Um estranho no próprio ninho

– Ou “O meu problema com os posers”

Não dá para dizer que sou totalmente rock’n roll, porque sou bem eclética – da música clássica à MPB, passando por todo tipo de música estranha de vários lugares do mundo, chegando ao jazz antigo, ao blues e, finalmente, ao rock’n roll. Talvez por isso, o termo poser não seja tão adequado. Mas vamos ao que interessa.

Se há um lugar em que sempre me senti bem são os alternativos – ambientes em que toca rock, principalmente. Quem acompanha meu blog sabe o quanto eu tenho dificuldade em ser alguém que está sempre linda, escovada, maquiada, soberana. Por causa disso, sempre que vou a ambientes em que as mulheres estão muito bem arrumadas, me sinto mal. Há uma voz interior que me hostiliza o tempo todo, fazendo com que eu me sinta a pessoa mais feia e deslocada da face do planeta. Por isso, enfatizo, sempre me senti bem em ambientes mais alternativos – parece que ninguém está ali para julgar se você está maravilhosamente bem vestida ou se é uma gata, gostosa que chama atenção do alto do seu salto alto.

Já faz algum tempo que venho percebendo nesses ambientes – antigamente, mais fechados àqueles que realmente gostavam de rock – uma “invasão” de pessoas – principalmente, mulheres – que não parecem pertencer a esses lugares. Eu chamo essas pessoas de posers, mas sei que não é o termo exato. Hoje, especificamente, fui a um pub irlandês e me deparei com dezenas de mulheres tão arrumadas, tão engomadas, que me senti um estranho no próprio ninho. Saí de casa tão animada para ir a um ambiente considerado tão “meu” que, quando lá cheguei e me deparei com pessoas diferentes, fiquei muito, muito incomodada.

No início, sofri. Depois, desencanei e resolvi curtir a noite com meu marido – eu estava lá para ser feliz, afinal de contas. Entretanto, me dei conta de várias coisas entre a etapa do sofrimento, querendo esganar aquelas mulheres, e ser feliz e curtir cada música da banda que tocava.

Quando percebi que eu não estava ali para competir com nenhuma delas, já que estava com o amado, comemorando aniversário de casamento, e elas estavam ali na caça, procurando justamente o que eu já tinha, fiquei mais tranquila. Daí percebi algo sinistro: o problema não eram os posers – o problema era eu.

Com que direito eu tomo aquele lugar como meu? Será mesmo que, justo eu, que defendo a liberdade individual, a pluralidade, tenho que pensar assim? Por que outras pessoas, diferentes de mim, não podem frequentar os lugares que querem só porque eu tenho uma visão de mundo diferente? É difícil inclusive escrever sobre isso, porque elas realmente me incomodam. Mas, seguindo a linha de raciocínio que defendo tanto, essas pessoas têm tanto direito de estar ali quanto eu. Aí, elas deixam de ser um problema e quem passa a sê-lo sou eu, porque me torno preconceituosa e ajo com a mesma xenofobia quanto alguns países estrangeiros.

Se eu tenho inveja dessas pessoas, se eu tenho problemas de auto-estima, se não consigo me sentir bem comigo mesma, isso não pode ser justificativa para eu ser tão hostil com o outro. Até porque são atitudes assim em que aparecem a homofobia, o preconceito, o racismo, os conflitos religiosos – a gente tira do outro o direito de ser quem ele é, justamente por serem distintos de nós.

Quando me dei conta disso, fiquei mais tranquila. Não importa quem estava lá. Não importa se eram roqueiros ou pessoas em busca de diversão em um lugar bacana. Não importa. Elas que sejam felizes, do jeito que quiserem. Eu precisava (e preciso) ser feliz com quem eu sou, onde estiver, independente de quem esteja por ali. Justamente para eu não ser mais uma nessa multidão tão extremista e faccionária que existe por aí.

O dragão nosso de cada dia

Resolvemos comprar um lindo cachorrinho. Ou melhor, cachorrinha. Mas essa história começou muito antes de tomarmos essa decisão.

