Primeiro Amor

Depois que meu filho ganhou o jogo de vídeo-game de Harry Potter Lego, ele decidiu que queria ser, sempre, a personagem Hermione. Achei estranho, questionei se ele queria ser o Harry – porque, geralmente, todos querem ser o Harry – e, respondendo que não, resolvi não dizer mais nada. Fiquei pensando que se nós, meninas, às vezes brincávamos que éramos uma personagem masculina, por que ele não poderia ser uma personagem feminina? Não acho que tenha nada a ver com uma questão de orientação sexual (e, se tivesse, isso também não seria um problema). Por isso, não levantei mais questões sobre o assunto.

Minha primeira norinha?

Passados alguns dias, o pequeno quis assistir novamente aos primeiros filmes de Harry Potter. Ontem, logo após o término, sentou e começou a chorar. Eu me espantei e perguntei o que acontecia. Ele estava furioso porque já não lembrava mais da voz da personagem Hermione e me implorava para que eu permitisse que ele assistisse – de novo – só mais um trechinho em que ela falava. Depois dos primeiros minutos de tentativa de entender o que acontecia e de não permitir ficar grudado na TV a manhã toda, percebi: ele está apaixonado! Não este amor cheio de sexualidade e sensualidade do mundo adulto. Mas o amor inocente e delicioso da infância.

De verdade, fiquei surpresa, porque não esperava que isso acontecesse tão cedo. De verdade, fiquei emocionada, porque é lindo ver como amam as crianças. Escutá-lo dizer que quer sonhar com ela, que gosta muito da pequena feiticeira, me fez suspirar junto com ele. Não dei corda, mas também não o critiquei. Será que o mundo ganhou mais um apaixonado? Tomara, porque há tanta doçura neste pequeno rapaz que há de ter sorte quem o encontrar…

Filhos na escola – ou o início de um novo ciclo

Faz tempo que eu espero o momento de pôr minha caçula na escola. Ela, com 1 ano e 4 meses, também demonstrava tédio em casa e animação entre pequenos iguais.

Ontem, foi o primeiro dia da adaptação. Dia fácil, fiquei lá todo o tempo. Além disso, ela se foi com a professora sem ao menos olhar para trás. Simples assim, mamãe.

Hoje, deixei a pequena junto com o irmão mais velho. Vai ficar 3 horas sem a mamãe. Voltando para casa, ao invés do alívio que eu imaginava, veio um aperto no peito. Eu não entendi, já que era algo que eu queria tanto. Meu coração, junto com aquelas duas figurinhas, ficou na escola.

Começou um novo ciclo em nossas vidas.

Os nossos heróis

Muitos acham o cúmulo da bobeira gostar de filmes e livros como “Harry Potter”, “Star Wars”, “Senhor dos Anéis” e etc. Pode até ser. Mas eu sou apaixonada por histórias como essas e eu explico porquê.

Parecem distantes. A trajetória dos heróis – cheias de conflitos internos, batalhas árduas e lutas com seres do mal -, por mais fascinante que seja, nunca estaria próxima da nossa realidade. Os heróis, o mal, as lutas, tudo sempre distante daquilo que vivemos cotidianamente. (O antropólogo Joseph Campbell descreve esta trajetória, uma explicação da Wikipédia aqui)

Ilustração Juliana Camargo

Eu vou na direção contrária: acredito que histórias como essas, assim como os mitos, na verdade, representam as nossas batalhas internas. O problema é que, no dia-a-dia, não tomamos consciência do que se passa dentro de nós. Mas todos os dias, o tempo todo, estamos lutando internamente. A cada decisão, a cada palavra, um lado nosso vence o outro. A cada angústia, a cada sentimento, nos aproximamos daqueles heróis da ficção.

Meu exemplo pode parecer mais bobo ainda. Todos os dias, eu luto comigo mesma sobre minha decisão de não trabalhar. Todos os dias sinto uma força interna tentando me derrubar. Todos os dias preciso manter o pensamento firme nos meus propósitos para que eu não me esqueça quem eu sou e o que vim fazer aqui (no mundo). Tem dia que perco, tem dia que venço.

É bem lógico que há maldade no mundo. Mas o mal está, em primeiro lugar, dentro de nós. Podemos ser o diabo ou o nosso próprio Darth Vader ou ainda Sauron, ou Lord Voldemort. A maldade começa em nossos pensamentos. Por outro lado, carregamos conosco os heróis, o bem, a força, a magia, o divino. E a cada pensamento, a cada ação, fortalecemos um, enfraquecemos o outro.

Do simples falar mal dos outros, passando pelas grosserias, machucando nós mesmos ou o outro, fazendo ou não nosso trabalho, nossas decisões estão muito próximas daquelas feitas pelos heróis. As batalhas homéricas descritas em cada história representam aquilo que ocorre dentro de nós sem percebermos.

Amo essas histórias porque elas me fortalecem. Elas me lembram dos meus heróis internos. Quando tomamos consciência, fica mais fácil enfrentar os fantasmas, as angústias, os medos, tomar decisões.

Amo essas histórias justamente porque elas nos lembram que os heróis estão dentro de nós. Acredito que o mundo seria muito melhor se tivéssemos mais consciência disso.

