A injeção. (Ou “a falsa corajosa”)

Sempre fui eu que levei meus filhos para tomarem vacina, fazer inalação, tomar injeção e outras dessas coisas em que precisamos respirar fundo e pensar no bem maior que estamos proporcionando. E sempre me senti super tranquila e confiante.

Respira fundo!

“Filho, vai doer um pouco, mas passa e, se você tiver vontade, chore…” Digo o mesmo para os dois, desde bebezinhos. Acho que foi isso que fez com que, Cauê, aos quase 5 anos de idade, não chore com injeção nenhuma. Nem para tirar sangue. Ele é amado, idolatrado em cada posto de saúde que passa… “Ai, devia ter filmado, porque não dá para acreditar” dizem as enfermeiras, orgulhosas do menininho sorridente. Até a Nina, que tem 1 ano, chorou quase nada na vacina da semana passada.

Daí que meu pequeno corajoso é muito alérgico. Tanto que tem várias restrições alimentares e, principalmente, tem a famosa super alergia à poeira. Daquelas que já tivemos que correr na madrugada para o bonito tomar adrenalina, com a garganta fechando. Então, para tratar dessa fofa, fomos a uma alergologista – a médica mais fofa e carinhosa que já conheci – e decidimos começar um tratamento com vacinas. O tratamento é longo, não muito barato, mas toda tentativa é um passo para o bem-estar do pequeno.

A médica me explica: “nos primeiros dois meses, é uma vacina por semana. Depois, uma a cada 14 dias, mais adiante, uma a cada 21 dias, etc. Se você quiser, você pode trazê-lo aqui ou pode aplicar a vacina em casa.” Respondi, toda cheia de coragem, que eu mesma, então, aplicaria a vacina em casa. Porque, convenhamos, em uma cidade grande, não é lá muito fácil ficar rodando com duas crias a tira colo, não é mesmo?

Ai, ai… Hoje foi o dia da primeira vacina em casa. Amigos, estou tremendo até agora. Como se cria coragem para ser a pessoa que vai colocar uma agulha – A-GU-LHA (que, por mais que jurem que é a menor, especial para crianças, é absurdamente grande para uma mãe da área de humanas) – no seu próprio filho? Respirei fundo. Coloquei o moleque ao meu lado. Fiz um teste antes de como eu faria, mas sem a agulha. Respirei fundo. Disfarcei a tremedeira. Cauê, sentindo meu nervosismo, também ficou nervoso: “Tô com medo, mamãe” (Buáááááá, eu também, filho, vamos chamar a moça? Buááááá) “Vai dar tudo certo, meu amor” sorrio, amarelo. Respiro fundo, pego a pele e, plum!, a pele é um pouco mais “densa” do eu imaginava, aplico a vacina. Cauê reclama de dor. “Pode chorar, meu amor, a gente sabe que dói um pouquinho.” Cauê chora. Eu não posso chorar. Tenho que mostrar para ele que sei o que estou fazendo (oi?). E venho chorar aqui…

Buááááááá. Gente… toda semana vou ter que ter essa coragem!!! Buááááá. Como? Como? Será que a gente se acostuma?

 

Anúncios

17 pensamentos sobre “A injeção. (Ou “a falsa corajosa”)

  1. Nossa, que coragemmmm!!!
    Eu não sei se conseguiria, mas acho que “respirando fundo”, a gente que é MÃE vai se habituando a coisas que nunca fizeram parte da nossa rotina. Acho que a segunda será melhor que a primeira e assim sucessivamente.
    Parabéns pela atitude (de passar força e coragem pro seu filho).

    Beijos!