Meu filho mais velho, com praticamente 6 anos, se interessou pela história de São Jorge, assistindo ao Sítio do Pica Pau Amarelo e escutando a música do Seu Jorge. Expliquei para ele a lenda e, principalmente, o significado: todos os dias enfrentamos um dragão. Com isso, passamos a nos perguntar, à noite, antes de dormir, qual tinha sido o dragão que enfrentamos naquele dia: dividir brinquedos com a irmã, lavar a louça, machucar o dedinho, levantar cedo, ter paciência, etc.

Eu não sou muito fã de cachorro, sou mais adepta aos gatos. Ainda assim, brinco, faço carinho, respeito-o quando encontro um e sempre incentivei isso nos meus filhos. Mas meu filho desenvolveu um verdadeiro pavor aos cães: morre de medo, tanto que nem pôr a mão em filhote ele conseguia. Já faz tempo que isso me incomoda, principalmente, quando ele dizia  a alguém “não gosto de cachorros”. A solução que encontramos foi ter um cachorro.

A nossa LINDA e fofa bola de pelo, Lola

No princípio, ele não gostou da ideia. Aí mostrei foto de filhotinhos e tudo mudou: começou a curtir a ideia, passamos a visitar pet shops que tinham filhotes para que nos acostumássemos com a ideia e, três dias atrás, compramos uma pequena Shih Tzu, nomeada de Lola. Na loja, ele não queria pôr a mão. Em casa, pôs a mão, brincou, estava empolgadíssimo. Ontem, segundo dia, a coisa mudou. Ele voltou a ter medo, punha a mão, mas não estava cheio de amizades. Precisamos conversar.

Nesta conversa, falamos sobre os nossos medos, as nossas dificuldades, sobre como as enfrentamos, sobre coragem e covardia. Esse é o seu dragão, não do dia, mas acredito que da semana: enfrentar seu medo de cachorro.

A pequena Lola tem nos divertido e ensinado muito também. Uma pequena bola de pelo, fofa e deliciosa. (Peraí que vou lá limpar um xixi e já volto)

O que faltou explicar para meu pequeno guerreiro é que o dragão que eu mais enfrento todos os dias sou eu mesma, algo muito complexo para uma criança de 6 anos…

Mudanças, medos e humor

Toda vez que há uma mudança muito grande em minha vida, eu “piro” que vou morrer logo.

Quando fui passar 3 meses na Tailândia, tinha certeza absoluta de que o avião iria cair. Sozinha no avião, eu chorava tanto, abraçada a uma vaca de pelúcia, que o brasileiro ao lado se comoveu e começou a conversar comigo para eu me acalmar. (Coincidência ou acaso, exatos 3 meses depois, sem ter trocado telefone ou algo assim, encontrei o mesmo brasileiro não só no mesmo voo como sentado ao meu lado. Sabendo do meu medo, ele brincou comigo ao pousarmos em São Paulo, dizendo que não estávamos no Brasil e, sim, em Buenos Aires.)

Em cada um dos nascimentos dos meus filhos, tive muito medo de morrer no parto. No do meu mais velho, fiquei mais nervosa, já que a maternidade ainda era completamente desconhecida para mim.

Depois, quando me mudei para o Rio, ainda ingênua quanto à realidade carioca, achando que tiroteios e violência aconteciam em todos os pontos da cidade maravilhosa, tinha a certeza de que morreria com uma bala perdida. Só Deus e os passantes na rua sabem a minha cara absurda de medo e susto, assim como uma ratinha, andando por aqui nos primeiros dias.

Agora, chegou outra mudança. Acompanhada de um tratamento médico e medicamentoso, acho que tenho lidado melhor dessa vez. Tenho usado algumas estratégias que têm funcionado – não fico pensando no dia da mudança, faço o que tem que ser feito no dia, sem ficar elaborando demais, sempre objetiva e dando um passo de cada vez. Mas ainda não estou curada, se é que há cura mesmo para essa síndrome. E aí que, agora, meu surto diz que vou morrer no caminho para as terras mineiras. Pensando racionalmente, sei que é um absurdo. Ainda mais depois de tomar consciência do meu histórico de loucuras anteriores.

Quando o medo vem, quando a barriga gela, respiro fundo e desvio o pensamento. Ou torno racional o que é emocional. Se nada der certo, faço uma oração e peço a Deus que Ele me dê mais tempo por aqui, para que eu possa curtir mais meus filhos! 😉 É preciso aprender a lidar com humor até em situações como essa. Já que, na verdade, o medo da morte é somente um medo do desconhecido…

Dramas de uma mãe sem os filhos

Eu sei que os pequenos irem antes vai ser importante. Eu sei que tenho que aproveitar esta semana sozinha. Mas, mesmo assim, não deixa de doer, eu não deixo de chorar, eu não deixo de ter aquele medo absurdo de nunca mais vê-los. É só uma pequena crise de pânico, é só um drama pequeno. Ainda assim, como dói pensar que vou ficar longe deles.

Mudanças, insônia e a saudade de escrever mais

Vamos mudar. Mais uma vez. De cidade, de estado. Ainda não é de país. Em um mês, deixaremos a cidade maravilhosa.

Tenho tido insônia. Nem sei se é insônia mesmo. Acho que é mais falta de vontade de dormir. Sabe? Quando você até sente que precisa deitar, mas sua cabeça não para e a cama não está tão convidativa? Provavelmente, é por causa da mudança.

Cidade nova, totalmente desconhecida para mim, apesar das várias ótimas recomendações que tive. Encaixotar, procurar casa, achar escola, fazer novas amizades. Tudo com um frio na barriga gostoso, mas bem mais preguiçoso do que quando tinha dez anos e dois filhos a menos…

A nossa Maria

A nossa Maria

Eu tenho tido ideias para posts dia sim, dia não. Mas não tenho conseguido chegar a essa página da minha internet. Primeiro, porque, agora, estou em um projeto – que amo muito: a Dona Maria das Artes. Eu e uma amiga juntamos nossos dotes artesanais e agora fazemos muitas coisas em tecido, mas, principalmente, bonecas de pano. Bonecas de dia, bonecas de noite. Pernas de bonecas, vestidos de bonecas, cabelos de bonecas. Dia e noite. É apaixonante. E aí, eu acabo dedicando parte do meu dia a filhos/casa/marido e a outra parte, às bonecas. É sério, elas são fofas demais. Você pode nos encontrar aqui, na nossa loja do Elo7, ou aqui, na nossa fan page do Facebook.

E entre bonecas, filhos, casa, mudança, pouco escrevo. Quero escrever sobre tudo o que tenho descoberto sobre alimentação industrializada e o que tenho feito sobre isso. Quero escrever mais sobre esse machismo baixo e sem vergonha, disfarçado de “tudo pode no casamento”. Quero escrever sobre a minha pequena estar doente ou o meu moço já estar lendo. Quero escrever sobre as impressões que o Rio de Janeiro me deixou. Mas, não escrevo. Ao menos, eu podia aproveitar melhor a minha insônia.

Por que mesmo eu passei a escrever tão pouco se isso é uma das coisas que me mantém sã?

Da nossa loucura aparente (ou não)

Daí que, como eu já falei diversas vezes, não me sinto muito normal. Me sinto bem diferente, pra falar a verdade. Só que, falando a verdade mesmo, se você me vir na rua, vai me achar a pessoa mais normal do planeta. (Pausa: desde que me mudei para o Rio, notei algo bem estranho. Algumas pessoas costumam me olhar de um modo esquisito, sabe, apertando os olhinhos, como se estivessem reconhecendo alguém? Daí que, outro dia, entrei no metrô e um grupo de jovens começou a falar coisas do tipo “olha, é ela”, “não é a fulana?” e, quando me aproximei, deram muita risada e falaram qualquer coisa do tipo que tinham se confundido. Então, talvez eu pareça normal, mas tive uma fase em que estava parecendo a Carminha na versão pobre, da Avenida Brasil, no último capítulo da novela…)

Passei anos fazendo terapia, tentando me entender, tentando decifrar essa avalanche que me considero. Aí, fiquei doente pra caramba, larguei o emprego, desisti de ser professora, sarei, quis virar mãe em tempo integral (e ganhei o status de dona-de-casa junto). Passei a me sentir bem melhor em muitas coisas. Mas, não. Acho que acabei me tornando mais consciente das minhas dificuldades, dos meus surtos. E comecei a procurar entender o que é isso tudo dentro de mim.

