Atualizações (desnecessárias) de minha nova vida mineira

– A capital mineira é linda;

– Os mineiros são, de modo geral, muito educados, gentis e solícitos;

– Viver em um hotel, ainda que seja daqueles que tem cozinha e sala, ainda que seja temporariamente, é algo que pode ser cansativo e engordante – tô morrendo de saudades do meu ateliê, da minha máquina de costura;

– Viver em um hotel e querer lavar louça, esfregar meia e organizar as coisas ao redor transformou-se em uma pergunta sem resposta;

– Não estou com saudades de cozinhar todos os dias (espertinha eu, né?!);

– As crianças estão adorando a vida por aqui. Por enquanto, nem sentiram a mudança – acho só que estão um pouco cansados um do outro, mas, até aí, acho normal, já que irmãos são irmãos, né…

– Olhar dezenas de apartamentos pela internet, ligar em dezenas de imobiliárias, visitar dezenas de apartamentos. Ainda não sei se isso é legal (procurar sua casa é sensacional), se é cansativo, se era para eu escolher em uma semana, se devo ser paciente e esperar por algo que eu ache incrível, maravilhoso…

– Quando tem jogo do Atlético, a cidade fica muda e parada como em jogo da copa. Só que quando o Galo faz gol, me sinto dentro do estádio, toda a cidade grita, todos cantam o hino em coro. Sério. Entendi porque meu marido é atleticano fanático;

– É difícil montar um mapa mental de uma cidade em que vc nunca esteve antes;

– A melhor coisa que pude fazer para lidar com a mudança – já que eu gostava muito do Rio – foi não criar expectativas. Não criei e me surpreendi para o bem. Que sotaque gostoso, que cidade linda, que povo apaixonante!

Imagem do Site cidadedebh.com

Anúncios

Mudanças, medos e humor

Toda vez que há uma mudança muito grande em minha vida, eu “piro” que vou morrer logo.

Quando fui passar 3 meses na Tailândia, tinha certeza absoluta de que o avião iria cair. Sozinha no avião, eu chorava tanto, abraçada a uma vaca de pelúcia, que o brasileiro ao lado se comoveu e começou a conversar comigo para eu me acalmar. (Coincidência ou acaso, exatos 3 meses depois, sem ter trocado telefone ou algo assim, encontrei o mesmo brasileiro não só no mesmo voo como sentado ao meu lado. Sabendo do meu medo, ele brincou comigo ao pousarmos em São Paulo, dizendo que não estávamos no Brasil e, sim, em Buenos Aires.)

Em cada um dos nascimentos dos meus filhos, tive muito medo de morrer no parto. No do meu mais velho, fiquei mais nervosa, já que a maternidade ainda era completamente desconhecida para mim.

Depois, quando me mudei para o Rio, ainda ingênua quanto à realidade carioca, achando que tiroteios e violência aconteciam em todos os pontos da cidade maravilhosa, tinha a certeza de que morreria com uma bala perdida. Só Deus e os passantes na rua sabem a minha cara absurda de medo e susto, assim como uma ratinha, andando por aqui nos primeiros dias.

Agora, chegou outra mudança. Acompanhada de um tratamento médico e medicamentoso, acho que tenho lidado melhor dessa vez. Tenho usado algumas estratégias que têm funcionado – não fico pensando no dia da mudança, faço o que tem que ser feito no dia, sem ficar elaborando demais, sempre objetiva e dando um passo de cada vez. Mas ainda não estou curada, se é que há cura mesmo para essa síndrome. E aí que, agora, meu surto diz que vou morrer no caminho para as terras mineiras. Pensando racionalmente, sei que é um absurdo. Ainda mais depois de tomar consciência do meu histórico de loucuras anteriores.

Quando o medo vem, quando a barriga gela, respiro fundo e desvio o pensamento. Ou torno racional o que é emocional. Se nada der certo, faço uma oração e peço a Deus que Ele me dê mais tempo por aqui, para que eu possa curtir mais meus filhos! 😉 É preciso aprender a lidar com humor até em situações como essa. Já que, na verdade, o medo da morte é somente um medo do desconhecido…

Dramas de uma mãe sem os filhos

Eu sei que os pequenos irem antes vai ser importante. Eu sei que tenho que aproveitar esta semana sozinha. Mas, mesmo assim, não deixa de doer, eu não deixo de chorar, eu não deixo de ter aquele medo absurdo de nunca mais vê-los. É só uma pequena crise de pânico, é só um drama pequeno. Ainda assim, como dói pensar que vou ficar longe deles.

O nosso (não) poder de decisão

(ou A torre mais alta)

Estou revoltada com as grandes corporações. Sério. Muito sério mesmo.