  2. Acho que você foi mais corajosa do que eu conseguiria ser (esta é uma das minhas – muitas- limitações). Para mim, o máximo que consegui fazer foi arrancar esparadrapo! Mas concordo com a Ana Karina que a segunda será um pouquinho mais fácil e a terceira mais ainda …

  3. Eu imagino perfeitamente o que você sentiu! Mas, olha, vai passar, e o perigo é só que você depois disso comece a tentar ensinar pros profissionais qual o melhor jeito de aplicar a injeção no SEU filho, rs! Tenho certeza de que ficará craque mesmo! Bjs!
    P.S. Morro de medo de injeção, acho que dificilmente teria essa coragem que você teve!

  4. Também acho que vai passar, Sô, vai ficar mais fácil e doer menos! Minha tia dá injeção de qualquer coisa em qualquer um, e nem tem formação nenhuma, ela treinou dando injeção de tempero na carne! rsrsrs

  5. Você foi bem corajosa e é isso que importa. Daniel, também tá tomando a vacina toda semana e chega a tremer quando sabe que o moço vai dar a vacina nele, mas é pro bem dele e já está chorando bem menos agora.

  6. Comigo não tem frescura! Eu aplico a vacina e pronto, sem dramalhão mexicano. Precisamos ensinar aos garotos a suportar qualquer tipo de dor e provação. Rir da cara do perigo e buscar desafios também. Além disso, o garoto nem vai perceber que foi picado. O terror psicológico aqui instaurado dói mais do que qualquer injeção, que aliás, nem dói. Eu não sinto nada quando tomo injenção e maioria também não sente. Esse mimimi só serve para fraquejar o pequeno. Sou a favor de que os homens criem as crianças e as mulheres vão trabalhar fora. Precisamos fazer uma sociedade forte e isso só será possível com uma educação masculinizada, no seio da família. Sejamos macho, pois.

  7. Sofia, acho que nessa vc. errou…meu, continue levando o menino p/ a farmácia, deixe-o nas mãos dos profissionais, que assim ele fica menos traumatizado. Tem que ter mão boa e prática, senão dói mesmo, porque não é bem assim, lascar a agulha em qualquer canto…dependendo do lugar em que vc. acertar, e se injetar a droga rápido demais, dói mesmo (lembra dos anestésicos dos dentistas?? Quando eles aplicam rápido demais, dói pra caramba!!)

  8. Ah, esqueci de falar algo importante: tomei injeções quinzenalmente dos 2 aos 10 anos de idade. Não foi nada legal. Mesmo tendo sido ministradas por profissionais *rs* É de traumatizar qualquer um…talvez fosse melhor postergar o tratamento…Se a alergia do seu filho for sobretudo alimentar, acho que ele já entende o suficiente para ouvir suas orientações nesse sentido…quando ele crescer mais e estiver de paciência cheia por não poder fazer isto ou aquilo, comer isto ou aquilo, aí sim acho que seria mais interessante começar com um tratamento longo desse, e que envolve agulhas *rs*

    No meu caso o tratamento era inevitável, eu morreria se não o tivesse feito – mas se é caso alérgico, sei lá…é complicado para as crianças entenderem que aquela agulha é para o próprio bem, que aquilo não é uma punição, ou uma injustiça pela qual só ele tem que passar…e, sobretudo, entender que aquilo VAI ACABAR algum dia. Eu pelo menos não entendia de forma alguma porque, dentre todo mundo que conhecia, só eu tinha que viver na farmácia, viver indo a médicos, viver fazendo exames…e durante ANOS que pareceram uma eternidade. Não era uma vida legal, sabe? Sem contar que, depois que fui liberada (aos 10 anos, como já disse), nunca mais quis saber de nada disso – pisar em farmácia, só se estivesse morrendo mesmo…médico? Idem. Agulha?? Não doía há muito tempo, claro, você se acostuma, mas não é essa a questão…até hoje evito ir a médicos, fico adiando; ao entrar numa farmácia e sentir aquele cheiro é super desagradável…cheiro de hospital ou clínica?!? Vixe…aquilo me faz suar frio. Não consigo olhar para a agulha nem p/ colher sangue *rs* Se não olhar, tudo bem, mas se vir a agulha…nem a pau.