 

Festa feita em casa – Piratas

Quando meu filho mais velho me viu preparando todas as coisas para a festa de arco-íris da irmã, aqui, ele ficou doido. Me perguntou várias vezes se eu faria o mesmo para o aniversário dele. Um dia, ele recebeu um convitinho para uma festa de um amigo da escola que tinha um mapa de como chegar. Pronto! Ele queria que o convite dele também tivesse um mapa. Daí, surgiu a ideia de fazermos uma festa de piratas. Mas o orçamento tá curto, a vida não está lá muito barata… Resolvi, então, que eu faria uma festa com tudo o que eu tivesse em casa, compraria o menor número de coisas possíveis e faria da decoração ao bolo…

Preciso dizer algumas coisas, antes de mostrar tudo o que fiz. Primeiro, como disse minha irmã, sou praticamente um armarinho, de tantas coisas que comprei ao longo dos últimos anos. Tenho muitas coisas guardadas – seja de festas, seja de artesanato ou papelaria. Segundo, sou megalomaníaca. Não sei fazer duas coisas e dizer “tá ótimo”… vou tendo ideias e querendo colocá-las em prática… Outro ponto é que preciso pôr na ponta do lápis para saber se realmente saiu mais barato do que alugar um salão com uma festa pronta – vou ser honesta com os gastos que tive e, talvez, vocês possam me dar um feedback sobre quanto se gasta por aí em festas.

Para a festa, convidamos 15 adultos, sendo que 4 tem filhos na mesma idade que o meu, e os 14 amiguinhos da escola. Como ele está fazendo 5 anos, também vêm os pais. Então, calculamos uma festa para 40 adultos e 20 crianças.

Decidi servir pipoca, cachorro-quente e tortinha de liquidificador em forminhas de cupcake. Para os doces, beijinhos, brigadeiros, pirulitos, guloseimas (aquelas bem porcarias que não deveríamos nem sonhar), cupcakes e bolo. Acabamos por servir também torradinhas com patês e espetinhos de queijo com tomatinho cereja.

Para decorar, procurei em vários sites inspiração. Achei várias coisas, mas, por incrível que pareça, esta não é uma festa muito popular. Encontrei várias coisinhas lindas para imprimir e muitas ideias legais. Separei-as todas aqui, no Pinterest.

Meu plano era que a festa fosse divertida para as crianças, então, tinha que ter muita brincadeira. Planejei um caça aos tesouros e caracterizei as crianças como piratas. Então, também fiz lencinhos, ganchos, espadas, tapa-olhos, bauzinhos, caveirinhas de feltro, caveirinhas de giz…

Não sei exatamente como organizar este post, porque gostaria de mostrar não só o que fiz, mas como fiz… Vamos lá… o post ficará gigantesco…

Convite – mapa do tesouro

Para fazer o convite, procurei uma imagem de mapa que eu gostasse, mas que também estivesse em um formato que não fosse Adobe, porque eu queria editá-lo com as informações da festa. Tirei daqui o mapa. Daí, imprimi em folha A4 comum, em impressora a laser. Depois, colori com lápis de cor comum. Daí, começou o processo de envelhecer o papel!

Para envelhecer o papel, você vai precisar de café passado morno e café em pó. Passe o papel no café morno, deixe-o por uns 20 segundos, mas tome cuidado na hora de virá-lo, porque ele rasga bem facilmente. Depois, jogue um pouco do café em pó, se quiser deixar manchas na folha. Estenda-o em um varal, ou em qualquer lugar que ventile, e está pronto. Aprendi a fazer o processo neste blog aqui.

Mapa/Convite do Tesouro

Bauzinhos

Para fazer os bauzinhos, depois de tentar vários moldes, encontrei este aqui, do blog Grande Amor de Deus, onde há outros moldes. Como eu queria que coubessem várias coisinhas grandes, precisei aumentar o desenho (e tive que fazê-lo à mão, mesmo). Eu tinha várias folhas coloridas de papel canson, por isso, cada baú saiu de uma cor (lembra que meu objetivo era comprar a menor quantidade de coisas possíveis?). Para decorar, usei cola colorida. O primeiro (azul) ficou muito cheio de borogodó. Desisti e passei a fazer desenhos mais simples.

Dentro de cada bauzinho, havia: massinhas de modelar (que eu comprei pronta), moedas de chocolate, dadinhos de caramelo, uma caveirinha de feltro (que eu fiz) e uma caveirinha de giz de cera (que eu fiz também).

Bauzinhos

Caveirinhas de feltro

Sempre que eu vou fazer essas coisinhas, lembrancinhas, procuro vários modelos, separo e produzo os que mais gostei e, depois, escolho o que vou fazer em quantidade grande. Escolhi o modelo que encontrei no Flickr, aqui, porque amei as caveiras coloridas. Para tirar o molde, ampliei a imagem na tela e desenhei-a em um papel mais transparente.

A foto maior é das caveirinhas que escolhi. Na sequência, da esquerda para a direita: a que escolhi e as outras duas que também tinha gostado.

