Para rir da própria doença

Estou em meio a um ataque de síndrome do pânico. É, eu tenho essa linda.

Ai, uma barata!

Aqueles que não conhecem a doença devem estar imaginando que eu esteja como uma pessoa defronte a uma barata. Ter pânico – ou, mais precisamente, pavor – de baratas e bichos nojentos pouco se assemelha com essa tão simpática síndrome de ansiedade absurdamente alta e ridícula.

Pouco depois que fui diagnosticada, há 2 anos e meio, minha médica me deu a seguinte explicação. Duas pessoas sobem uma escada muito extensa. Ao chegar no fim, uma pessoa “normal” diz que está cansada e que deveria fazer mais exercícios. Aquela que têm a bendita síndrome do pânico está verificando a pulsação, pensando se ela vai ao médico agora ou depois do ataque cardíaco que, certamente, ela terá em poucos minutos – resumindo, ela pensa que está morrendo.

Eu ri muito quando escutei essa história. E pensei na minha vida toda. Quando criança, meu apelido era “Maria das Dores”, porque eu sempre estava com alguma dor fatal e ninguém dava bola. Pensava com meus botões “Quando eu morrer, minha mãe vai ver como essa dor é de verdade”. Até muito pouco tempo atrás, eu ainda pensava assim.

Não sei de outras pessoas que também têm este diagnóstico. Mas eu, que tenho muito medo de morrer, sempre acho que estou morrendo. Foi assim que fui parar no médico quando tive meu “primeiro grande ataque de pânico”. O corpo todo formigando, o batimento alterado, quase desmaiando. Entrei em um posto de saúde lá na Bahia (vejam, eu estava em Lua-de-Mel!), falando que ia desmaiar, que alguém me socorresse, “peloamordedeus”. Enfermeiros, médicos, pacientes, todo mundo me pegou antes de eu cair. Oxigênio, estetoscópio, aparelho de medir pressão, eu, aos prantos, escutando o médico falar “filha, seus batimentos estão regulares, sua pressão está ótima. Você está tendo um ataque de pânico”.

Alguns dias depois, travada no trânsito, sem conseguir dirigir mais nenhum metro porque certamente um carro iria me acertar, percebi como isso sempre esteve presente em minha vida. Quantas vezes, fui a um médico por causa de uma dor “estranha” na cabeça (#aloka), um sensação esquisita pelo corpo. Me lembrei, inclusive, de um médico me dizer uma vez “você vai morrer… um dia, mas não hoje”.

Agora, enquanto digito essas palavras com dificuldade por causa da tremedeira, a sensação não é diferente da do passado. Mas, de uns meses para cá, depois de ir lá no fundo, tomei uma decisão. Toda vez que sinto tudo isso, faço uma oração, agradeço pela vida que tive (é verdade, apesar de absurdo) e espero. Porque não há nada que eu possa realmente fazer se minha hora tiver chegado. Não vai adiantar eu fazer meu marido e meus dois filhos me levarem à emergência cada vez que eu me sentir assim. Adianta muito mais eu aguentar firme na minha loucura e dormir. Quando acordo no outro dia, percebendo que ainda estou viva, fico feliz, feliz. Feliz, porque ninguém precisou me acudir, feliz, porque sobrevivi não só à ameaça de morte, mas, principalmente, à minha loucura…

 

(para atualizar… agora que terminei de editar o texto… passou! ah, sua doencinha brincalhona!)

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11 pensamentos sobre “Para rir da própria doença

  1. Flor, você, no azar, tem sorte. Porque, pelo que me conta, teu caso é leve. Existem pessoas que, sob o efeito do surto, não conseguem se mexer – perdem o domínio dos braços e pernas. Ainda bem que hoje existe medicação! Síndrome do pãnico, uma vez acertado o tipo e a dose do remédio, é tratabilíssima. Beijão e boa sorte!

  2. Olha, eu acho que não tenho síndrome do pânico assim, diagnosticada, mas desde que Luna nasceu, comecei a ter muito medo de coisas que bnem passavam pela minha cabeça: medo de atravessar a rua e um carro desgovernado me pegar, medo de assalto, medo de ficar sem emprego, medo de perder alguém querido. Enfim, que bom que está dando a volta por cima, nossos filhos merecem!
    Beijos!
    Aline.
    http://www.decaronanacegonha.blogspot.com

  3. Li seu post…Adoro como escreve… sou psicologa e sinto o desejo e a obrigação de te informar que isso tem cura..nao precisa ficar sofrendo com isso…procura um bom terapeuta pra te auxiliar…só remedio nunca vai resolver…vc pode tomar por um tempo..mas so vai se livrar disso com terapia…é necessario entender a origem de sua angustia! estou a disposição se precisar que eu te esclareça algumas coisas…qq coisa me mandaum e-mail..moro em sorocaba..bj

  4. Olá , eu tive na época em que tinha 20 anos durou 2 anos nas minhas crises eu não conseguia respirar nem me mexer,sempre com a sensação de que iria morrer a qualquer minuto, eu fiz um tratamento com psicoterapia me passaram anti depressivo so que não fiz o tratamento com remedio a doença foi emborea depois que eu começei a conversar mais rir mais e não guardar sentimentos triste.bjos

