Da dificuldade em encontrar uma escola

Passei as últimas semanas procurando escola para minhas crianças. Que coisa, viu?!

Como eu já escrevi aqui, em “Como escolho a escola dos meus filhos”, sou muito exigente.

Mudamos de cidade recentemente, tinha a expectativa de colocá-los em uma Waldorf daqui, mas não há vaga para nenhum dos dois pequenos. Depois que saiu a resposta de que eles não a frequentariam, passei um tempo enrolando para começar a procura – estava com preguiça de visitar dezenas de escolas que – eu já sabia – não ia gostar.

Dito e feito. Quando fui conhecer as escolas do bairro, comecei a sofrer. Muito pequenas, muito cheias de concreto. Propostas pedagógicas não muito claras, crianças sentadas assistindo aos Backyardigans, lanches com guloseimas “inocentes” (como biscoitos), músicas nada enriquecedoras. Apostilas para crianças de 5 anos, salas escuras, escolas “higienistas” demais. Escolas perfeitas, com mensalidades de R$3.400,00 (já sei onde os ricos estudam).

Nenhuma me deixava tranquila. Nenhuma fazia eu me sentir segura. Como eu precisava decidir logo, fiquei pensando se eu matriculava-os na “menos pior” ou se continuava minha busca. Depois de mais uma manhã frustrada, resolvi deitar e meditar um pouco. Decidi seguir minha intuição e continuar a busca. E aí, eu encontrei uma que atende às minhas expectativas: muito, muito verde, muita terra, muita areia, muitos bichos, arte livre, proposta coerente, sem “dia do brinquedo”, sem festa de aniversário consumista, uma mensalidade que cabe nos nossos bolsos. Matriculei os pequenos e fiquei tranquila. As crianças adoraram e já começaram a ir.

Ontem, conversava com uma amiga que está passando exatamente por isso. Ela é pedagoga e está em busca da escola do seu único filho de 2 anos. Assim como eu, ela não está satisfeita com nada do que viu, mas acabou desistindo e o matriculou na “menos pior”. Incomodada, ela me falava de como não está segura da decisão que tomou.

Acho que a escolha da escola é algo muito, muito importante. Não só para os filhos, mas, principalmente, para os pais. Se a escola não for uma extensão da casa, a convivência, a troca será muito difícil.

Os primeiros dias dos nossos filhos na escola são, particularmente, os mais complicados. As crianças, geralmente, tiram de letra. Enquanto isso, na sala reservada aos pais da adaptação, pais e mães sofrem e choram com esse corte do cordão umbilical. Você finalmente decidiu confiar a outrem os cuidados de seu pequeno. Se não for alguém que segue o seu estilo de maternar, esse processo vai doer ainda mais, porque, mesmo que seja a pessoa mais “ideal” do mundo, a gente sempre fica com o coração na mão ao ver os pequenos tão distantes de nós. Se não estamos tranquilas, não há como passar esse sentimento para os filhos.

Por isso, acredito que seja tão importante encontrarmos um lugar que nos faz sentir tranquilos e confiantes. Como disse no texto citado lá em cima, temos que fazer muitas, muitas perguntas. Temos que olhar toda a escola. É bom que vejamos como a escola funciona quando há alunos. E é bom lembrar que, por mais bacana que seja, nenhuma escola será ideal, atenderá a todas as nossas expectativas. Acho que fazer uma lista do que não é aceitável e do que é negociável nos ajuda a não nos perder.

Sabe, por fim, fiquei muito feliz por ter seguido minha intuição. Vi as crianças felizes e me senti segura.

Dramas de uma mãe sem os filhos

Eu sei que os pequenos irem antes vai ser importante. Eu sei que tenho que aproveitar esta semana sozinha. Mas, mesmo assim, não deixa de doer, eu não deixo de chorar, eu não deixo de ter aquele medo absurdo de nunca mais vê-los. É só uma pequena crise de pânico, é só um drama pequeno. Ainda assim, como dói pensar que vou ficar longe deles.