Caveirinhas de giz de cera

Quem não conhece o blog da Estéfi Machado precisa ir lá agora, porque é lindo, porque ela é super criativa, porque tudo o que ela faz fica demais. Quando vi as caveirinhas de giz de cera, enlouqueci e procurei insanamente pela forminhas para que eu pudesse fazer para a festa. O post que ela explica como fazer é este aqui.

Mas preciso fazer algumas considerações: como queria fazer ao menos uma caveirinha e um ossinho para cada criança, fiz o processo várias vezes… o que aconteceu é que, depois de algumas vezes, os ossinhos passaram a sair todos quebrados e, aos poucos, a forma foi estragando… e estragou tanto que precisei jogá-la fora (buáááá). Então, talvez funcione para que a gente faça apenas uma vez (assim, você não precisará jogar a forma fora, como eu). Ainda assim, essa ideia de reciclar o giz é tão genial, porque dá para fazer com outras formas, ir longe com a imaginação. Pelo que eu pesquisei forminhas de alumínio podem ir direto ao forno e funcionam também!

Caveirinhas de giz de cera

Saquinho de papel com Kit pirata

Como a minha proposta era que as crianças brincassem de pirata, nada melhor do que cada uma ter seus próprios acessórios, não é? Então, aproveitei que tenho um rolo de papel craft e fiz saquinhos, inspirada aqui no Alguma Bossa, para pôr dentro os itens, que eram: gancho, tapa-olho e lenço – todos feitos aqui em casa.

Para fazer o saquinho, cortei o papel craft em um formato retangular e segui as instruções deste site aqui. Se vc entrou neste link, deve ter percebido que está em alguma língua absurda – eu também não falo este idioma, mas deu pra seguir as fotos tranquilamente, viu? Depois de prontos, imprimi figuras de pirata menino e de pirata menina, prendi com um clips pequenino – para que as crianças pudessem pintá-las mais tarde – e usei uma fita que tinha em casa.

O saquinho com o kit e o meu piratinha ao lado dos saquinhos

Gancho de Pirata

Para fazer o gancho, eu imprimi um molde que tirei daqui, o copiei para o papel paraná e o encapei com papel alumínio. O suporte foi feito com um copo plástico que pintei de preto (tinta + cola branca) e fita adesiva. Bem simples, mas as crianças adoraram!

Do lado esquerdo, crianças com os kits. Do direito, um photoshop mal feito e um gancho pronto!

Espadas

Para fazer as espadas, me inspirei neste site aqui. Eu fiz rolinhos com jornal, depois cortei tiras de papel alumínio e cobri os tubinhos. Prendi as pontas, pintei um papelão para fazer a base (esqueci de fotografar esta etapa) e pronto!, tínhamos espadas para todos!!!

Lunetas e centros de mesa

Para cada mesa, fiz um arranjo bem simples, mas que achei lindinho: um copo de plástico bem transparente, uma corda, uma concha e areia. Não ficou uma graça? Além disso, fiz lunetas que deixei nas mesas. Para as lunetas, segui as instruções daqui – nada complicado: rolos de papel (higiêncio, toalha, ou coisas do tipo), copo plástico e tinta.

Piralitos

Quando vi os rostinhos destes piratinhas, na hora pensei em uns pirulitos que eu tinha guardado. Como eram poucos, acabei precisando comprar mais. Ainda assim, tinha o problema de onde iria colocá-los. Vocês acreditam que há meses eu tenho pedaços de isopor guardados, com todo mundo me pedindo para jogá-los, e eu finalmente achei uma utilidade para eles? Vejam que fácil: eu apenas os encapei com uma cartolina preta, usando cola quente, e passei uma fita linda. O resultado ficou fofo, não foi?

Imprimíveis

Para decorar, procurei sites que disponibilizam itens de decoração para imprimir, chamados de free printables. Tirei daqui: Paging SupermomLovely Little SnippetsTwo Penny Blue Mom. Vejam se gostaram!

Outros itens da festa

Para não deixar ainda mais longo este post, vou resumir outros itens da festa aqui.

Para o caça ao tesouro, fiz um baú maior, onde pus os bauzinhos, feito de papelão e pintado toscamente mesmo. Apesar de grotesco, as crianças surtaram do mesmo jeito.

O Baú e o momento em que as crianças o encontraram!

Outra coisa que fiz de papelão foi uma prancha, mas ela acabou por passar invisível, coitada. Só foi vista quando mostrei aos pequenos como fazia.

A sensação mesmo foi o barco que meu marido desenhou em uma caixa de papelão. Eu cortei a figura, fiz um mastro e uma vela e o colocamos em cima do brinquedo do parque. As crianças a-do-ra-ram!!

Acima, meu pirata no barco. À esquerda, as crianças. No meio, mamãe pirata. À direita, a coitada da prancha abandonada…

O amor de toda festa – o bolo

Gente, eu sei que este post está longo, longuíssimo, mas eu precisava falar do bolo, aquele lindo. Eu tive várias ideias de bolo em formatos de baús, de barcos e tudo o que é jeito. Mas eu não teria tempo para fazê-lo… Quando vi este post do blog The Cookie Shop, da Paula Cinini, eu pirei: um bolo lindo, uma receita fácil e em português!!!

Amei o bolo. De verdade. Além de lindo, ficou delicioso!

