Amar demais e excesso de direitos

Ontem, depois de assistir à cena da confusão na apuração dos votos do Carnaval de São Paulo, depois dos comentários – imbecis – que apareceram no Twitter e o relato de um rapaz sobre a violência da polícia contra um bloco de Carnaval em Sampa, fiquei me questionando a respeito do mundo. (tá, filosófico demais) O mundo não é tão inocente, eu já devia ter aprendido.

Costumava-se dizer que pessoas más, ou imbecis, tinham sido mal-amadas por seus pais. Cheguei à conclusão de que não, não foram mal-amadas. É impossível que haja tanta gente que não ame seus filhos.

A maioria das pessoas foi, sim, amada por seus pais. Talvez até muito amadas. Acho que o problema, na verdade, é outro. Até é o mesmo, visto por outra perspectiva. Ama-se muito os filhos. E, talvez por amarem demais, os pais se perdem.

Paralelo a isso, uma sociedade que acredita ter muitos direitos (individuais) é altamente valorizada e cultivada – direitos esses desacompanhados dos deveres.

Sou absurdamente a favor dos direitos humanos – e dos animais e de todo ser vivo. Por outro lado, até que ponto temos direitos, será que alguém lembra que até a liberdade tem limite?

Se estamos em uma sociedade que acredita em direitos individuais – e não se preocupa com os coletivos – por que os pais, que amam tanto seus filhos, fariam diferente? “Meu filho terá direito a tudo o que eu não tive”.

Falta equilíbrio...

Quando o cidadão levanta, vai até o juri e rasga os envelopes; quando decide quebrar tudo ao seu redor; quando resolve dar a ordem de machucar; ou quando aperta um gatilho; o faz porque acredita ser um direito seu – seja para justificar sua raiva, seja para fazer sua vontade absurda.

Os pais costumam justificar os erros dos filhos deste modo – coitado, ‘tava triste; você precisa entender, ela ‘tá chateada. Ãhã. Aos poucos, criam-se pessoas incapazes não só de controlar a si mesmos, como de assumir seus erros.  “Putz, é verdade, fiz merda. Não tem justificativa. O que eu posso fazer para mudar/ajudar/me desculpar?” Fala rara, as pessoas se justificam, mas não assumem o que fazem.

Não vamos culpar só as mães dos infelizes do mundo. Nós, mães, erramos muito e sempre. Vamos culpar a todos nós – por incentivarmos e cultuarmos esse tipo de comportamento não nos outros, senão em nós mesmos.

A noção de coletivo ensinada aos nossos filhos diminuiria drasticamente o número de corruptos, pessoas violentas, gente ignorante.

Anúncios

11 pensamentos sobre “Amar demais e excesso de direitos

  1. É verdade… Acredito que os pais hoje em dia tentam suprir a falta deles com coisas materiais… E isso estraga a população do futuro que são crianças de hoje. As pessoas não pensam em se desculpar (e também não adianta, melhor não fazer, né). Não existe respeito ao próximo… Não há equilíbrio…. Concordo com vocÊ.

    Beijocas
    Carol

  2. Hoje a sociedade está discutindo os direitos fundamentais de terceira geração, difusos, coletivos e individuais homogêneos. São direitos relativos ao meio ambiente, ao consumidor, ao patrimônio público e a tantos outros que interessam à coletividade. Tais direitos são tão importantes quanto os individuais e sociais e a maioria das pessoas têm ciência disso.

    A sociedade que vc pintou aqui, individualista, há muito tempo vem sendo questionada e perdendo força. Nossa Constituição e nosso novo Código Civil é uma prova disso, o fortalecimento da democracia é um exemplo disso, o enfraquecimento do paternalismo é um indicativo disso.

    Querer culpar as mães e os pais por vandalismo é dar uma importância muito grande ao papel de mãe e pai, é querer dar aos mimos que idiotizam uma pessoa, carga axiológica maior do que merece. As pessoas não são só influencidas apenas pelos pais e mães, mas por um conjunto de interações físicas, químicas e sociais. Além disso, possuem livre-árbitro e são, muitas vezes, levadas pelas paixões.

    Existem, outrossim, pessoas de péssima índole, cujo senso coletivo só entra na mente quando nos valemos de um processo de lobotomia. São aqueles que chamamos de psicopatas.

    Não há como atribuir a uma educação individualista no âmbito doméstico os problemas da sociedade. Isso é reducionismo. Na minha família e em muitas outras o indivudualismo e a complacência com erros jamais foram toleradas e se erramos, pagamos cada moeda, com juros, correção monetária, honorários advocatícios, perdas e danos e por litigância de má-fé, conforme o caso, obviamente, rs.