Tagarelices e o silêncio

Quando eu era pequena, minha mãe dizia que meus filhos demorariam a falar, porque eu não daria tempo a eles para isso. Imagina o quanto eu tagarelava…

Realmente, sempre fui tagarela, de falar pelos cotovelos. Mas não sei se foi a idade, a vida, os hormônios, os filhos. Fato é que aprendi a ficar mais em silêncio.

A praga da minha mãe, graça ao bom lord, não pegou (\o/). Na verdade, algo curiosamente contrário aconteceu. Não sou uma mãe que passa o tempo todo falando com os filhos. Sabe, aquelas que não dão sossego nem um minuto à criança? Então, não sou assim. Como boa mãe, o que sentia em relação a isso, adivinha?!, era culpa. “Poxa, que tipo de mãe eu sou que, ao dirigir – por exemplo -, não fico conversando com meus filhos?”

Daí que, ontem, enquanto levava as crianças para a escola, mergulhados todos naquele silêncio, me dei conta de que eu realmente não preciso me sentir culpada por isso. Gente, olha o que estou ensinando a eles – o poder de, às vezes, ficar em silêncio! E se isso pode parecer estranho, às vezes, acho que o que tem faltado mesmo nesse mundo tão moderno, tão movimentado, é um pouco de quietude. Um pouco de oportunidade de ficarmos conosco mesmo.

Incoerência

Olha a incoerência.

Contratei uma babá para vir aqui em casa, uma vez por semana, ficar com meus filhos. A proposta era para que eu tivesse mais tempo para mim mesma ao menos 1 dia na semana. Ao contrário do que eu esperava, ao invés de gozar do dia livre, passei a aproveitá-lo para limpar a casa com mais afinco, já que não tenho uma ajudante de limpeza. Não é uma incoerência, já que eu faço isso (limpar) todos os dias?

A sensação que tenho é que, por mais que eu fale, por mais atitudes que eu penso tomar para manter-me sã diante desta vida de dona-de-casa, mais eu me prendo à rotina doméstica. Busca por emprego, tentativas de escritas de contos, procura por alunos, contratar babá, contratar ajudantes… cada semana arrumo uma “mudança” para que eu consiga fazer coisas para mim. Na prática, o que há é que não consigo sair deste ciclo. Continuo fazendo o de sempre. Não sei se é porque ainda me sinto muito ligada aos meus filhos pequenos, não sei se é medo de enfrentar uma rotina de trabalho novamente (que acabaria por me distanciar um pouco dos pimpolhos), não sei se é medo de enfrentar uma nova área de atuação.

O que sei é que estou em um ciclo que não consigo sair. Agora que me dei conta, será que consigo mudar a direção da roda?

Um dia para recordar sempre

Estava a pouco assistindo no canal Discovery Home & Health o programa “Um parto por minuto”.  A enfermeira relatava como é trabalhar com partos em um hospital tão grande, quando disse algo muito verdadeiro e bonito:

“A gente se esquece da maioria dos dias de nossas vidas. Entretanto, há um dia que as mulheres não se esquecem: o do nascimento de seus filhos. Elas se lembram da dor, da alegria, do nervosismo, lembram-se da primeira vez que seguraram seu filho no colo.”

É verdade. Lembro-me perfeitamente do dia do nascimento de cada um de meus filhos. As lembranças começam acho que antes daquele dia específico – começam quando senti que eles estavam para nascer.

Encontro inesquecível

Encontro inesquecível

Lembro-me do nervosismo que passei com o Cauê e de como me senti frustrada com a cesárea, lembro da tensão durante o parto, dos bigodes do anestesista e da força que minha irmã me deu, a agonia enquanto o esperava no quarto e da alegria ao vê-lo pela primeira segunda vez ao chegar para mim no quarto. Meu primeiro pensamento foi: “Este nenê tão lindo é realmente meu? Agora, eu tenho um bebê só para mim!”

 

No parto da mais nova, foi quase tudo diferente. Eu estava esperando pelo parto

Encontro inesquecível

normal, já estava com quase 42 semanas e sentia contrações desde a 37a. Não havia mais como esperar, não havia como induzir. Eu precisei me acalmar diante de toda as expectativas que criei para ter um parto normal e decidir pela cesárea de última hora. A médica, diferentemente do obstetra anterior, me explicou tranquilamente como seria e fez de tudo para que fosse, apesar de uma cirurgia, o mais humanizado possível. Deu muito certo. Meu marido assistiu ao calmo, tranquilo e feliz parto. Lembro-me de tentar amamentar a pequena ainda na sala de parto. Lembro-me de segurá-la, pouco tempo depois, já no quarto, pela primeira vez. 