Sabem, para terminar, esta foi uma festa que deu bastante trabalho. Muitos detalhes, muita ansiedade para saber se o pequeno iria se divertir, muitas coisas para fazer e para tentar dar certo. No fim, gastamos, no máximo, R$600,00, o que não achei tão absurdo, porque isso inclui o aluguel do salão, as comidas e tudo que fiz.

De verdade, foi a melhor festa que meu filho já teve. Apesar de sentirmos muita falta da nossa família e de nossos amigos, foi totalmente voltada para as crianças – eles brincaram muito, muito, muito. Não era uma festa de adultos com crianças, como foi nos anos anteriores, mas de crianças com seus pais, o que torna tudo mais divertido, mais leve, mais lindo. Me lembrou das festas da minha querida tia Kátia, que sempre caprichou muito e fazia tudo assim – simples, em casa, cheias de detalhes surpreendentes, e sempre, sempre, divertidas! (tô chorando, dá para acreditar?)

(só mais algumas fotos pra vcs verem que festa linda!)

Calcinhas beges, lenços, tesão

Um cara escreveu sobre as mulheres não usarem mais calcinhas beges. E a minha calcinha bege ficou furiosa lá na gaveta… ou aqui no meu corpo.

Ultimamente, tenho começado a ficar com birra em relação a certos discursos. Não sei, talvez seja a idade, talvez seja o momento, talvez seja a TPM. Quando esses discursos contêm, então, aquele machismo… eu realmente fico furiosa e “subo nas tamancas”.

Aí, o cara resolve escrever que “toda mulher com calcinha bege deve portar um lenço da mesma cor na cabeça”. Gente, sei lá… eu tô muito louca ou é muita imbecilidade numa mesma frase? “Sofia, – irão me dizer os amigos -, mas toda vez você cai no conto do post escrito só para criar polêmica?” Acho que sim.

Eu resolvi escrever porque acho uma ótima oportunidade para reflexão. Algumas perguntas ficaram martelando depois que li o texto do infeliz, porque, sabe, ele realmente tem todo o direito de detestar a calcinha bege, assim como eu acho engraçadíssimo homens de cuecas pequenas e vermelhas. Até aí, tudo bem.

Acho que um dos pontos é a questão da iniciativa da mulher. Quantas vezes eu já não escutei que devemos sempre estar lindas e cheirosas e com um pijama lindo para atrairmos os maridos? Eu mesma já escrevi sobre esses momentos aqui no blog. Só que eu revoltei. Por que a iniciativa (quer dizer, disfarçadamente, insinuarmos que queremos algo com roupas mais atrevidas) tem que ser nossa? Por que não pode rolar tesão com aquele pijaminha confortável? Quantos caras você conhece que tem um pijama mais sexy?

Outro ponto é a questão do lenço na cabeça. Juro que não entendi. Se eu estou usando calcinha bege é sinal de que não quero sexo? Por quê? As mulheres que usam calcinha bege não “merecem” ser “comidas”? Mais essa? Os homens já fazem de nós gato e sapato quando querem. Quantas de nós já não levaram foras e foras porque somos diferentes do padrão que os homens estabeleceram? Juro que não foi a calcinha bege que me fez levar altos foras por aí… A gente continua sendo, para muitos homens, apenas objetos que devem ser apreciados ou não, como se fôssemos só isso mesmo.

O que eu também queria dizer para o moço é que, um dia, a namorada dele também usará calcinhas beges, pijamas velhinhos confortáveis e, nem por isso, terá perdido o apetite sexual. E aí? O que ele vai fazer? Perder o tesão?

A gente fica adulta, se enche de responsabilidades e filhos. A gente tem trabalho, mas a gente também tem casa para cuidar, meia para esfregar, cueca para estender, camisa para passar. Se você não precisa fazer nada disso, bem-vindo a outras classes sociais. Juro que não é muito agradável usar calcinha fio-dental enquanto lava a louça, alimenta criança e põe roupa para bater na máquina. E depois de um dia desses, muitas vezes, o mais gostoso é aquele pijaminha simples que alguns homens teimam em chamar de anticoncepcional. Debaixo dessa roupinha ordinária, tem, sim, um corpo quente e cheio de tesão. Importa mesmo a capa?

P.S.: Em contrapartida a este moço, outro, o Erico Verissimo, do mesmo site, Papo de Homem, escreveu algo brilhante sobre o mesmo tema – as calcinhas beges: “Amor, tesão e calcinhas bege”, aqui.

Das artes e das bochechas… como fica?

Sobe na cadeirinha, da cadeirinha, sobe na mesinha. Sobe na cadeira, apóia na mesa. Sobe no banquinho, senta na poltrona. Sobe no banco, mexe em tudo em cima da mesa. Sobe no banquinho, puxa o varal, derruba o varal nela. Sobe no sofá, se joga no sofá, se joga do sofá.

O coração da gente fica apertado. A gente dá bronca. A gente fica brava. A gente quase morre de susto. Aí, a gente vai para a cozinha, fecha a porta para ela não mexer em nada e a pessoa faz essa carinha. E, aí, a gente fica como?

Posso com essas bochechas e essa boca linda?

