que contam a minha história. Devem dar, juntos, umas 3 ou 4 caixas de sapato.

Depois, pensando na polêmica que surgiu em torno do último post – A dor do desmame – em algumas comunidades do FB, cheguei à mesma conclusão. Cada um atribui um significado diferente às mesmas coisas. E aí lembro-me de uma história da qual gosto muito:

Três cegos foram a um mestre discutir o que era Deus. Eles não conseguiam entrar em um acordo. O mestre, então, coloca-os próximo a um objeto e pede que cada um o descreva e diga o que é. O primeiro disse que era uma cobra; o segundo, uma árvore; e o terceiro, um grande vaso de argila. O mestre, então, lhes conta que o objeto era, na verdade, um elefante. Cada um sentia uma parte, por isso não tinham dimensão do que era o todo, mas todos falavam do mesmo ser.

Preenchida com nossos significados

Acho que as nossas atitudes, os nossos objetos (e tudo o que for humano – das religiões à cultura), são, na verdade, algo que enxergamos do nosso modo. Nós atribuímos um significado e passamos a querer que o outro enxergue o mesmo.

A minha caixa, o modo como lido com a amamentação, a maneira como enxergo a vida vão possuir um significado diferente daquele atribuído por outras pessoas. E nem por isso as coisas tem um valor maior ou menor. Apenas distinto.

Refletir sobre isso acabou me trazendo uma absurda tranquilidade. Me senti mais plena, mais leve e mais plural… afinal de contas, como é bom viver na diversidade.

(Ah, e eu não deixei maridão jogar meus tesourinhos fora… só as tralhas)

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A dor do desmame

21 jan

Não sei explicar. Amamentar é uma coisa louca. A gente ama, a gente odeia. A gente se oferece, se doa; a gente cansa, esbraveja. Até que chega o dia em que começa o desmame. E aí, a gente chora.

(Uma pausa: eu contei como foi amamentar meu mais velho e todo o sofrimento ao amamentar a minha mais nova nesses dois posts aqui: “Amamentação: ato de amor, ato de superação” e em “Entre os defeitos e a melhor qualidade do marido” – neste eu falo do quanto doeu. Tudo isso para eu não ficar escrevendo tuuuuudo de novo…)

Eu não contei como foi o desmame do mais velho e como isso influenciou muito a relação que tenho com minha pequena.

Quando Cauê tinha 4 meses e meio, precisei voltar a trabalhar. Infelizmente, a cada dia que eu saía, deixava meu coração com o pequeno e ia embora chorando, nervosa. Não devia escutar o que me falavam, devia ter retrucado, devia ter respondido. O pequeno mamava pela manhã e à noite; durante o dia, eu tirava o leite para que ele mamasse. Com o nervosismo, o leite foi secando e eu não tinha mais como suprir sua necessidade diária de leite. Lembro-me de amamentá-lo pela última vez quando estava com 5 meses. Depois, tudo se acalmou, tudo se ajeitou, apesar de eu não amamentá-lo mais.

Quando fiquei grávida da minha mocinha, já tinha acatado amamentá-la o máximo de tempo que eu conseguisse, por, pelo menos, 6 meses. Um dia , à toa, escutei de alguém que sequer amamentou o próprio filho “Você amamentou o Cauê por apenas 2 meses. Quero ver qual será a desculpa para não amamentar sua filha agora”. Argumentei, expliquei, recordei. Não há santo que tenha convencido a pessoa do contrário. Podia ter entrado por um ouvido e saído por outro, mas, não. Pegou.

Primeiras mamadas

A Catarina nasceu sabendo mamar. Surpreendeu enfermeiras, pediatras, papai, mamãe. Contudo, depois que saí da maternidade, a amamentação tornou-se sessão de tortura e, por mais de um mês, não havia mamada que eu não chorasse de dor. Entretanto, eu não podia desistir. Era uma questão de honra, eu precisava mostrar àquela pessoa que ela estava errada.

Sempre fui adepta da rotina. Cauê foi lindo e feliz na rotininha que eu tinha com ele. Nina, não. Catarina veio para esbravejar. Como tinha medo de que ela parasse de mamar, adotei a livre demanda. Como tinha medo de ser julgada péssima mãe, assim como fui (injustamente) com o mais velho, deixei de lado a rotina. Tudo isso vai além. Porque eu e ela temos uma questão de alma, de pegada, de amo/odeio impressionante. Não dá pra saber o que veio primeiro, o que causou o quê.

O que sei é que a menina, agora com 9 meses, sempre mamou o quanto quis, a hora que quis – e essa história de ela mamar sem rotina nunca me fez bem (perdoem-me a sinceridade)Amo amamentar, por favor. Quero amamentá-la bastante tempo. Só gostaria de ter uma rotina mais estabelecida. Eu sinceramente não acho que a livre demanda deixa o bebê mais feliz, mais seguro, porque vejo o quanto ela sofre enquanto não tem o peitinho na boca; vejo o quanto ela acorda, mesmo que esteja bem alimentada, somente para sentir meu cheiro e voltar a dormir. Não me faz bem porque não sou o tipo de mãe (que respeito e admiro) que consegue abdicar-se tanto de si mesma e continuar feliz e de bom-humor. Eu estou cada vez mais cansada, mais tensa, mais mal-humorada. O quanto isso pode ser sadio para nós duas?