Os dois momentos foram mágicos, intensos e muito inesquecíveis. As sensações passam por mim tão fortes quanto no dia. E é engraçado, porque, no momento em que a enfermeira da TV falava, pensei que não era verdade. Meu casamento, por exemplo, também foi inesquecível. Mas, aí, eu tentei me lembrar de todos os detalhes, assim como dos nascimentos, e muita coisa me fugiu à mente. Ela tem razão. Bonito foi o modo como terminou a frase, dizendo que era emocionante e gratificante demais poder participar deste momento na vida de tantas mulheres.

Por que nossos filhos nos amam? – ou “Aceite seus limites”

No começo do ano, escrevi um texto sobre a gente aprender a aceitar os nossos limites como mãe e aceitar “A mãe que posso ser“. Esse parece ser um assunto que nunca se acaba e, vira-e-mexe, passamos por situações em precisamos nos lembrar disso.

Eu não sei exatamente por que, mas, às vezes, tenho muito medo de meu filho não me amar o suficiente, quer dizer, perder o vínculo.

Parece que, como um namorado ao descobrir nossos defeitos, ele deixará de nos amar e não vai mais querer ficar pertinho (eu sei, Freud, eu sei).

A verdade é que, primeiro, ele vai, sim, descobrir nossas falhas e, segundo, ele vai, sim, também se afastar de nós um dia (em uns 18 anos, por favor). (eu sei, Freud, eu sei)

Filhos, assim que aprendem a comer, andar e, principalmente, falar, “descobrem” nossas fraquezas e as testam diariamente – seja na alimentação, no comportamento, no sono e por aí vai…

Quando essa angústia bate, deixamos de pensar no porquê dos filhos nos amarem. Você sabe por que seu filho te ama?

A nossa entrega

Eles nos amam porque decidimos gerá-los e recebê-los nessa vida (em alguns casos, “somente” recebê-los). Eles nos amam porque os alimentamos e, independentemente do tipo de aleitamento, lançamos aquele olhar de profundo amor sobre eles. Nós os mantemos limpos e cheirosos. Eles nos amam porque nos entregamos a eles – cada mãe com a entrega possível. Eles nos amam porque abrimos mão de muitas coisas por eles. Nos amam porque colocamos limites (umas mais, outras menos); e porque atendemos a certos pedidos especiais que só as mães compreendem (do colinho para o bebê ao chamego para os mais velhos). Eles nos amam pelos beijos nos dodóis, pelos cuidados quando estão doentes – e quando não estão, também. Eles nos amam porque nos esforçamos ao máximo para que eles sejam pessoas felizes.

Acredito que, antes de nascer, nós escolhemos nossa família. Isso muda tanto o olhar. A história de “não pedi para nascer” torna-se “você me escolheu como mãe e foi por um bom motivo”!

Então, por fazermos tanto por eles, por termos sido escolhidas, deveríamos respeitar nossos limites e deixar de se sentir tão culpadas por aquilo que não conseguimos, ou podemos, realizar. Não importa o tipo de parto que você teve, nem quanto tempo conseguiu amamentá-lo, muito menos se você não é o tipo que passa horas brincando no chão ou não consegue/não quer dar todos os brinquedos do mundo para seus filhos.

Nós temos nossos defeitos, temos muitas falhas. Mas eles também têm. Aceitar isso em nós mesmas é dar a oportunidade a eles de aprenderem que devemos amar as pessoas como elas são – e não como nós gostaríamos que elas fossem. Ainda assim, esses pequenos são a expressão do “amor puro”, do “amor divino” e conseguem nos amar nas situações mais difíceis e complicadas – que dirá quando somos pessoas que se dedicam tanto!

Amigas mães, vamos parar de nos torturarmos tanto por amar nossos filhos? Eles nos amam e sempre vão nos amar. Estamos dando nosso melhor e, mesmo que não seja perfeito (porque não é), não vai adiantar muito sermos mães que não amam a si mesmas.