Como escolho a escola dos meus filhos

Outro dia, conversando com uma amiga que vai pôr sua filha na escola, ela me disse que, quando visitou as escolas, não tinha parado pra pensar em nada daquilo que eu lhe falava e que queria visitá-las de novo. Desde a conversa, estou querendo escrever este post.

Talvez por ter dado aula por algum bom tempo, talvez por educação ser uma das minhas paixões de estudo, talvez por eu ser neurótica mesmo, quando vou procurar uma escola, sou muito, mas muito exigente mesmo. Então resolvi fazer uma lista de tudo o que considero ao procurar uma escola.

Filosofia da escola. Esta é a primeira coisa que observo. Qual é a linha que a escola segue? Os valores, as crenças, as rotinas são as mesmas (ou muito parecidas) com o que eu vivo em casa? Quando digo filosofia não me refiro somente aos construtivistas, logosóficos e outros. Refiro-me também à comida, às músicas, à questão da disciplina.

Alimentação. Na escola, há uma nutricionista? O cardápio é disponibilizado para os pais? O que as crianças comem? Qual é o lanchinho mais servido? Existe oferta de biscoitos recheados, biscoitos de chocolate, refrigerante, muitos pães e bolachas ou as frutas e os legumes são os que mais aparecem? Quando tem uma festinha na escola, alguém leva refrigerante? (Porque, se seu filho não tomou em casa e houver na escola, certamente lá, alguém vai dar)

Professores. Quantas professoras há por turma? Qual é a rotatividade? Há muita troca? Os professores parecem animados ou cansados? A escola aparenta pagar bem os mestres? Penso isso por dois motivos: primeiro, escola que há muita troca de professores é sinal de que não paga bem ou não há um ambiente em que se trabalha bem, as crianças sentem muito as mudanças de professores; segundo, se os professores são mal pagos, como poderão oferecer uma educação de qualidade para meus filhos? Se eles estão felizes e motivados, meus filhos também estarão.

Músicas. Sou muito exigente quanto a isso. Que tipo de música as crianças escutam? São as mesmas que você coloca em casa? São aquelas que você aprova? Parece bobo, mas alguns pais (como eu) sofrem muito com o repertório musical. Já disse no blog que não gosto das músicas da Xuxa. Então, na escola, não quero que eles as escutem. Não tenho nada contra escola que tem e nem contra quem gosta.

Momentos de relaxamento. Geralmente, no final do período, muitas escolas passam vídeos para as crianças. Para alguns pais, isso é tranquilo. Para outros, não. A seleção de filmes está relacionada ao conteúdo trabalhado em sala de aula? Quem decide que filmes serão passados?

Berçário. As crianças do berçário ficam junto com as maiores? Existe um banheiro, um refeitório, um playground e um quartinho de dormir somente para elas? Quantas professoras tomam conta dos bebês? Como é feita a introdução dos alimentos?

Abertura da escola. Na cidade onde eu morava, algumas escolas não permitiam que as mães entrassem se chegavam em um horário diferente da entrada/saída ou sem hora marcada. Acho isso um absurdo. Acho que os pais devem ter liberdade para entrar e sair, para verem como seus filhos estão sendo cuidados etc. Se os pais exageram – porque alguns exageram mesmo – é só uma questão a ser conversada.

Atividades do período. Você acha que seu filho deve fazer o máximo de atividades possíveis, ou já começar a ser ensinado para os vestibulares, ou acha que ele só precisa brincar? Cada escola possui um modo de lidar com isso. Algumas têm apostilas e aulas até para os pequenos, outras começam a alfabetizar somente no primeiro ano. Mesmo que seu filho seja um bebê, vale a pena perguntar quais são as atividades oferecidas a cada idade. Porque, pensa só, se você não quer vê-lo cheio de lição de casa antes dos 6, ou se você quer vê-lo falando inglês fluentemente o quanto antes, algumas dessas perguntas poderão direcioná-la para uma escola que atenda às suas expectativas.

Preço. É bem lógico que, se eu pudesse pagar, colocaria meus pequenos na escola que acredito ser melhor – e, muitas vezes, a mais cara. Não sendo possível, tento fazer a conta daquilo que posso pagar versus o que a escola oferece. Honestamente, já escolhi pagar um pouco mais para oferecer o melhor. Nem sempre isso é possível, como no meu atual momento. Então, mesmo que seja mais em conta, tem que ser a que segue aquilo que acredito.

Dizia o pai de uma amiga que mesmo que ele deixasse muito dinheiro, muitos imóveis, muitas coisas materiais, quando ele morresse, nada ficaria – a única herança que os pais realmente deixam para os filhos é a educação.

E você? Quais são os critérios que você usa ao escolher a escola? Acha que eu exagerei? Concorda com algum ponto?

A madrugada e o perigo da troca de uma medicação

Vou começar me justificando. Sou um ser que demora para dormir; depois de feito, não consigo acordar. Talvez, eu até converse com você, mas não confie em mim, sério. Maridon não é do tipo que presta atenção em dosagem de remédios, nomes, bulas e coisas do tipo. Aqui em casa, sou eu que gerencio isso e ele sempre faz o que explico. Agora, some a essas duas coisas, uma criança que tosse muito, a noite toda, o dia todo e que não consegue dormir direito…

O fato é que, depois de dois dias dando anti-alérgico, fazendo várias nebulizações ao dia, pingando muito soro no nariz, minha pequenina ainda não tinha melhorado da tosse forte. A pediatra prescreveu, então, o “Descongex Plus”. Na madrugada, depois da menina continuar tossindo, meu marido me perguntou se ele podia dar o remédio mais uma vez e como é que dava. Eu, no décimo sono, achando que ele falava do soro fisiológico, disse-lhe que podia pingar no nariz quantas vezes fossem necessárias.

