As várias vozes no cuidado do meu bebê

Ontem, estávamos eu, meu pequeno de 4 anos e minha pequena de 2 meses em um restaurante natural tomando um açaí. Quando a garçonete nos trouxe o pedido, Nina estava linda, calma e sorridente em sua cadeirinha. “Ai, que linda! Como ela é sorridente e tranquila”, disse a moça. Entretanto, na hora de trazer a conta, a bebezinha, já cansada, começava a ranhetar e reclamar. “Acho que ela está com fome”, opinou a garçonete. Educadamente, respondi em tom de criança: “É que eu tô cansada, por isso que tô chorando.” – só para esclarecer, eu tinha acabado de amamentar, além de conhecer os sinais da minha filha. A moça, ao invés de sorrir e ficar quieta, insistiu: “É fome, né, mamãe, eu tô com muita fome.”

PQP. Primeiro, por que todo choro de bebês é visto como fome? Segundo, por que as pessoas insistem em dizer – mesmo que educadamente – para você, mãe, o que o SEU filho tem? Terceiro, por que, mesmo quando você responde, elas insistem em dizer o contrário.

Tá bom, é bem lógico que a gente deveria ignorar. Mas mãe é um ser inseguro (eu sou, pelo menos) e qualquer opinião passa a ser um germezinho em nossa mente fértil. No fim, quando começamos a pensar demais no que as pessoas insistem e no que a gente lê em todo lugar, passamos a duvidar se estamos fazendo certo ou não.

Enquanto escuto o choro da minha pequena, várias vozes falam dentro de mim: “É fome, dá o peito”, “Ela tá cansada”, “Ela gosta de ser ninada assim-assado”, “Ela tá brava porque você fez isso (e aí vem aquele momento em que a deixou no carrinho e você se sentiu culpada”. Tantas vozes, mas tantas, que, muitas vezes, eu preciso gritar internamente um “Chega!”.

Acontece que eu sou sistemática e tenho dentro de mim um plano mental de como devo cuidar do meu bebê – escrevi sobre isso aqui. É a minha necessidade inúltil de controlar tudo ao meu redor – como contou muito bem a Chicória, do Chicória e Chicorinha, em “Vício em controlar“. Quando estou tranquila com as decisões que tomo, tudo parece ficar bem, principalmente o cuidado da minha pequena. Quando começo a dar ouvidos a essas vozes internas, tudo fica confuso para mim. Não sei mais distinguir o choro dela, não tenho mais certeza se estou amamentando corretamente, não sei se estou sendo rígida demais com meu filho mais velho.

Por que, então, escutar a garçonete? Por que deixar a voz de alguém que não conheço invadir meu espaço interno? Quando alguém que conhecemos nos fala com amor a sua opinião, tudo fica mais fácil: nós conversamos e não há interferência nas vozes da minha cabeça (aloka).

Acho que mais do que ser uma boa mãe, temos é que sentir-nos tranquilas com as decisões que tomamos – mesmo que seja preciso mudá-las quando percebemos as nossas falhas – ao invés de ficar escutando nossos fantasmas internos.

6 pensamentos sobre “As várias vozes no cuidado do meu bebê

  1. Rs, também estou rindo por aqui, Sofia. É impressionante, acho que as mães são todas iguais e os ‘entendidos’ também. Todo mundo quer adivinhar o que tem o bebê, deve ser uma espécie de passatempo pras pessoas…

    Você mesma disse que somos as melhores mães que podemos ser, em alguns dos seus posts anteriores, então estou me apegando a isso para confiar em mim mesma. Acho que entender um filho é uma arte que se aprende com tempo e muita observação, e é claro que vai haver erros e acertos até chegarmos lá…

    Bjs!

  2. Sempre que eu leio essas histórias fico pensando como vai ser na minha vez… quantas vezes vou ter que contar até 1000… Porque fora dos desconhecidos, tem os palpites CONHECIDOS (marido, mãe, sogra…) nó que medo!

  3. Oi, Sofia,
    Nossa, como é difícil manter a “fleuma” nesses casos! As Motherns aconselhavam assim: “O melhor a fazer, para não ficar louca, é ativar um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro”.! kkkkk (Ainda vou escrever um post sobre esse maravilhoso mecanismo suplementar kkkkk)
    Um beijo,
    Marusia

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