Primeiro Amor

Depois que meu filho ganhou o jogo de vídeo-game de Harry Potter Lego, ele decidiu que queria ser, sempre, a personagem Hermione. Achei estranho, questionei se ele queria ser o Harry – porque, geralmente, todos querem ser o Harry – e, respondendo que não, resolvi não dizer mais nada. Fiquei pensando que se nós, meninas, às vezes brincávamos que éramos uma personagem masculina, por que ele não poderia ser uma personagem feminina? Não acho que tenha nada a ver com uma questão de orientação sexual (e, se tivesse, isso também não seria um problema). Por isso, não levantei mais questões sobre o assunto.

Minha primeira norinha?

Passados alguns dias, o pequeno quis assistir novamente aos primeiros filmes de Harry Potter. Ontem, logo após o término, sentou e começou a chorar. Eu me espantei e perguntei o que acontecia. Ele estava furioso porque já não lembrava mais da voz da personagem Hermione e me implorava para que eu permitisse que ele assistisse – de novo – só mais um trechinho em que ela falava. Depois dos primeiros minutos de tentativa de entender o que acontecia e de não permitir ficar grudado na TV a manhã toda, percebi: ele está apaixonado! Não este amor cheio de sexualidade e sensualidade do mundo adulto. Mas o amor inocente e delicioso da infância.

De verdade, fiquei surpresa, porque não esperava que isso acontecesse tão cedo. De verdade, fiquei emocionada, porque é lindo ver como amam as crianças. Escutá-lo dizer que quer sonhar com ela, que gosta muito da pequena feiticeira, me fez suspirar junto com ele. Não dei corda, mas também não o critiquei. Será que o mundo ganhou mais um apaixonado? Tomara, porque há tanta doçura neste pequeno rapaz que há de ter sorte quem o encontrar…

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