Hoje pela manhã, conversando sobre a melhora, sem lembrar do ocorrido, ele me falou que tinha pingado o remédio no nariz da pequena. Como eu leio a bula de qualquer medicação que entra em casa, quando me dei conta que ele tinha pingado no nariz não só um remédio de solução oral, mas que é muito forte, quase infartei! Nem mesmo depois de acordar a menina e vê-la brincando parei de tremer… Senhor do céu, que susto!

Tá, eu sei que foi falta de atenção. Sei que foi um enorme irresponsabilidade nossa. Mas quis escrever este post para manifestar um pedido a Aché, laboratório que produz o remédio, e para alertar outros pais desatentos como nós… O remédio possui uma embalagem que parece mesmo com aqueles que podem pingar no nariz. O remédio chama descongex… o erro foi nosso, mas seria mais fácil de evitá-lo se a embalagem fosse diferente… (ou talvez, não, e eu tô louca mesmo!)

Não achei uma foto do bico especificamente, mas vamos combinar que, na madrugada, todo gato é pardo…

Star Wars

Antes de tudo, preciso admitir que não sei tudo sobre a série de filmes… conheço um pouco, vi todos os filmes há muito tempo, mas não sou tão fanática a ponto de saber todos os detalhes e nomes de personagens.

O pequeno de quase 5 anos ganhou o jogo de vídeo game Star Wars Lego e passou a amar – e nós também. Jogamos muitas vezes, a família toda. É um dos primeiros jogos que permitimos que ele jogue.

Então, chegamos à conclusão que, para entender melhor o jogo, seria ideal que ele assistisse aos filmes. Ontem, ele assistiu pela primeira vez um deles.

Enquanto o filme se desenrolava na tela, comecei a ter dúvidas sobre minha decisão: será que ele não é novo demais? Será que os monstros não povoarão seus pesadelos à noite? Ele adorou, ficou com medo, torceu pelas personagens, vibrou com as vitórias, tentou entender o conceito de jedi. Agora mesmo, ele está montando naves com peças de lego aqui em casa (mas que eram da casa do Mickey!).

Pela madrugada, o pequeno foi deitar lá na minha cama: estava com medo de ter pesadelos com os monstros. Pela manhã, queria assistir a continuação do filme… E aí? Será que devo permitir? Será que “agora já foi”?

As vadias, os partos e os peitos

Da página no FB Movimento Direito Para Quem

Todo mundo ouviu, ou leu, ou viu, em algum momento, sobre a Marcha das Vadias. Se não sabe o que é, vale a leitura da Revista TPM, aqui. Não participei, li algumas coisas e concordo com tudo.

Essa semana que passou, aconteceram várias manifestações em defesa do Parto Domiciliar, ou melhor, sobre o direito da mulher escolher que tipo de parto quer. A Ligia, do blog Cientista que virou mãe, escreveu um post muito bom sobre isso, aqui.

Ontem à noite, fui parar no ótimo blog da Lola, Escreva Lola escreva, e, conforme lia um texto após o outro, todas as fichas foram ressoando dentro de mim, enquanto caíam.

Como resumir ou explicar tudo o que estou pensando e sentindo?

Acho que um grito pode dar conta… (outro, vivo gritando por aqui, né?)

Se ser vadia é sinônimo de fazer o que quer com a própria vida e o próprio corpo, então, sabem, sempre fui uma vadia. Dessas bem dadas mesmo.

Adolescente, ao descobrir minha sexualidade, perdi meus medos e tornei-me dona das minhas escolhas. Fiz o que quis. Saí com quem achava que valia a pena. Usava saia curta e top. Usava calça baixa e blusa curta. Fui bem vadia.

A gente bem sabe o preço que se paga por ser assim. Não é uma apologia à sexualidade desenfreada. É uma constatação de quem é dono de quem. Saí com muito cara FDP. Mas as amigas que não transavam também saíam com caras assim. Naquela época, eu não acreditava em machismo (!) – eu agia dentro da minha lógica e não podia enxergá-lo.

Da página no FB “Marcha do Parto em Casa”

Há pouco tempo, fui mãe. Duas cesarianas, mesmo sempre tendo sonhado com o parto normal – por falta de escolha, por falta de informação, por muitas causas. A primeira, empurrada pelo médico. A segunda, depois de estourar os prazos, acabei desistindo, cedendo… A minha síndrome do pânico provavelmente atrapalharia muito um parto domiciliar. Ainda assim, acredito que é uma escolha da mulher e não do médico.

Agora, os peitos. Os meus peitos, minha gente, os meus peitos. Meus peitos estão molinhos, pequenos, flácidos. E eu queria pôr silicone até 12 horas atrás. Mas aí eu li o texto da Lola sobre peitos, aqui, e, querem saber?, quem me ama, vai ter que ter tesão nos meus peitos do jeito que estão!

