Amamentação: ato de amor, ato de superação

A cena é linda: a mãe, sentada em um banco de um parque, sob a luz suave do sol da manhã, sorri enquanto amamenta seu filho. Poético. Mal sabemos nós o quanto pode ter sido difícil para que ela chegasse até ali. Amamentar, mais do que um ato de amor – como se costuma dizer – pode ser também um ato de superação.

Quando nasceu meu filho mais velho, quase 4 anos atrás, eu imaginava que amamentá-lo talvez não seria muito fácil por causa do formato dos meus mamilos – pseudo-invertidos. De fato, não foi. Além das características dos meus seios, meu filho era um daqueles pequenos preguiçosos, não abocanhava direito, tinha preguiça de sugar. Conclusão: eu não tinha muito leite, ele não estava ganhando peso suficiente – entramos com a fórmula para complementar e, aos poucos, ele estava deixando de pegar o peito.

Quando ele tinha 3 semanas, achei que estava fazendo tudo errado. Para resolver, chamei uma moça que trabalha com parto humanizado e puerpério daqui da minha cidade (a Helena, do Despertar do Parto). Ela me mostrou que a prega não estava certa, também em como usar uma sonda para fazer com que o pequeno aprendesse a sugar mais e meu peito produzisse mais leite – esta técnica chama-se Relactação e eu encontrei um post sobre isso aqui. De modo que, dali em diante, amamentar ficou mais fácil.

Nessa época, usei a famosa concha de amamentação. Ela me ajudou muito: não só a proteger meu bico, que estava rachado, como também a formar o bico – já que ele é pseudo-invertido – ajudando-o a ser projetado para fora. Tomar banho de luz ajudou com as rachaduras – eu usava um abajur com lâmpada 40 Wats, já que moro em apartamento. Usei também a pomada de lanolina. Enfim, tudo foi usado e tudo deu certo.

Quando fiquei grávida de novo, eu imaginava que seria muito mais fácil. Meus seios estariam mais calejados, eu tenho mais experiência, enfim, teria tudo para dar certo. A minha expectativa era muito alta. O que eu não contava – e deveria ter contado – era com um bebê totalmente diferente do primeiro. Minha filha nasceu sabendo sugar. Ainda na maternidade, ela sugava com tanta força e fazia a boquinha na prega do peito tão certinho, que imaginávamos que seria um sucesso absoluto essa fase.

Justamente por causa desta boquinha tão apetitosa, meu leite desceu muito rápido e em grande quantidade, o que fez com que empedrasse. Por causa também desta boquinha, por ela ser tão forte, meus mamilos racharam. Não, não foi por causa de uma prega errada… O mamilo invertido, ao ser projetado, machucou-se e, a cada mamada, ficava mais ferido – é o próprio processo de calejar… Conclusão: dois, três dias depois de chegar da maternidade, eu não conseguia amamentar sem (muita) dor. Tudo o que eu – supostamente – sabia não estava me servindo mais.

Quando a pequena estava com 10 dias, eu precisava do meu marido ao meu lado para conseguir amamentá-la (como contei aqui). Decidi, então, ir até o Banco de Leite Humano dos Hospital das Clínicas. Lá, elas desempedraram, tiraram um pouco do leite, colocaram a pequena para mamar e ver o que havia de errado. “Mas ela pega a prega certinho”, “Nossa, realmente, ela suga muito bem” foram as frases que escutei – e já sabia. Uma das informações importantes que elas me deram é que a concha – que eu estava usando para corrigir os mamilos – pressionava um dos ductos, fazendo com que ele ficasse entupido e inflamado. A concha, minha solução anterior, foi meu problema atual. