O cara da papelaria e o cúmulo sobre filhos

Eu estava hoje à tarde em uma papelaria com minha filhota linda e tranquila, com todas as vendedoras admirando-a e fazendo os bilus-bilus costumeiros, quando escutei um vendedor dizendo à colega que era louco para ter um filho. Homem dizendo que quer ter filhos é sempre fofo, né? Em seguida, o rapaz disse que queria mas sem ter que casar. Como sou incherida, já fui logo comentando com ele:

– Nossa, que coisa, mas você queria ter um filho para cuidar dele sozinho? – achei a ideia muito original e corajosa, olha que mundo moderno!

– Não, moça, nem pensar. Queria um filho para ficar lá com a mãe dele. – e eu na minha casa, ele deve ter pensado…

Sabe, eu “perdi” a cabeça. Não por nada. Mas perdi. Respondi, rindo, é lógico, a ele que assim era fácil, quem não queria, e todo aquele discurso feminino quando escuta um machistinha por aí. Ah, não, que fácil, né? O moço ficou até sem graça.

Tem ótimos homens hoje em dia – parceiros, companheiros, participativos, não-machistas. É maravilhoso encontrá-los (seja aqui em casa ou por aí). Só que quando encontramos umas figurinhas folgadas como esse aí… ai, ai… só eu que fico enlouquecida??? (ainda vou escrever um post sobre os machistas modernos… tá entalado aqui, ó)

 

(ah, e se vc é do Rio, ou conhece alguém do Rio, dá uma olhadinha no sorteio do post anterior)

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5 pensamentos sobre “O cara da papelaria e o cúmulo sobre filhos

  1. Eu queria fazer o papel de advogado do diabo, defender o pobre ímpio objurgado neste post, mas como ninguém gosta de mim aqui, certamente seria apedrejado. Portanto, para ver se minha popularidade aumenta um pouco ou, melhor, se ela passa a existir, rs vou, apenas, fazer um excerto, bem educado, ratificando e legitimando a revolta da autora do blog =D

    Embora eu ache que no caso não tenha existido, de forma alguma, machismo, mas mera ignorância de uma pessoa inexperiente, e possivelmente preguiçosa, o que não é crime, que jamais teve um filho, que jamais passou por qualquer vicissitude inerente à maternidade e à paternidade, e que, portanto, não é obrigado a conhecer todos os percalços que o cuidado com uma criança pequena gera, tenho que concordar, embora com essas ponderações, que o que o garoto, imaturo, disse foi revoltante pelo simples fato de que a toda benesse corresponde um ônus ou um dever e esta é uma regra universal, tão universal quanto Shakespeare, que jamais deveria ser olvidada.

    É certo que a ele, como ocorre em qualquer ordenamento jurídico civilizado, seria devido o benefício da dúvida. É claro, pois ele não terminou a frase, e na espécie houve apenas a suposição de que ele queria ficar na sua casa, folgado e livre de quaisquer encargos, apenas com o lado bacana da paternidade, enquanto a mulher ficava com todas as responsabilidades. Ele não disse isso expressamente. Mas ainda assim, mereceu levar bronca, pois deveria ter aprendido a ser claro. Deveria ter aprendido a pensar antes de falar.

    De outra banda, já fui vítima de inúmeros puxões de orelha em razão de comentários impertinentes e inapropriados e, como sou um cara cuja característica principal é ser empático, coloco-me no lugar dele. Peço perdão por ele ter falado algo indevido e fora de hora, sem qualquer tipo de reflexão, sei bem como é isso. É duro ser fustigado por uma criatura tão bela e sábia como a mulher. Meu coração já foi partido inúmeras vezes por esporros femininos. Dói. Nós, homens, não temos onde enfiar a cara de tanta vergonha, ficamos sem palavras, diante da fúria feminina. Gostaria que não o condenassem eternamente ao ostracismo. Ele errou, todos erram, até as mulheres, os seres que mais perto chegam da perfeição. Peço piedade para e pelo bucéfalo. Aposto que a bronca que levou hoje está ressoando na mente dele, está em guerra com valores que até então ele ostentava e tinha como certos. Certamente, amanhã, o cara verá o mundo com outros olhos, será mais tolerante e, quando tiver um filho, verá que os embargos de se cuidar de um filho serão facilmente suplantados pela maior graça na vida de um homem: ser um pai participativo.

    Vivemos para aprender e procurarmos a felicidade. E a melhor forma de alcançarmos esse objetivo é vivendo, discutindo e criticando. Provocando o debate, fazendo pilhéria, tentando mudar o outro. Saber perdoar também ajuda, principalmente perdoar aqueles que têm uma língua, ou, adaptando-se à modernidade, dedos afiados e prontos para achar pêlo em ovo.

    Assim, seja em razão da ignorância alheia, seja pela sapiência de quem sabe perdoar, e lembrando que a blogueira teve razão, gostaria de pedir que não achincalhassem tanto o carinha.

    Por fim, gostaria de dizer que há pouco tempo atrás, pensava em ser pai solteiro. Queria dar um treinamento espartano ao meus filhos e escolher os nomes deles, rsrs. Sabia que minha mulher, a que fosse a mãe dos meus filhos, jamais concodaria. Mas hoje, cada vez mais, acredito que filhos sem uma mãe não teriam uma educação adequada, logo penso em aliar o regime militarista e responsável que quero transmitir para minha prole com a sensibilidade e sabedoria feminina =D

    Gostaria de agradecer a todos que leram esse texto até o final e dizer que sou muito bonzinho, embora prefira tecer críticas e arranjar falhas no que os outros escrevem, e que gosto deste blog e que gosto de assuntos femininos também, embora prefira futebol, história, mitologia, política, astronomia e games.

    Boa noite!

    • Bucéfalo? adorei.
      “Certamente, amanhã, o cara verá o mundo com outros olhos, será mais tolerante e, quando tiver um filho, verá que os embargos de se cuidar de um filho serão facilmente suplantados pela maior graça na vida de um homem: ser um pai participativo.”
      Ironizou néah?
      O homem em questão é um sem noção! valha me Deus…
      A maioria dos homens da minha geração são folgados!
      Mas quem educa os homens? nós, mulheres.

Só é um Buteco se tiver conversa! Vem, deixe seu comentário!

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