A distância entre nossos filhos e os noticiários de TV

A gente sempre vê notícias muito tristes na televisão, na internet, nos jornais. E sempre acha que tudo aquilo que acontece está bem distante do nosso “home sweet home”, sem se dar conta de que há, sim, uma ligação entre eles. Aquelas pessoas que estão ali, querendo ou não, já foram lindos bebês nos colos de suas mães. Então, fica a questão: “Como chegaram até ali?”

Na verdade, quando temos nossos pequeninos nos braços ninguém pensa que devemos educar nossos bebês. Por que educar um bebê? O que isso significa? Primeiro, como diz o ditado, educação vem do berço – na minha opinião, literalmente. Segundo, porque não adianta querer colher pêssegos se foi plantado tamarindo… Educar desde bebê significa vivenciar valores humanos no dia-a-dia, ser exemplo, pensar no que se faz e no que se diz. É bem óbvio que ninguém está falando para colocar o recém-nascido de castigo porque ele não obedeceu e chorou de cólica… Mas demonstrar respeito, amor e, quando mais velho um pouquinho, colocar limites.

Se a gente parar pra pensar nos valores que a sociedade de modo geral tem mostrado, fica até irritado. Há uma valorização absurda de consumo. As crianças são sobrecarregadas com tantas coisas: brinquedos, estímulos, acesso a coisas muitas vezes voltadas para adultos… E os pais, sedentos por querer dar tudo aos filhos, não param para pensar: O que é bonito hoje, aos 3 anos, será bonito aos 18? Porque uma criança mandona, que grita com 3 anos, provavelmente, fará o mesmo aos 15, aos 18… A gente acaba permitindo muito quando eles são pequenos e bochechudinhos e, depois, não consegue controlar os adolescentes. Na minha (modesta) opinião, excesso de proteção, falta de limites na primeira infância é um caminho certo para adultos sem caráter, que não sabem lidar com o mundo e a realidade.

Tudo isso não significa que as crianças se tornarão bandidos, de modo nenhum. Mas, provavelmente, serão indiferentes à realidade, muitas vezes, cruel. Alguns, cheios de posse e de arrogância, passam a ser violentos – e chutar, espancar, bater – por aí por causa dessa insatisfação interna, falta de amor caloroso e muita valorização de que “sou especial e o mundo é inferior”. Outros, com pouco ou quase nada de posses, sentem a necessidade de se ter as coisas (materiais) que se dizem essenciais para sermos “melhores”. Em ambos os casos, há os problemas com o vício e suas consequências. Há muito mais questões do que essas, não tô aqui para discutir os aspectos antropológicos, sociológicos, psicológicos das questões de riqueza, pobreza, corrupção…

Acredito que, ao decidir ter um filho, as mães deveriam se perguntar: por que eu quero colocar mais uma pessoa no mundo? O que ela significará no meio onde viverá? Será apenas mais um? Ou fará a diferença, levará o amor para aqueles que o rodeiam?

Enquanto acharmos que o que se passa de triste na mídia não tem nada a ver conosco e continuarmos vivendo nossa vida egoistinha, o mundo permanecerá sempre o mesmo.

Eu não tenho meios de ir à Brasília mudar leis, eu não me tornei presidente, nem uma grande personagem que inspira o mundo. Mas eu me tornei mãe e isso pode ser muito mais poderoso, porque meus filhos podem, sim, ser aqueles que fazem a diferença e nos ajudam a vivermos em um lugar melhor.

P.S.: Por favor, isso não significa que vou educar meus filhos de modo que eles criem a expectativa de serem super e, depois, frustrarem-se por serem normais. Apenas vou educá-los de modo que tenham caráter e que não queiram ser nenhum imbecil nesse mundo…

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3 pensamentos sobre “A distância entre nossos filhos e os noticiários de TV

  1. Ótimo texto, mais uma vez. Temos mesmo que assumir nossa responsabilidade como pais e mães de educar para formar cidadãos, ao invés de simplesmente acusar o resto do mundo por ser do jeito que é. Fazer a nossa parte mesmo. Ontem estava pensando nisso, quando a minha filha nascer sei que ela será para nós um tesouro, a rainha da casa, e acho que é aí que muitos pais se perdem, pois precisam criar aquela pessoinha pra enfrentar um mundo no qual ela vai ser só ‘mais uma’, precisando ter equilíbrio, bom senso e valores que lhe tragam segurança tanto individualmente como membro da sociedade.

  2. Perfeito!
    Concordo com você, limites faz parte da formação de um cidadão com bom caráter. Eles precisam aprender a nos obedecer, saber que tem coisas que se eles fizerem errado terão que arcar com as consequencias.
    MEu filho tem 1 ano e 5 meses, já coloco vários limites, não pra tudo, mas coisas que machucam, ferem, desrespeitam ele sabe que não me agrada e quando faz vem me pedir desculpas dando um abraço e um beijo.
    Me derreto por dentro, porque sei que ele tá aprendendo direitinho, e fico muito feliz com isso!!!!

    Muito legal seu post, quem dera que mais pessoas pensassem assim, viu!

    Beijos

  3. Pingback: O problema e o medo dos traumas « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

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