Enxergue seu filho como ele é

Eu ia escrever hoje sobre a lembrança que os filhos terão dessa fase de tanta dedicação nossa. Entretanto, li o post “Mamães, vamos educar nossas crianças!!! Por favor…“, do blog Diário de uma mãe com mais de 30, e resolvi mudar. Fiquei pensando: gente, o que acontece com essas mães que não dão educação aos filhos? Como também já dei aulas, já passei por situações semelhantes às relatadas pela Juliana.

Cheguei à seguinte conclusão: há mães que não enxergam o filho que têm.

A “coisa” começa antes, bem antes. A educação do ser humano começa no berço (lembra do ditado, a-ha, fez sentido agora, né?). Geralmente, crianças má-educadas foram bebês que tiveram TO-DAS as suas vontades atendidas. Do tipo: “ah, ele só dorme se eu andar com ele no colo por 40 min”. Vontade não quer dizer necessidades: amor, alimentação, carinho, cuidados, atenção, higiene. Vontade quer dizer manhas, birrinhas que precisam ser atendidas antes que o bebê comece a chorar.

Por exemplo, aqui em casa: quando meu filho começou a comer, toda vez que caia alguma comida na blusinha, meu marido já a tirava (no meio da refeição). Eu ficava furiosa com tamanha frescura. “Ai, coitado, ele vai ficar incomodado com a blusinha molhada”. Não, não dava para esperar a criança terminar. Durantes anos, eu dizia a ele que, um dia, o menino ficaria fresco e ele, bravo. Dito-e-feito. Hoje em dia, meu filho tem 4 anos e chora quando cai qualquer coisa na blusa. Meu marido, machão, fica furioso e diz “Para com essa frescura, moleque”. Então, né, meu amor, quem ensinou isso a ele foi você. Como que você quer que ele aja diferente?

Então, tendo um pequeno rechonchudo lindo no colo, os pais fazem todas as suas vontades, esquecendo-se de que, em um instante, o bebê se tornará uma criança que exigirá ser tratada como sempre foi. Geralmente, esses pais enxergam o filho como coitado e nós só escutamos:

“Ah, coitado, é que ele fica sem mim o dia inteiro, né, ele só quer atenção”; “Ah, coitado, é que ele não entende”; “Ah, tadinho, é só uma criança”; “Ah, coitado, é que ele não gosta, ele não fez por mal”.

Os pais acabam sempre tendo uma desculpa para o comportamento absurdo da criança, tornando-se incapazes de enxergar o filho que têm.

Feliz ou infelizmente, nós precisamos aceitar que nossos filhos não são o ideal que planejamos quando estavam em nosso útero: eles são,graças a Deus, reais. Como pessoas reais, têm defeitos e qualidade. Nós, como pais, temos a obrigação de enxergá-los dessa forma: valorizando o que cada um tem de melhor e pontuando e ajudando-os com suas dificuldades.

Mesmo que seu filho seja sua realização, ele não é único no mundo – na verdade, ele é tão especial quanto os outros também são. (Eu sei que isso pode ser duro para alguns pais). Se você não é capaz de enxergar que os outros não precisam (e não vão) servir seu filho como a um príncipe, então, ele continuará se comportando mal, sendo mal-educado e, pior, sofrendo muito quando chegar à vida adulta e encontrar o mundo real.

Todo mundo já ouviu falar que nosso caráter é moldado principalmente até os 7 anos. O irônico é que justamente essa fase é a mais difícil de nos lembrar. Nós nos debruçamos com tanta dedicação sobre nossos filhos e eles se lembrarão de muito pouco. O que ficará, então? As sensações e a educação que oferecemos a eles. Um ambiente amoroso, com limites, feliz, alegre, em que os pais cumprem seu papel de guias e suporte, com certeza trará boas lembranças e sensações a esse futuro adulto.

Se queremos que nossos filhos sejam amados e respeitados no futuro, temos que prepará-los para isso. Só que isso só é possível se formos capazes de enxergá-los como são e se, em um ambiente de muito amor, ensiná-los a lidar com a vida.