Quando conheci melhor meu marido, comecei a achar que ele tinha déficit de atenção. Durante anos e anos, falava para ele ir ao médico procurar ajuda, porque não era possível alguém como ele. Daí que, alguns meses atrás, caiu em minhas mãos um livro que trata do Déficit de Atenção em Adultos. Lá, a doutora Ana Beatriz apresenta um questionário para ajudar no diagnóstico, ou na procura de um profissional. Como quem não quer nada, sentei ao lado do bem e lhe propus que respondêssemos juntos – quem sabe assim ele não se anima e procura logo uma ajuda, sonhei alto…

A autora diz que das 50 questões, a partir de 35 positivas, pode indicar o DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Qual não foi a minha surpresa ao perceber que eu tive muito mais afirmativas que meu marido! 34. Como assim? Lá fui eu devorar o livro e me identificar com cada linha escrita. Como não tinha certeza da eficiência do livro, pesquisei em diversos lugares sobre o tal DDA. Onde quer que eu lesse sobre isso, eu me identificava. Como eu já havia marcado uma consulta com uma médica psiquiatra para tratar da minha síndrome do pânico, esperei para falar também disso com ela.

Nesses últimos meses, junto com a médica e a terapeuta cognitiva que agora me acompanha, chegou-se à conclusão de que realmente apresento DDA, junto com um Transtorno de Ansiedade Generalizada. A boa notícia é que minha médica é absolutamente contra o tratamento medicamentoso de DDA. Para ela, isso não é um distúrbio e, sim, um modo diferente do cérebro funcionar, assim como ser canhoto. Já a minha ansiedade, por enquanto, tem sido tratada no remédio mesmo, fazer o quê…

Quando converso sobre isso, alguns amigos me perguntam qual é a diferença em saber que se é DDA. Para mim, toda. Passei anos culpando a separação dos meus pais, toda a minha história de vida para justificar meu modo de ser. Depois da terapia freudiana, já não tinha mais desculpas – a gente descasca a cebola e percebe que o problema é a gente mesmo. Mas, aí, é muito peso carregar para si tanta coisa. É um alívio descobrir que a sua loucura tem nome. Que nem você – nem seus pobres pais – tem culpa de ser assim. É só o meu cérebro que funciona de outro jeito.

Não pretendo usar isso como desculpa para minhas falhas – apesar de ser tentador, “olha, me desculpa, esqueci disso porque sou assim” hehehe. Mas, sabe, é ótimo perceber onde eu posso me cobrar e onde eu não posso. O que posso fazer para ajudar a manter o foco e onde não vai adiantar reza braba, remédio, dança do iê-lá-iê pra mudar o que sou.

Voltei assim. Morrendo de vontade de escrever há meses. Sem certeza de que vou escrever sempre, porque estou em projetos que quero muito que deem certo.  Com vontade de jogar conversa fora com as amigas no Buteco…

Tempo

É assim… um tempo.

Quem está acostumado a visitar o blog, deve ter percebido que não tenho postado nada nos últimos dias. Tudo bem que nunca fui de escrever diariamente por aqui. Mas tenho escrito bem menos e, nas últimas semanas, não escrevi nada.

Achei por bem dar alguma explicação. Ainda que eu não tenha milhares de seguidores, algumas centenas merecem uma certa explicação.

A questão é que eu estou passando por uma revolução interna. Não estou no meu inferno astral, nada de grandioso aconteceu. Simplesmente, aos poucos, percebi a quantidade de coisas que quero mudar. Cansei de mim. E isso não é um lamento, é simples constatação.

Não me lembro quando foi que eu me senti diferente pela primeira vez. Acho que desde que me entendo por gente. Não me sinto mais ou menos especial que ninguém, apenas diferente. Dos vários grupos que passei, sempre me identificava com partes, mas nunca com o todo. Não consigo me encaixar em extremos e o caminho do meio, apesar de me atrair, me parece tortuoso. Isso em todos os assuntos. Qualquer um mesmo. Da novela aos livros, da maquiagem aos pelos, dos filhos à vida solitária. Talvez todos nós sejamos assim, talvez, não.

O ponto é que eu percebi várias coisas no meu dia-a-dia que precisam ser mudadas. Eu preciso repensar meu modo de ser. E não é por querer me tornar mais parecido com alguém. É porque vejo no meu cotidiano como minhas atitudes, meu modo de significar a vida pode ser prejudicial algumas vezes para mim e para quem está ao meu redor. Não, eu não estou usando drogas; não, eu não sou uma psicopata.