    • Olá, Adonis!
      Hoje, coincidentemente, encontrei essa reportagem que ilustra um pouco do discutíamos. Como alguém que estudou e trabalha com educação, acredito que, enquanto não houver participação maior da família na educação, não há como mudar este país. As pessoas que lutam por um país melhor, com certeza, foram motivadas por uma família que o apoiava. Em suma, a reportagem indica o que defendo. Se você quiser, posso lhe mandar alguns links de papers e teses sobre o assunto – assim, não ficamos somente com o conteúdo Google e passamos para os trabalhos científicos.
      http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/familia-e-educacao-410005.shtml
      Abraço.

  3. Sr Adonis, vossa Excelência, será que entendera o texto? Acredito que a família como celula mater tem responsabilidade muito grande e sem medo de errar, criamos nossos filhos para a sociedade, o que ele faz em casa, fará na sociedade. Vejo mães defendendo filhos que infringem regras no colégio, como se o filho fossem os certos e as professoras erradas. Tudo está as avessas na maioria das famílias que possuem moral elastica. Sejamos firmes com filhos através de bons exemplos e faremos um mundo muito melhor.

    • A família como célula mater é coisa do passado, coisa de católico, puritano e conservador. Um pensamento reinante na sociedade machista, patriarcal e limitada de um século atrás. O ser humano tem várias vertentes e várias influências como disse, resumidamente, no comentário acima. Não é só a família que o influência como queria o texto inaugural da autora e como vc teima em também querer dizer. Não é só porque a blogueira é sua amiguinha que vc precisa concordar com tudo o que ela diz. Em suma, só quis abaixar a bola de quem acha que é responsável por tudo o que os filhos fazem e se tornam, porque não é. E sinta-se feliz por isso.

      • Adonis:
        Não me incomodo nenhum pouco que você não goste dos meus posts, não me incomodo com suas críticas. Adoro discussões e provocações. Cada um tem a sua opinião e isso é ótimo.
        A partir do momento que você resolve vir até aqui e se dar o trabalho de ser mal-educado com uma leitora, eu me incomodo.
        A sua opinião enriquece a discussão, faz com que todos tenham que pensar no diferente. Entretanto, se você usar esse espaço somente para fazer acusações vazias, você passa a ser contraditório com o que diz.
        Se vivemos em uma sociedade de direito, logo, as pessoas têm direito a escreverem o que quiserem, mesmo que seja distinto daquilo que acredita.
        Ao invés de se dar ao trabalho de responder cada “amiguinha” minha, invista no seu blog, coloque textos profundos (ou rasos, como quiser) sobre esses assuntos que você acredita ser tão pertinentes. Pode ter certeza de que atrairá leitores que pensam como você e isso será ótimo.
        Se o ambiente familiar o incomoda, não crie uma família. Por outro lado, não venha a um blog – que você considera tão fútil, mas marcou presença firme nos últimos dias – dedicado ao mundo feminino, ao pensamento sobre a maternidade, a uma visão de mundo talvez diferente da sua.
        Outro ponto é você acreditar que, por escrever sobre maternidade, mulheres, cuidar da casa, eu seja fútil. Se você quiser, te envio meu currículo e poderemos discutir sociologia, política, literatura ou outro ponto do seu interesse. Aqui, venho para relaxar, para ser livre e não para dissertar sobre qualquer ponto acadêmico.
        Gostaria muito que essa discussão se encerrasse por aqui. Caso você continue com comentários infelizes sobre as pessoas que frequentam este Buteco, pretendo bloquear seus comentários. Melhor seria se, ao invés de discussões imaturas, pudéssemos discutir, numa boa, quais são mesmo os males da sociedade, que tipo de comportamento, então, devemos valorizar ou outras coisas do tipo – sem ser agressivo, sem ser ofensivo. Apenas sendo politizado, como você mesmo diz defender.
        Obrigada.

  4. Sr Adonis e Sra Sofia, não senti nem um pouco ofendida. Interessante mesmo a visão de Sr. Adonis, embora não concorde com o todo. Concordo que a personalidade de cada indivíduo, embora receba muitas influências positivas da família, possa eventualmente ser desvirtuada para o mal caratismo, mas acredito piamente que isso não é a regra e sim a exceção. bjos e me ligue.
    AH, só uma coisinha: não sou amiguinha ainda da dona do Buteco, encontrei esse blogue por acaso e adorei. tinha favoritado há uns dias e só agora tive tempo de ler alguns textos, vice?

  5. Eu não disse que não gosto de seus posts, não os chamei de fúteis e nunca os critiquei, com espírito exclusivamente destrutivo.

    Confesso que por vezes sou mal educado e dominado pelo espírito emulativo, mas isso só ocorre porque me empolgo nos debates. Deveria se sentir lisonjeada e não aborrecida com minha presença. Não é em qualquer lugar que sinto vontade de discutir.