  5. Olá!
    Tive síndrome do pânico e hoje me considero curada, cheguei a ter várias crises sérias por dia, pesquisei muito e com o auxilio do reiki, homeopatia, muita paciencia, consegui reverter a situação sem precisar tomar remédios psiquiatricos (embora entenda suas funções, eu apenas queria resolver o problema na fonte, mudando os comportamentos que causaram isso, tanto que mesmo os remedios homeopaticos eu só tomei num momento especifico e bem dificil.).
    Mas uma dica muito util é toda vez que estiver pra ter a crise ( a gente sabe quando ela começa) respire bem fundo, enchendo a barriga de ar ao inves do peito, depois solte o ar todo, funciona na hora! e você evita que a crise continue, depois de um tempo fazendo isso você relaxa e pensa ” é só respirar que passa”.
    E acredite, você vai se curar!
    obs: acho que o nome é respiração diafragmática, dá uma pesquisadinha.
    beijos, adoro seu blog e me identifico demais com o que você escreve!

  6. Ô, Soft, o que eu pensei quando li foi o que todo mundo já falou, amiga, procura uma terapia, vc vai conseguir ficar bem melhor… Eu trabalhei com uma pessoa que tinha estas crises eu ficava apavorada, a sensação de morte é horrível mesmo… o problema é que algumas pessoas acham ser frescura… não dá bobeira não e que bom que ao fim do post vc já estava melhor. Grande bj,querida!!!

  7. Nunca tive isso, então não sei como é…mas já me acusaram diversas vezes de ser hipocondríaca – ando sempre com os remédios para os sintomas mais usuais meus (dor de cabeça, estômago, coluna, enfim…) e sempre que vejo alguma coisa estranha na minha pele, na minha boca ou sei lá o quê, não costumo esperar muito p/ ir ao médico…o que é engraçado, já que ir a médico rotineiramente (eles falam “volte daqui a X meses) é algo que não faço (por trauma de infância) 😛

    Mas olha, deixa eu te contar uma coisa: quando você REALMENTE estiver morrendo, vai saber (a não ser que seja um mal súbito que faça vc. apagar de uma vez, como uma tomada desplugada da parede :P) – eu comecei a ter umas dores horrendas num certo período…e achava que era coisa de estômago (minha família inteira, e eu, temos histórico de péssima digestão, essas coisas…). Mas naquelas crises que eu tinha, eu tinha a nítida sensação, pela primeira vez na vida, de que ia morrer. Mesmo, sem brincadeira. Não que a dor fosse mais insuportável do que outras dores agudas que já tive, mas sabe-se lá por quê eu achava mesmo que ia morrer. Acho que é o modo como o corpo tem pra te avisar que algo está seriamente comprometido e vc. tem que se mexer…eu ignorei esses avisos durante um tempão, justamente pela fama de hipocondríaca! Péssima decisão, pois poderia de fato ter morrido, tinha pedras na vesícula e não sabia…durante um tempão! (eles recomendam a retirada da vesícula o mais rápido possível, porque ela pode estourar e vc. morre por septicemia).

    Tudo isso para dizer que, quando o organismo está mal mesmo, de verdade, a coisa é diferente. Imagino que seja diferente de um ataque de pânico também…

  8. olá ….ou
    a situação se não fosse estranha eu diria que é extremamente desconfortável. Levei muito tempo indo em hospitais ,em postos, academias, casa de oração….buscando alguma forma de me entender… eu gostava de sair, dançar e principalmente acampar….certo dia fui acometida por uma falta de ar terrível que levou muitos dias até que encontrei um médico que me informou que estava com síndrome de ansiedade. tomei calmantes, dormia bastante e melhorei….só melhorei….não demorou muito para a falta de ar voltar com travamentos ao dirigir, um suor fora do normal, chororo, coração acelerado e a falta de interesse em sair.. sempre arranjava desculpas para não sair…. o primeiro surto aconteceu em 97, depois de andar por muitos médico de várias áreas, tomar todo tipo de remédio resolvi eu mesma fazer o meu diagnóstico a partir de muitas leituras e lendo artigos como este acima relatado. Percebi que as crises são maiores quando está próxima de menstruar, tlvz seja o próprio hormonio colaborando com os sintomas. Como não acertei com médico, resolvi vencer a mim mesma um pouquinho de cada vez. Antes de sair faço minha oração para buscar coragem para o dia…. Me envolvo bastante com o trabalho, contudo, confesso que a falta de ar me atrapalha mais que o medo. Hoje estou bem… e não penso no amanhã, sabe o AA? um dia de cada vez….este é o meu lemE ( profundamente ….meu lemE) para tocar a vida.

  9. Sofia, deve ser difícil mesmo. Não sei como é, mas tento maginar… Bom é saber que apesar do pânico você consegue pensar em algo bom, algo que te faz parar, respirar e seguir.

  10. Li seu relato e me manifesto não com a intenção de vender qualquer coisa. Cada pessoa é de uma maneira e tem suas crenças e eu as respeito mas no meu caso, tive sintomas parecidos com os seus e como estava em casa sem poder trabalhar por estar cuidando de meu filho pequeno na época, me tratei com florais de bach. E posso te dizer que nunca mais fui a mesma. Gostei tanto que fui estudar os florais nas horas vagas e tenho este estudo como hobbye até hoje. Quem sabe não te ajuda? Mas de qualquer forma, é apenas uma dica. Apesar do meu caso não ter sido tão intenso, me ajudou muito e sei o quanto é difícil esta situação. Abraço grande. Patricia

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