Percebi como a minha desorganização mental, a intolerância, o excesso de braveza, a falta de vontade em tomar decisões, coisas desse tipo, me fazem mal. Cheguei à conclusão de que preciso me reorganizar internamente. Por isso, tenho participado menos do Facebook, não tenho entrado no Twitter e deixei de escrever. Quando a gente tá fazendo uma boa faxina dessas, é necessário um pouco de silêncio interno.

Espero sinceramente que entendam… e não me abandonem! Prometo que já, já, em breve, logo, logo, volto a escrever mais!!! Enquanto isso, vocês já sabem que estou apenas dando um tempo….

Brilho Infernal de uma mente sem cigarros

Daquilo que se passa na mente de uma pessoa que não vai mais fumar, mas ainda quer fazê-lo

Eu queria uma imagem de cigarro, mas elas estavam me dando mais vontade ainda de fumar… buá

Tá bom, eu admito. Eu fumo (cigarro, tá, galerinha?). Pensando neste post, percebi que, entre idas e filhos, fumei durante metade da minha vida. Metade! Não é um absurdo? Então, chega. Escolhi um dia, não cumpri, tive que dar injeção no meu filho hoje, tive que explicar para ele porque é importante, tive que me dar conta de que, na verdade, estava na hora de eu dar a bronca que dou nele em mim mesma: “não tem que querer, tem que fazer”… (acho que ficou confuso). E parei. Não faz nem 12 horas. E eu tô no inferno. Todo mundo que para sabe que é assim. Mas a gente esquece. E quando para de novo, volta tudo.

Estes são pequenos textos que se passam em minha mente quando estou pensando em cigarro e foi para isso que escrevi este post… para compartilhar da minha loucura…

Eu podia não ter contado para ninguém. Assim, ninguém saberia se eu desistisse!

Vou pedir cigarro pro marido quando ele sair e me perguntar se quero algo da rua. Vai que, distraído, ele me traz e eu fumo, inocente, como quem esquece?

Vou me permitir engordar 3 quilos nesse mês. Por que eu vou poder comer um pouco mais, né?

Eu preciso comer alguma coisa.

Eu preciso comer alguma coisa pequena , doce, que nunca acabe.

Vou jogar vídeo-game de luta até amanhã. Maridão que cuide das crianças.

Preciso mastigar alguma coisa.

Vou matar alguém.

Que dor de cabeça.

Que vontade de fumar um cigaro…………………………………..

Eu podia visitar um fumante hoje…

(Este post não está terminado)

Para rir da própria doença

Estou em meio a um ataque de síndrome do pânico. É, eu tenho essa linda.

Ai, uma barata!

Aqueles que não conhecem a doença devem estar imaginando que eu esteja como uma pessoa defronte a uma barata. Ter pânico – ou, mais precisamente, pavor – de baratas e bichos nojentos pouco se assemelha com essa tão simpática síndrome de ansiedade absurdamente alta e ridícula.

Pouco depois que fui diagnosticada, há 2 anos e meio, minha médica me deu a seguinte explicação. Duas pessoas sobem uma escada muito extensa. Ao chegar no fim, uma pessoa “normal” diz que está cansada e que deveria fazer mais exercícios. Aquela que têm a bendita síndrome do pânico está verificando a pulsação, pensando se ela vai ao médico agora ou depois do ataque cardíaco que, certamente, ela terá em poucos minutos – resumindo, ela pensa que está morrendo.

Eu ri muito quando escutei essa história. E pensei na minha vida toda. Quando criança, meu apelido era “Maria das Dores”, porque eu sempre estava com alguma dor fatal e ninguém dava bola. Pensava com meus botões “Quando eu morrer, minha mãe vai ver como essa dor é de verdade”. Até muito pouco tempo atrás, eu ainda pensava assim.

Não sei de outras pessoas que também têm este diagnóstico. Mas eu, que tenho muito medo de morrer, sempre acho que estou morrendo. Foi assim que fui parar no médico quando tive meu “primeiro grande ataque de pânico”. O corpo todo formigando, o batimento alterado, quase desmaiando. Entrei em um posto de saúde lá na Bahia (vejam, eu estava em Lua-de-Mel!), falando que ia desmaiar, que alguém me socorresse, “peloamordedeus”. Enfermeiros, médicos, pacientes, todo mundo me pegou antes de eu cair. Oxigênio, estetoscópio, aparelho de medir pressão, eu, aos prantos, escutando o médico falar “filha, seus batimentos estão regulares, sua pressão está ótima. Você está tendo um ataque de pânico”.