    Sei lá…tudo isso p/ dizer que, depois dessa minha experiência (que fisicamente nem foi tão sofrida assim, porque as injeções não eram nenhuma benzetacil ahhahahhah), acho que vou pensar um trilhão de vezes antes de submeter qualquer criança a longos tratamentos. De agulha, já bastam os exames de sangue de rotina, as vacinas que tem que tomar, ou o ocasional soro na veia quando dá virose…

  9. Janus:
    Eu jamais faria um tratamento com agulhas que não fosse essencial para meu pequeno. Ele é muito alérgico não só a alimentos, mas também a bichos, poeiras e todo tipo de coisa que você imaginar. Já precisei levá-lo diversas vezes ao hospital porque sua garganta estava fechando. Então, mesmo que seja um tratamento desagradável, é necessário. Morar em uma capital pode trazer inúmeros benefícios, mas, por outro lado, não posso correr o risco de perder meu filho em uma crise alérgica – com o fechamento da glote – por causa de trânsito, por causa de falta de ambulância e outras coisas do tipo, se posso oferecer a ele uma solução para isso.
    Também acho que existem vários modos de se fazer esse processo sem que ele seja traumatizante. Todo o drama que postei aqui não foi passado para ele. É lógico que ele percebeu que eu estava tensa. Mas em momento algum eu deixei transparecer alguma dúvida ou algum medo que o levasse a não querer tomar a injeção. Como expliquei no post, meus filhos não tem medo de agulhas. Eles tomam vacina, tiram sangue sem sequer chorar. Coisas importantes não devem ser postergadas ou dramatizadas para uma criança. Eles devem saber o que esperar e qual a importância daquilo – dentro do que é possível ser apreendido por eles.
    Então, se eu perceber que eu mesma aplicar será algo muito difícil, com certeza, procurarei um profissional. Se eu achar que o tratamento não está surtindo efeito, vou tomar as medidas necessárias.
    Ser mãe é bem complexo. A gente precisa dar conta de muitas entrelinhas dentro de um universo prático. Precisamos ensinar as crianças a serem fortes, mas também compreensivas. Precisamos superar nossos próprio limites para dar o exemplo. E também precisamos nos dar conta de que somos humanos e que nem tudo estará ao nosso alcance.
    Abração

    • Cara Sofia, te admiro por conseguir aplicar a injeção! Sou cagona confesso. Mas se fosse imprescindível o faria. Porque mãe poe o coração no pé e faz o que tem que ser feito para o bem do filhotinho. Um beijo pra você e para ele.

    • Aah bom…nossa, se as alergias dele são sérias a esse ponto, realmente, é mais que necessário, sem dúvida alguma!!! E ele tem 5 anos e já sofreu com isso, então com certeza já entende melhor a necessidade de fazer tratamento.

      Como no meu caso eu era bem mais nova, e o que tinha era, digamos, “assintomático” (pelo menos para mim), a coisa complicava…minha mãe explicou tintim por tintim, diveerrsas vezes, e procurava me tranquilizar de todas as maneiras possíveis (e compensar também!) mas até uma certa idade eu simplesmente não entendia – o que não é de se surpreender, já que meu caso era bizarro e nem os médicos entendiam o que estava acontecendo comigo kkkkkk!!! Tadinha da minha mãe, teve que ralar muito passando de um médico p/ o outro, sendo que nenhum resolvia nada (queriam era me matar, me usando de cobaia), e ainda por cima sendo chamada de louca no começo…até outro dia ainda tinha médico tentando me contatar p/ fazer testes em mim *rs* Aafff, eles acham que a curiosidade científica vem acima das vidas das pessoas, deprimente.

      Bom, boa sorte com as injeções!! 🙂 É isso aí, você tem razão: antes ele chorando por causa de umas injeções bobas do que VOCÊ e seu marido chorando porque não houve tempo hábil p/ socorrê-lo, imagina!!!

      Abraço!!

Só é um Buteco se tiver conversa! Vem, deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s