A Revolução dos Brinquedos: o excesso, o cuidado e as dúvidas

Brinquedos demais

Como a maior parte das crianças de hoje, meu filho tem (ou tinha) muitos brinquedos. Quando digo muitos, significa uns quatro cestos cheios, além daqueles que ficam na pequena estante. Eu sempre achei um exagero, não porque não ache bom brincar muito, mas pela falta de zelo e pelo consumismo em excesso.

Meu marido é filho único e, consequentemente, meu pequeno é o único neto. Por isso, meu sogro, vô apaixonado que é, chegou a dar um brinquedo novo por semana.

A Aninha vai ficar furiosa comigo! (Aninha é uma pessoa que me chamou de louca neste post aqui e acabou representando meu superego – como falei hoje aqui).

Em setembro do ano passado, revoltada com a falta de cuidado com as próprias coisas, depois de várias tentativas de ensiná-lo a cuidar e preocupada com o consumo exagerado, proibi presentes fora de época – Natal, Dia das Crianças, aniversário.

-*-

Preciso fazer uma pausa e explicar o que é a “falta de cuidado” para não ser injusta com o mocinho.

Quando digo que o pequeno não cuida e quebra seus brinquedos, não significa que ele o faz de modo destrutivo e proposital. Ele é daquele tipo que

“uuuuuááááááááá´, poim, pluft, tow, você está caindo, amigo, ôôôôô, pow, ploft…. OPS!”

Sabe o menininho que senta e fica horas com seus hominhos pulando e lutando? É esse. Às vezes (muitas vezes), esses pulos são fortes demais e os brinquedos não resistem, coitados!

Outro fator importante é que ele ama desmontar todos os brinquedos. Ele monta, desmonta, cansa e perdem-se várias pecinhas pela casa (e já era mais um brinquedo).

-*-

De setembro para cá, com Dia das Crianças, Natal e aniversário, já doamos pelo menos uns cinco ou seis sacos grandes de brinquedos. É interessante, porque ele nunca fica chateado. Nós conversamos e, juntos, separamos quais serão os brinquedos que irão para aqueles que não tem nenhum (né, mamãe?).

Depois de várias tentativas e estratégias, ele melhorou um pouco. Eu cheguei, inclusive, a dar voz aos seres inanimados e dizer que eles iam passar uma temporada fora até que a mãozinha voltasse a ser carinhosa, já que, como em Toy Story, os brinquedos não gostam de crianças que os destroem.

Tudo isso para explicar o que ocorreu nessas férias de julho. A mãozinha voltou a ser agressiva.

Pouco antes, a professora nos chamou para contar o que acontecia lá (e aqui também): agitação em excesso.

Como já disse em outros posts, ele está em uma escola Waldorf. A ideia é que “menos é mais”. Nós concordamos absolutamente. Muitos brinquedos, muito desenho, muito tudo deixam a criança bem agitada – por que será que existem tantos casos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)?

Outra vez, sentamo-nos e separamos mais brinquedos para a doação. Eu deixei duas caixas de brinquedinhos, a mesa gigante de massinha, o navio, o submarino e outros brinquedos que ele ama. Entretanto, ele continuou quebrando, continuou com uma agressividade absurda – gente, eu sei que ele é menino, não quero transformá-lo em menina, mas não quero criar um ogro.

Avisei: se quebrar mais um, vou guardar todos os seus brinquedos e você vai ficar com um só. Em quinze dias era o aniversário dele e eu sabia que chegariam mais ainda. Não deu outra: todos os brinquedos foram parar em cima do armário do escritório. Ele aceitou, escolheu o brinquedo. Depois trocou e aí ganhou presentes de aniversário.

Onde quero chegar?

O que eu quero dizer é que as crianças não precisam de tantos brinquedos quanto se acredita – elas precisam de muita imaginação, um espaço (mesmo que mínimo) para brincar e alguns poucos brinquedos.

O favorito da brincadeira de hoje: Thomas e seus amigos

Surpreendentemente, ele não ficou me pedindo o tempo todo pelos brinquedos exilados. No aniversário, ele ganhou poucas coisas, já que não fiz festa (aqui), três ou quatro, para falar a verdade. Vez ou outra, ele vem aqui no escritório e me pergunta quando poderá ter os brinquedos de novo. Como a mãozinha ainda agita vez ou outra, e como eu estou curtindo essa ideia de ele brincar melhor com menos, o exílio continua.

Se eu fico cheia de dúvidas se estou agindo corretamente? Fico. Não dá para ter certeza absoluta de que isso vai dar certo sempre. Mas está dando certo agora. Ontem, na saída da escola, a professora disse que o sentiu muito mais tranquilo nessa volta às aulas. Talvez, seja um bom sinal. Ainda assim, eu acredito que não devo voltar com todos os brinquedos de uma vez só…

5 pensamentos sobre “A Revolução dos Brinquedos: o excesso, o cuidado e as dúvidas

  1. Diminuí a compra de brinquedos aqui pq notei que com muito coisa Helena(1a e 8m) nem tem tempo de explorar o brinquedo direito. Sempre fica a dúvida: será que não estou exagerando? Mas, como disse vc, acho que por enquanto tá dando certo.

  2. Gente, eu tenho medo é de mim e do meu marido, pela Catarina! A gente não sabe o que fazer pra entretê-la, é móbile, é outro móbile, é pelúcia, é cadeirinha de balanço, é tv no canal bem colorido de desenho, e ela só tem um mês e meio de vida!! Acho que a gente tá meio maluco achando que precisa inventar coisas pra ela não se entendiar mas ela tem o mundo inteiro pra ver ainda, TUDO pra descobrir… Temos que parar de descarregar nossas incertezas e ansiedade como novos pais em compras de brinquedos pra ela, já!

  3. Fico desesperada com tanto brinquedo, por isso qdo quero presentear a Cecília compro um livro. Nada caro, mas lúdico. E ela adora e lê pro irmão, que tb tomou gosto pelos danados. Os brinquedos mesmo só ocupam espaço. ótimo post! bjus

  4. Eu descobri em um post do blog da Anne, que vc mesma indicou (virei fã dela, como virei fã do seu blog), que há um lugar para ALUGAR os brinquedos!!! Isso! Vc aluga, eles brincam até perderem o interesse, e depois vc troca o brinquedo, e o interesse se renova!!! Vale à pena dar uma olhadinha!
    O post: http://www.superduper.com.br/2011/07/nao-quero-ter-quero-usar.html
    E o local onde ela aluga: http://clubedobrinquedo.com.br/
    Beijos!

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