Alguns dias depois, travada no trânsito, sem conseguir dirigir mais nenhum metro porque certamente um carro iria me acertar, percebi como isso sempre esteve presente em minha vida. Quantas vezes, fui a um médico por causa de uma dor “estranha” na cabeça (#aloka), um sensação esquisita pelo corpo. Me lembrei, inclusive, de um médico me dizer uma vez “você vai morrer… um dia, mas não hoje”.

Agora, enquanto digito essas palavras com dificuldade por causa da tremedeira, a sensação não é diferente da do passado. Mas, de uns meses para cá, depois de ir lá no fundo, tomei uma decisão. Toda vez que sinto tudo isso, faço uma oração, agradeço pela vida que tive (é verdade, apesar de absurdo) e espero. Porque não há nada que eu possa realmente fazer se minha hora tiver chegado. Não vai adiantar eu fazer meu marido e meus dois filhos me levarem à emergência cada vez que eu me sentir assim. Adianta muito mais eu aguentar firme na minha loucura e dormir. Quando acordo no outro dia, percebendo que ainda estou viva, fico feliz, feliz. Feliz, porque ninguém precisou me acudir, feliz, porque sobrevivi não só à ameaça de morte, mas, principalmente, à minha loucura…

 

(para atualizar… agora que terminei de editar o texto… passou! ah, sua doencinha brincalhona!)

O meu lado covarde

Lembra quando estávamos na 6a série e todo mundo gritava “nóóóóóó” ao escutar que um infeliz tinha levado um fora? Eu era a infeliz. Não só levava muitos foras, como não sabia dar nenhum… até hoje em dia sou assim.

Tenho um problema sério: eu não sei falar o que penso. Não sei responder ao meu interlocutor que não gostei do que disse ou do que fez. Eu simplesmente silencio. Guardo. E depois guardo de novo, e de novo. Até que um dia, em uma situação qualquer, eu explodo e falo tudo. Falo mais do que deveria, acabo ferindo o outro, acabo falando coisas que, durante anos, eu elaborei, mas não tive coragem de dizer. Quanto mais tomo consciência disso, mais eu me sinto uma covarde, por mais que eu tenha explicações para essa minha dificuldade.

Lembro-me da primeira vez em que isso aconteceu. Eu tinha uns 10 anos. Minha melhor amiga, e minha comadre atualmente, era aquela que sabia dar tiradas em todos. Depois de vário foras, durante um jogo de beisebol, eu estourei. Terminei a amizade com a frase: “Só porque você é loira, tem olhos verdes, usa aparelho e sabe dar foras, você não é melhor do que eu!” Saí batendo os pés e chorando muito. Era minha melhor amiga e eu não sabia como responder às brincadeiras. Bem óbvio que, alguns dias depois, estávamos brincando novamente, rindo muito como se nada tivesse acontecido. Ainda bem.

Das outras vezes em que isso aconteceu, já adolescente e, depois, jovem, eu não tive tanta sorte. Desabei meu amontoado de palavras em cima de amigas que, com certeza, durante algum bom tempo, carregaram muita mágoa por causa da dureza de tudo que disse. Fiquei sem algumas delas por um bom tempo.

Mas isso acontece não só com minhas amigas. Acontece o tempo todo. Familiares, conhecidos, desconhecidos. É só alguém me falar algo que eu não concorde e eu travo. Tá, algumas vezes consigo falar o que penso. Geralmente, na primeira vez em que escuto, eu respondo. Talvez, eu responda de um modo muito educado, ou muito baixo, ou muito covarde, porque, geralmente, a situação se repete. E aí, nas vezes seguintes, como eu já falei uma vez, eu me calo.

Quando acontece com estranhos que, de algum modo, sou obrigada a vê-los com alguma frequência, como um síndico, uma funcionária de casa, um colega de trabalho ou uma vovozinha que mora na rua ao lado, eu também fico quieta. Tá, até com gente que nunca mais vou ver, eu fico quieta. Outro dia, na fila do mercado, uma senhora encheu meu saco porque a roupa que minha filha usava era muito quente. Não, não era tão quente. Ela usou de todos os argumentos, eu respondi educadamente a cada um deles. Depois, fiquei me remoendo – por que eu simplesmente não a mandei para qualquer outro lugar?