Porque eu vou envelhecer, porra!

Meus cabelos já estão brancos, minha pele já não é tão lisa e aí? Quem envelhece não pode mais ser desejada, não pode mais transar com muito tesão?

Por que temos que ser o referencial masculino de beleza, de esposa, de mulher e não o nosso próprio?

Escolhi parar de trabalhar para cuidar dos meus filhos – por que isso seria sinônimo de estupidez? Quem disse que dona-de-casa é burra?

(é, tô misturando tudo)

Sou bem vadia. Sou mulher que escolhe o que quer. Sou dona-de-casa culta. Tenho peitos pequenos, unhas por fazer e cabelos por pintar. Por que devo me sentir menor?

As tantas exigências…
Ilustração de Juliana Camargo

Precisamos dizer “não” aos médicos que impõem suas condutas de parto; aos imbecis que alegam culpa da mulher em um estupro; aos homens que não têm relacionamentos com mulheres que transam logo, com mulheres independentes, com mulheres inteligentes; às pessoas que atribuem à beleza o fracasso ou o sucesso de uma relação.

Para! Não sou namoradinha do Brasil, nem atriz de filme pornô. Eu não tenho o corpo delas e nem preciso agir como elas. Posso ser eu, misturando ou alterando-as com as outras dentro de mim.

As marchas do parto e das vadias, as discussões que já tivemos aqui sobre humoristas, amamentação e blogueiros, é tudo uma coisa só: um grito de basta a esse machismo velado, a essa necessidade de beleza de mentira, a esse monte de babaca, filhos de chocadeiras.

Porque mesmo que você só tenha tido um homem na sua vida, mesmo que você seja modelo de capa de revista, mesmo que você tenha feitos mil cesáreas marcadas, ainda assim, você, amiga, como eu, é dona de seu corpo e das suas escolhas. Todas nós temos que dizer chega!

Incoerência

Olha a incoerência.

Contratei uma babá para vir aqui em casa, uma vez por semana, ficar com meus filhos. A proposta era para que eu tivesse mais tempo para mim mesma ao menos 1 dia na semana. Ao contrário do que eu esperava, ao invés de gozar do dia livre, passei a aproveitá-lo para limpar a casa com mais afinco, já que não tenho uma ajudante de limpeza. Não é uma incoerência, já que eu faço isso (limpar) todos os dias?

A sensação que tenho é que, por mais que eu fale, por mais atitudes que eu penso tomar para manter-me sã diante desta vida de dona-de-casa, mais eu me prendo à rotina doméstica. Busca por emprego, tentativas de escritas de contos, procura por alunos, contratar babá, contratar ajudantes… cada semana arrumo uma “mudança” para que eu consiga fazer coisas para mim. Na prática, o que há é que não consigo sair deste ciclo. Continuo fazendo o de sempre. Não sei se é porque ainda me sinto muito ligada aos meus filhos pequenos, não sei se é medo de enfrentar uma rotina de trabalho novamente (que acabaria por me distanciar um pouco dos pimpolhos), não sei se é medo de enfrentar uma nova área de atuação.

O que sei é que estou em um ciclo que não consigo sair. Agora que me dei conta, será que consigo mudar a direção da roda?

O susto, ou sustinhos

Que susto!

Mamãe na cozinha, fazendo almoço. Crianças na sala, assistindo desenho. Nina tosse. Silêncio. (até aí, tudo normal) Cauê grita:

– Mamãe, mamãe, a Nina des, des, des…

(branca, corro para a sala)

– Mamãe, a Nina “desabaixou” o som da Tv!

(Vê se eu ‘guento, gente… tava achando que a menina tinha desmaiado!)

 

E para completar o tema, eu ia postar sobre um ocorrido de outro dia… Estava em uma loja de itens para bebês com a Nina, o Cauê e minha mãe. A Nina estava deitada no carrinho, um pouco dormindo, um pouco acordada, quando chega um menino de uns dois anos. Sobe no carrinho, olha a nenê. Como não vi nenhum dos pais por perto, pedi para que ele descesse, perguntei o nome, brinquei com ele. Não respondeu nada. Ele subiu de novo. Mudei o tom para mais sério. Sabe o que ele fez? Subiu mais uma vez e puxou os cabelos da pequena. “Nãããããoooo, não pode!” Eu disse a ele, tirando-o de cima dela… pois, mais uma vez, ele subiu e, dessa vez, começou a bater nela. Bater, minha gente… O que fazer em uma hora dessas? Segurei os bracinhos dele, a vendedora foi procurar pelos pais…

Quando o pai veio, atordoado, pediu milhões de desculpas, falou pro filho que era para fazer carinho. Me deu vontade de bater no pai. E no menino. Fiquei muito, muito brava. Mas, em seguida, vi a mãe com um bebê no colo e o irmão mais velho correndo pela loja. Vou falar o quê? Imagina a situação da família, com três crianças… sendo um furioso e o outro um recém-nascido… Susto mesmo…

 

Brilho Infernal de uma mente sem cigarros

Daquilo que se passa na mente de uma pessoa que não vai mais fumar, mas ainda quer fazê-lo

Eu queria uma imagem de cigarro, mas elas estavam me dando mais vontade ainda de fumar… buá

Tá bom, eu admito. Eu fumo (cigarro, tá, galerinha?). Pensando neste post, percebi que, entre idas e filhos, fumei durante metade da minha vida. Metade! Não é um absurdo? Então, chega. Escolhi um dia, não cumpri, tive que dar injeção no meu filho hoje, tive que explicar para ele porque é importante, tive que me dar conta de que, na verdade, estava na hora de eu dar a bronca que dou nele em mim mesma: “não tem que querer, tem que fazer”… (acho que ficou confuso). E parei. Não faz nem 12 horas. E eu tô no inferno. Todo mundo que para sabe que é assim. Mas a gente esquece. E quando para de novo, volta tudo.