Outro dia, assistindo ao (maravilhoso) vídeo “Muito além do peso“, vi um publicitário americano dizer que, desde sempre, quem tinha as torres mais altas eram os que mandavam no resto da população – a igreja, os reis, os governos. Hoje, são as grandes corporações que possuem os maiores prédios. A realidade parece ser tão distante do nosso dia-a-dia – mas, a cada dia que passo, percebo o quanto estes fdp senhores conseguem determinar boa parte da nossa vida. Pensem um pouco comigo e, depois, me digam se estou exagerando.

Será que realmente temos algum poder em nossas escolhas?

  • Quando fiquei grávida, decidi ter parto normal, assim como outras várias mulheres. Quantas conseguiram? Quantas não foram manipuladas, empurradas, forçadas a tomar uma decisão contrária à sua por causa da conduta (infeliz) do médico, ou do plano de saúde, ou de uma cultura estúpida que parece difundir que uma cirurgia é melhor que o natural?

Eu não consegui. Cai na conversa fiada do médico. Tem mãe tendo que burlar o plano de saúde para conseguir ter um parto normal sem ter que pagar a mais por isso… (olhem essa notícia aqui)

Algumas mães não sabem que o aumento dessa cirurgia está ligada diretamente ao aumento de internações de recém-nascidos com problemas respiratórios em UTIs. E as que sabem e, ainda assim, preferem colocar seus filhos em risco? Pensam que é uma questão de escolha pessoal, quando, na verdade, é uma questão financeira, mercadológica, bem conduzida pelos principais interessados.  (essa notícia aqui pode esclarecer um pouco mais)

  • Passado o parto normal, nos deparamos com médicos pediatras sendo PATROCINADOS por uma indústria de alimentos. E aí, crentes na conduta desses profissionais, muitas mães deixam de amamentar para oferecerem leite industrializado, mucilon e outros pozinhos que a tal empresa produz. Porque o médico prescreveu. Sério? Sério mesmo que os pediatras deixaram a medicina de lado, com centenas de pesquisas sobre alimentação infantil, para renderem-se a uma indústria alimentícia? Essa nota aqui publicada no Facebook mostra um Congresso patrocinado pela Nestlé – que, por sinal, aconteceu perto de casa e tinha o símbolo da empresa bem grande estampando a entrada.

Mais uma vez, caímos na questão da escolha. “Eu não quero amamentar”, “a criança ficou com vontade”, “o médico recomendou”. Mais uma vez, a impressão de que a escolha foi nossa. Foi mesmo? Porque ninguém está discutindo a questão de ser uma mãe melhor, ninguém é “menos mãe” por certas escolhas. Mas, convenhamos, precisamos repensar se realmente algumas escolhas foram realmente nossas.

  • Seu filho não precisa mais só de leite, agora, ele precisa de comida. E vamos nós de novo… comida em potes, sucos com soda cáustica, biscoitos repletos de açúcar, preparados lácteos, leites cheios de sódio, toda comida industrializada, desconhecida, chegando ao nosso lar. Vamos combinar que, atualmente, é bem difícil não ter nenhum produto desses na despensa de casa, não é? Será que quem produz esses alimentos está realmente preocupado com a saúde de quem o consome?

Eu não sou a santa, nem a mãe perfeita e todos esses alimentos tem ou já tiveram seus lugares aqui em casa. Sou um pouco rígida com alimentação, mas, mesmo assim, depois do vídeo, eu aboli vários por aqui. Mais uma vez, a questão de quem manda. Sempre me achei “a correta da alimentação”. Sempre tive certeza de que, ainda que não fosse radical, sempre fizera escolhas mais saudáveis para nossa família. Tenho me sentido enganada, usada, mera palhaça na mão de um acionista rico com apartamento de frente para o Central Park.

  • Minha filha teve febre. No 3o dia, eu a levei a um hospital credenciado ao meu convênio médico. Hospital de ponta e blá, blá, blá. À tarde, o hospital estava muito lotado, fui embora do mesmo jeito que entrei. Levei-a novamente à noite. Ela chegou lá com 39,8° de febre. Passou pela triagem. 2 horas depois, ainda não tinha sido vista por nenhum médico e descobri que uma mãe estava a 5 horas esperando ser atendida. Fui embora mais uma vez. Ontem, no 4° dia de febre, voltei ao hospital. Cheguei 4 horas da tarde, fui atendida às 8 h da noite, saí de lá às 9h, com o diagnóstico de uma pneumonia atípica. Eu estava furiosa. Não só eu, como todos os outros pais que ali esperavam. Rolou até barraco com os seguranças.