Um dos pontos é que eu detesto brigar. E, por mais “paz e amor” que pareça ser, a verdade é que eu não sei brigar. Se a pessoa passa para a agressão verbal, eu perco o chão; me ofendo facilmente, levo para o lado pessoal e acabo ficando sem saber o que fazer, ou o que falar. Eu prefiro não me arriscar a levar um “fora” e não ter argumentos.

Um exemplo simples é a internet. Toda vez que leio algo que não gosto, passo muitos dias elaborando uma resposta àquilo. Estruturo os assuntos internamente, repenso todas as possibilidades de resposta, já deixo os argumentos prontos para cada fala. E aí, eu escrevo. Quando eu quero conversar sério, faço o mesmo exercício mental. Planejo repetidas vezes tudo o que pretendo falar, antes de, realmente, começar a conversa.

A explicação pode se facetar em várias: insegurança, tentativa de controlar tudo ao meu redor, baixa auto-estima, não gostar de brigas, etc. Infelizmente, a conclusão a que tenho chegado é que, provavelmente, eu seja mesmo um pouco covarde. E isso me entristece. Principalmente, porque tenho percebido o quanto essa característica ainda me faz mal. O quanto, em muitas situações, eu precisaria ser mais firme, mais sincera, menos podada ou educada.

Tenho tentado mudar isso. Mas devo dizer que é muito, muito difícil. É como se eu estivesse lutando contra minha natureza. Pareço estar batendo contra um muro que nunca irá ceder. Parece que, por ser adulta, descobrir que há tanta covardia dentro de mim é uma vergonha. Não só para mim, mas para o exemplo que ofereço a meus filhos.

#neurose 7 Superego ou mania de perseguição?

Essa eu sofro todos os dias…

Sabe que aquela voz interna que fica te reprimindo? Acredito que todo mundo tem (tomara!). Essa voz é chamada pelos psicanalistas de Superego – quem não souber o que é, dá uma olhadinha aqui (uma explicação bem simples, mas que dá para o gasto).

A minha voz interna que me repreende era usualmente representada pelo meu pai. Toda vez que eu fazia algo errado, vinha a imagem do meu pai me dando aquela bronca de me fazer chorar.

Hoje em dia, acho que superei a imagem do meu pai. Meu superego se despersonalizou e tornou-se qualquer “um”: os vizinhos que me escutam, outras mães, meus sogros, meus pais, enfim, qualquer pessoa que já tenha emitido uma opinião contrária àquilo que estou fazendo “errado”.

Então, acontece assim: deixei a casa bagunçada, vem a imagem do meu marido me dando uma bronca (ele nunca fez isso, mas veja o que uma mente insana é capaz). Tomo certas atitudes com meus filhos, outras mães me repreendem (dentro de mim, viu?). Falei alto demais, coloquei música weird, os vizinhos começam a falar (na minha cabeça louca, tá?).

É como se as pessoas soubessem exatamente tudo o que faço e penso e pudessem me repreender por isso – ALOKA. Não chega a ser uma mania de perseguição (ou chega? ai, meu deus!), porque vivo feliz e continuo a fazer tudo que acredito. Mas que, algumas vezes, cansa, com certeza, cansa. E, aí, a louca aqui precisa gritar (internamente, tá?) para que essas vozes se calem…

#neurose 5 Horários

É assim: quando tenho um compromisso, começo a planejar como será toda a movimentação para chegar até ele um dia antes.

E sempre começo a arrumação com, pelo menos, uma hora de antecedência – já que moro em uma cidade em que é rápido chegar aos lugares.

Com as crianças, começo tudo duas horas antes. Quem tem filhos, sempre está atrasado. Quem depende de marido, sempre está mais atrasado ainda.

Se eu não chegar com quinze minutos de antecedência, fico completamente angustiada. Horário marcado. Por que atraso?

Fiz 3 anos de terapia e atrasei 3 vezes – por culpa de outras pessoas 2 vezes e somente uma, por minha. Mais neurótica, impossível!