Estes são pequenos textos que se passam em minha mente quando estou pensando em cigarro e foi para isso que escrevi este post… para compartilhar da minha loucura…

Eu podia não ter contado para ninguém. Assim, ninguém saberia se eu desistisse!

Vou pedir cigarro pro marido quando ele sair e me perguntar se quero algo da rua. Vai que, distraído, ele me traz e eu fumo, inocente, como quem esquece?

Vou me permitir engordar 3 quilos nesse mês. Por que eu vou poder comer um pouco mais, né?

Eu preciso comer alguma coisa.

Eu preciso comer alguma coisa pequena , doce, que nunca acabe.

Vou jogar vídeo-game de luta até amanhã. Maridão que cuide das crianças.

Preciso mastigar alguma coisa.

Vou matar alguém.

Que dor de cabeça.

Que vontade de fumar um cigaro…………………………………..

Eu podia visitar um fumante hoje…

(Este post não está terminado)

O cabelo, a vaidade e o Formol

Tudo bem, todo mundo sabe que o formol da escova progressiva pode ser um problema. Mas toda mulher que tem cabelos indomáveis sabe que outras escovas não fazem o mesmo efeito. Meu cabelo não é enrolado. Por sinal, ele é relativamente liso. Mas tem a frente, tem aqueles cabelinhos “bebês” que sobem, ficam ouriçados como  raios de sol em desenhos de criança. E isso acaba com a minha (pouca) vaidade.

Então que eu nunca fiz muitas escovas na minha vida. Devo ter feito umas duas progressivas e uma três “inteligentes” e eu estava cansada dos meus bonitos fazendo “ola” na minha testa todos os dias… E aí que eu resolvi que ia fazer uma progressiva e fodam-se todos os problemas que já li e vi com o formol. E fui, linda, feliz em um salão acessível ao meu bolso e muito recomendado.

Durante as duas horas e meia que estive lá, não me senti muito bem, mas sabia que era por causa do produto. Quando voltei para casa, comecei a sentir os efeitos de forma mais intensa: falta de ar, tremedeira, taquicardia, mãos gélidas. Como sou uma pessoa normal, not, subiu aquele desespero: hospedada na casa da minha irmã, sem maridon por perto, com a sister trabalhando e três crianças a todo vapor, o que eu ia fazer? Liguei para várias pessoas para saber se era normal. Comecei a entrar em pânico, até que a super-liga das amigas, tanto por telefone, quanto pessoalmente, entrou em ação. Uma amiga me acalmava por telefone, outra veio nos buscar, outra olhou a galerinha e fomos – eu e uma amiga – para o hospital.

A minha questão – e a de todos com quem conversei e me conhecem – era: até que ponto o que eu sentia era devido à inalação do formol ou era devido à síndrome do pânico. Quanto mais eu pensava, mais nervosa ficava – porque seria injusto demais dar tanto trabalho a tanta gente por causa de uma crise de pânico.

Logo que cheguei ao hospital, informei que era intoxicação por formol e fui rapidamente atendida. O que descobri? Não era uma crise de pânico, era intoxicação mesmo e a melhor coisa que tinha feito era ter procurado ajuda médica, pois poderia piorar ao longo da noite. É lógico que o desespero não faz parte da intoxicação, mas a preocupação era genuína…

Saindo de lá, devidamente medicada e dopada, fiquei pensando no custo que pagamos pela nossa vaidade. Quantas pessoas não passam mal, algumas chegando a óbito, por causa da vaidade? Seja em função da progressiva, ou de uma lipo, ou de uma plástica e outros tantos milagres prometidos pela indústria da beleza?

Por que eu não posso aceitar meus indomáveis cabelinhos? Por que as pessoas precisam julgar minha aparência, ou até mesmo quem sou, por não ter o cabelo considerado mais bonito? Será mesmo que a gente precisa se maltratar tanto para alcançar níveis de beleza absurdos (não que eu tenha sequer me aproximado deles, mesmo com meus lisos cabelos)? A gente condena fumantes, alcoólatras, viciados em drogas, obesos, compulsivos de todas as formas. E a vaidade? Será que quem se propõe a todo tipo de intervenção, correndo o risco de morte, não poderia ser colocado no mesmo hall? E eu não estou me excluindo não, amigos, porque sou fumante e fiz a progressiva.

Na verdade, por que não podemos aceitar quem somos do jeito que somos? (não tenho a resposta, tá, se alguém a tiver, por favor, escreva!)