O plano de saúde não é um plano barato. A empresa onde marido trabalha oferece aqueles planos excelentes, do tipo que a gente se sente confiante no caso de precisarmos. Só que quando chega a hora, a coisa pega. Não dá para responsabilizar os médicos ou outros funcionários do hospital pela superlotação. Mas, dá, sim, pra xingar e ficar furiosa com os responsáveis por gerenciar um hospital deste porte e não oferecer serviço de qualidade. O dinheiro, aqui ou lá no SUS, não faz a menor diferença, porque, quando a doença chega e não há nada que você possa fazer além de esperar do hospital onde está, tanto faz se o seu plano é mais caro do planeta ou se você está no postinho de saúde do bairro. O dinheiro faz diferença para aqueles que estão dirigindo, decidindo como será a qualidade da nossa saúde.

Por fim, obrigada pela paciência de lerem até aqui. Em todos esses pontos, há altos executivos, pessoas FDP  infelizes, que ganham muito, muito dinheiro às nossas custas. Para eles, pouco importa se estão nos matando, se nossos filhos ficam doentes, se são bem tratados ou não. Importa o quanto as ações de suas empresas estão valendo, importa o quanto o plano de saúde, o hospital, os diretores vão ganhar no fim do mês.

Existe, amigos, algum meio de sairmos deste ciclone? Existe alguma solução para isso? Porque, por mais que façamos, me sinto em uma roda em que sempre há algo para me surpreender e me derrubar.

(P.S.: E também me pergunto quantas mães continuarão vivendo suas escolhas como se fossem suas, ignorando todo o mal que podem estar fazendo para si e para os próprios filhos. Quantas pessoas continuarão vivendo como se nada disso estivesse acontecendo?)

Mudanças, insônia e a saudade de escrever mais

Vamos mudar. Mais uma vez. De cidade, de estado. Ainda não é de país. Em um mês, deixaremos a cidade maravilhosa.

Tenho tido insônia. Nem sei se é insônia mesmo. Acho que é mais falta de vontade de dormir. Sabe? Quando você até sente que precisa deitar, mas sua cabeça não para e a cama não está tão convidativa? Provavelmente, é por causa da mudança.

Cidade nova, totalmente desconhecida para mim, apesar das várias ótimas recomendações que tive. Encaixotar, procurar casa, achar escola, fazer novas amizades. Tudo com um frio na barriga gostoso, mas bem mais preguiçoso do que quando tinha dez anos e dois filhos a menos…

A nossa Maria

A nossa Maria

Eu tenho tido ideias para posts dia sim, dia não. Mas não tenho conseguido chegar a essa página da minha internet. Primeiro, porque, agora, estou em um projeto – que amo muito: a Dona Maria das Artes. Eu e uma amiga juntamos nossos dotes artesanais e agora fazemos muitas coisas em tecido, mas, principalmente, bonecas de pano. Bonecas de dia, bonecas de noite. Pernas de bonecas, vestidos de bonecas, cabelos de bonecas. Dia e noite. É apaixonante. E aí, eu acabo dedicando parte do meu dia a filhos/casa/marido e a outra parte, às bonecas. É sério, elas são fofas demais. Você pode nos encontrar aqui, na nossa loja do Elo7, ou aqui, na nossa fan page do Facebook.

E entre bonecas, filhos, casa, mudança, pouco escrevo. Quero escrever sobre tudo o que tenho descoberto sobre alimentação industrializada e o que tenho feito sobre isso. Quero escrever mais sobre esse machismo baixo e sem vergonha, disfarçado de “tudo pode no casamento”. Quero escrever sobre a minha pequena estar doente ou o meu moço já estar lendo. Quero escrever sobre as impressões que o Rio de Janeiro me deixou. Mas, não escrevo. Ao menos, eu podia aproveitar melhor a minha insônia.

Por que mesmo eu passei a escrever tão pouco se isso é uma das coisas que me mantém sã?

Tagarelices e o silêncio

Quando eu era pequena, minha mãe dizia que meus filhos demorariam a falar, porque eu não daria tempo a eles para isso. Imagina o quanto eu tagarelava…

Realmente, sempre fui tagarela, de falar pelos cotovelos. Mas não sei se foi a idade, a vida, os hormônios, os filhos. Fato é que aprendi a ficar mais em silêncio.

A praga da minha mãe, graça ao bom lord, não pegou (\o/). Na verdade, algo curiosamente contrário aconteceu. Não sou uma mãe que passa o tempo todo falando com os filhos. Sabe, aquelas que não dão sossego nem um minuto à criança? Então, não sou assim. Como boa mãe, o que sentia em relação a isso, adivinha?!, era culpa. “Poxa, que tipo de mãe eu sou que, ao dirigir – por exemplo -, não fico conversando com meus filhos?”