    Confesso também que entrei neste blog para ver se havia umas garotas para conhecer – faz um mês que não tenho mais pezinhos femininos bonitinhos e pequeninhos para beijar. Não sabia que se tratava de um espaço reservado para mães e mulheres casadas. Mas eu gosto desse espaço, embora ache a temática um pouco estranha – não no sentido pejorativo, mas no sentido de que é o primeiro contato com este mundo que vc alinhava.

    Um dia, ou em vários, considerando como caminharam os meus pretéritos namoros, rs, vou casar, ter filhos e todas as questões discutidas no seu blog virão à tona. Ao ler seu blog por algum tempo, estarei preparado e terei paciência para encarar esses desafios.

    Não quero ver seu currículo. É um mero pedaço de papel destinado ao mercado de trabalho que não diz nada sobre vc. Aliás, eu odeio o mercado de trabalho nos moldes atual. Ele é desagradável, cansativo e limitativo. Acaba com a principal diferença entre humanos e animais: a capacidade de trabalhar e criar, com isso, algo.

    Faz com que as pessoas, em sua maioria, fujam dele.

    Bom, mudando de assunto, em uma sociedade de direito as pessoas têm, efetivamente, direito de escrever o que quiserem, mas isso não exclui a possibilidade de serem questionadas e contrariadas. As relações sociais são dialéticas e não unilaterais.

    Se vc quer que as pessoas simplesmente emitam um parecer, sem qualquer possibilidade de repercussão, ou que concordem com tudo o que senhora escreve, como aqueles homens capachos que comentam aqui (brincadeirinha), ou que escrevam comentários fofinhos e politicamente corretos, mas sem qualquer profundidade, vou embora e nunca mais volto.

    Mas como não quero ir embora, por enquanto, prometo assistir Ursinhos Carinhosos antes de cá escrever, rs. Assim, meus textos ficam menos desagradáveis, eu acho.
    Sei que vc é onipotente, onisciente e onipresente aqui no blog, e que pode instalar regras de censuras e não admitir quaisquer questionamentos, como se fosse uma Big Sister, e apesar de me comprometer a melhorar meu comportamento, peço que vc tenha um pouco de paciência comigo.

    Quanto aos meus blogs, eu não os criei. Foram presentes de uma fã. Não tenho muito tempo para escrever, mas vou mantê-los. Escreverei aos poucos e sem compromisso. Além disso, não gosto de textículos. Quero fazer excertos grandes e bem elaborados. E também não gosto de pessoas que pensam como eu. Eu quero barraco! Rusga. Ardis. Fundamentação. Celeuma e etc… Paixão e guerra, em outras palavras.
    Mas isso é só uma utopia… Ninguém gosta do que eu gosto. Aquilo lá, meus blogs, serve para mim mesmo.

    E a Micheline não se sentiu ofendida =) Ela é minha amiguinha agora 😀 E vc não kkkkkkk

    Quanto ao seu link ele se circunscreve ao campo da educação. Quem disse que quem tem educação não rouba, mata ou desvia dinheiro público? Eu estudei com tanta gente da alta sociedade, estudei com tantos alunos da USP, trabalho com tanta gente com sólida formação humana, e posso te assegurar que educação não é sinônimo de bom caráter e de certeza que uma sociedade será justa e igualitária. É apenas um indicativo. Vide a Alemanha nazista ou a União Soviética ou mesmo a China atualmente, que mata milhares de pessoas por dia.

    Além disso, em que pese todo o esforço dos pais e avós coreanas, onde estão mesmo as melhores universidades do mundo? EUA e Europa. Essas sociedades, e não só no campo da educação, são mais avançadas, porque mais equilibradas e flexíveis. Garantem liberdade e estão abertas a novas ideias.

    De outra banda, os melhores países para se morar ainda são os escandinavos e o Canadá. São as sociedades mais evoluídas, principalmente para as mulheres.

    Em suma é isso.

  6. Sofia, eu acredito que a família influencia sim, o que ensinamos e fazemos dentro de casa pode moldar a personalidade sim e fazer a diferença na sociedade. Vejo tbém que muitos irmãos que são criados juntos e do mesmo modo, tem atitudes diferentes e formas de diferentes de interagir com os outros é tudo muito complexo…
    Vejo que muita gente quer só os seus direitos e sua própria vontade e o resto que se dane… pensamento individualista e egoísta…Acho q falei demais e ñ falei nada,rsrsrsrsrsr…
    Bjs!!!!

  7. “e posso te assegurar que educação não é sinônimo de bom caráter e de certeza que uma sociedade será justa e igualitária.”

    É, o Adônis é a prova viva disso mesmo que ele falou *rs*

Só é um Buteco se tiver conversa! Vem, deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s