Nina mama

Por causa dessa minha maldita insegurança, eu incentivei um comportamento do qual eu mesma não dou conta: não há ninguém que a acalme, que a faça mais feliz do que eu. Lindo? Não, amiga, não. Ela tá feliz, brincando com todos, me vê e chora, porque passa a me querer. Quando vem ao meu colo, já sabe como puxar a blusa para mamar. E eu nem sempre quero amamentar e aí ela sofre desesperadamente. Não está certo incentivarmos nenhuma relação de dependência. Ela precisa, dentro dos limites de um bebê, aprender que não somos uma só e que ela pode, sim, ser feliz sem a mamãe. Eu estarei sempre perto, apoiando, mas não posso ser a única motivação.

Tudo bem. Daí, decidi que, esta noite, eu iria dar a primeira mamadeira depois de todos esses meses (ela deve ter mamado umas três ou quatro quando recém-nascida por causa das minhas dores). Comprei o leite em pó, fervi mamadeira, esfriei mamadeira, preparei leitinho. Na hora de dormir, fiz questão de ir ao quarto e eu ser a pessoa que ia lhe dar o leite. Leitor (se é que algum chegou até aqui), eu chorei, chorei muito… Sentia-me culpada por estar oferecendo mamadeira. Sentia medo de ela não querer mais meu peito. Sentia que eu e ela não éramos mais uma só. Ela, ali, segurando o mamá, estava aquém de mim. Já era só ela, só Catarina. Amamentar dói. Desmamar parece um parto do avesso. Dói pra dentro.

Marido veio no quarto, viu se estava tudo bem, me viu chorando, me abraçou e disse: “Você sabe que é necessário. Você precisa disso, está no seu limite.”

(Silêncio. Porque tá doendo, porque amo, porque tenho raiva, porque não sei.)

(Atualizado) Em tempo: eu não estou desmamando minha filha por completo. Só gostaria que, à noite, ela não precisasse mais mamar. Meu post foi um relato, um desabafo, uma maneira para falar o que senti quando vi minha filha com a mamadeira. Eu não pretendo tirá-la do peito. Somente gostaria que ela dormisse mais à noite. Ao dar a mamadeira para ela, me dei conta de como o processo de desmame pode ser difícil e, por isso, vim até aqui escrever.

Na mesma noite, ela acordou, sinal de que a mamadeira não “funcionou”. A questão que me pega é dormir mais e não tirar o peito de uma criança menor que um ano… Na noite seguinte, eu não dei a mamadeira, já que não resolveu anteriormente e não pretendo desmamá-la.

Entenda este post como uma reflexão do quanto o desmame pode doer, do quanto tomar consciência da separação entre mãe e bebê (porque a gente se confunde com eles e eles com a gente) pode ser difícil. 

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No meio do caminho havia uma mudança

20 jan

É assim, quando a gente descobre algo, vem a tal da pedrinha no meio do caminho. Nem sempre é pedra, nem sempre é sinônimo de algo ruim. Muitas vezes, são só pequenos desvios…

Antes de mudar de cidade, me dei conta do que quero fazer como meio de vida como ganha pão: escrever. Com a frase “o dia em que não escrevo, enlouqueço”, percebi, na terapia, que eu devia tornar isso mais real…

Faltam 3 caixas, 2 malas e os livros espalhados no chão do escritório

Mas, aí, veio a mudança; e não é que foi uma só, rápida, caminhão de lá para cá. Foi tenso. Mudamos para um hotel. Levei poucas coisas, mas suficientes para os 3 meses a que tínhamos direito. Com uma criança de 4 anos e um bebê de 5 meses na época, fomos morar em um quarto de cerca de 15 m². Três meses diferentes. O dia todo com as crianças, pouco tempo pra mim, perto da praia, sem a possibilidade de frequentá-la diariamente devido às dificuldades em levar um bebê pra areia. Três meses engordando 10 quilos…

E, nesse meio tempo, encontrar uma casa e uma escola em uma cidade desconhecida. Aprender caminho, ir parar em comunidades, ficar presa no trânsito, aprender a lidar com um novo jeito de ver a vida. Então, caminhão de mudança e muita, muita arrumação, já que temos mais coisas do que espaço.

Por isso que, assim, desse jeito, apesar de ter descoberto o que amo fazer, não o tenho feito. Entro rapidamente nas redes sociais, posto poucos textos por aqui, entro quase nunca nos blogs que amo frequentar.

Agora são meia-noite e meia. Dei uma pausa na organização da cozinha para vir aqui um pouco. Só pra me explicar, só para desabafar, para não enlouquecer. Depois, pretendo escrever sobre as várias lições que tenho aprendido nessa abençoada terra carioca (que passei a amar incondicionalmente).

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Domingos

15 jan

Bom dia!

Quatro tipos de domingo em minha vida:

  1. Criança, na casa dos meus pais, acordando cedo com música clássica e a mesa de café da manhã posta e repleta de delícias;
  2. Adolescente, na casa dos meus pais, acordando ao meio-dia, para colocar a mesa do almoço;
  3. Adulta, morando sozinha, acordando a qualquer hora e não colocando a mesa, não tomando café, almoçando o que tiver na geladeira;
  4. Adulta, com filhos e maridos, acordando o mais cedo possível… e pondo a mesa de café da manhã quando o bom-humor permite…

(Apenas uma constatação, nem de longe, uma reclamação. Mas devo dizer que sinto muitas saudades de acordar com os beijinhos da mamis e o Bach do papis, suco de laranja, café fresco, pão fresco)

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Os números de 2011

1 jan

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 33.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 12 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

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