Daí que, ontem, enquanto levava as crianças para a escola, mergulhados todos naquele silêncio, me dei conta de que eu realmente não preciso me sentir culpada por isso. Gente, olha o que estou ensinando a eles – o poder de, às vezes, ficar em silêncio! E se isso pode parecer estranho, às vezes, acho que o que tem faltado mesmo nesse mundo tão moderno, tão movimentado, é um pouco de quietude. Um pouco de oportunidade de ficarmos conosco mesmo.

Da nossa loucura aparente (ou não)

Daí que, como eu já falei diversas vezes, não me sinto muito normal. Me sinto bem diferente, pra falar a verdade. Só que, falando a verdade mesmo, se você me vir na rua, vai me achar a pessoa mais normal do planeta. (Pausa: desde que me mudei para o Rio, notei algo bem estranho. Algumas pessoas costumam me olhar de um modo esquisito, sabe, apertando os olhinhos, como se estivessem reconhecendo alguém? Daí que, outro dia, entrei no metrô e um grupo de jovens começou a falar coisas do tipo “olha, é ela”, “não é a fulana?” e, quando me aproximei, deram muita risada e falaram qualquer coisa do tipo que tinham se confundido. Então, talvez eu pareça normal, mas tive uma fase em que estava parecendo a Carminha na versão pobre, da Avenida Brasil, no último capítulo da novela…)

Passei anos fazendo terapia, tentando me entender, tentando decifrar essa avalanche que me considero. Aí, fiquei doente pra caramba, larguei o emprego, desisti de ser professora, sarei, quis virar mãe em tempo integral (e ganhei o status de dona-de-casa junto). Passei a me sentir bem melhor em muitas coisas. Mas, não. Acho que acabei me tornando mais consciente das minhas dificuldades, dos meus surtos. E comecei a procurar entender o que é isso tudo dentro de mim.

Quando conheci melhor meu marido, comecei a achar que ele tinha déficit de atenção. Durante anos e anos, falava para ele ir ao médico procurar ajuda, porque não era possível alguém como ele. Daí que, alguns meses atrás, caiu em minhas mãos um livro que trata do Déficit de Atenção em Adultos. Lá, a doutora Ana Beatriz apresenta um questionário para ajudar no diagnóstico, ou na procura de um profissional. Como quem não quer nada, sentei ao lado do bem e lhe propus que respondêssemos juntos – quem sabe assim ele não se anima e procura logo uma ajuda, sonhei alto…

A autora diz que das 50 questões, a partir de 35 positivas, pode indicar o DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Qual não foi a minha surpresa ao perceber que eu tive muito mais afirmativas que meu marido! 34. Como assim? Lá fui eu devorar o livro e me identificar com cada linha escrita. Como não tinha certeza da eficiência do livro, pesquisei em diversos lugares sobre o tal DDA. Onde quer que eu lesse sobre isso, eu me identificava. Como eu já havia marcado uma consulta com uma médica psiquiatra para tratar da minha síndrome do pânico, esperei para falar também disso com ela.

Nesses últimos meses, junto com a médica e a terapeuta cognitiva que agora me acompanha, chegou-se à conclusão de que realmente apresento DDA, junto com um Transtorno de Ansiedade Generalizada. A boa notícia é que minha médica é absolutamente contra o tratamento medicamentoso de DDA. Para ela, isso não é um distúrbio e, sim, um modo diferente do cérebro funcionar, assim como ser canhoto. Já a minha ansiedade, por enquanto, tem sido tratada no remédio mesmo, fazer o quê…

Quando converso sobre isso, alguns amigos me perguntam qual é a diferença em saber que se é DDA. Para mim, toda. Passei anos culpando a separação dos meus pais, toda a minha história de vida para justificar meu modo de ser. Depois da terapia freudiana, já não tinha mais desculpas – a gente descasca a cebola e percebe que o problema é a gente mesmo. Mas, aí, é muito peso carregar para si tanta coisa. É um alívio descobrir que a sua loucura tem nome. Que nem você – nem seus pobres pais – tem culpa de ser assim. É só o meu cérebro que funciona de outro jeito.

Não pretendo usar isso como desculpa para minhas falhas – apesar de ser tentador, “olha, me desculpa, esqueci disso porque sou assim” hehehe. Mas, sabe, é ótimo perceber onde eu posso me cobrar e onde eu não posso. O que posso fazer para ajudar a manter o foco e onde não vai adiantar reza braba, remédio, dança do iê-lá-iê pra mudar o que sou.

Voltei assim. Morrendo de vontade de escrever há meses. Sem certeza de que vou escrever sempre, porque estou em projetos que quero muito que deem certo.  Com vontade de jogar conversa fora com as amigas no Buteco…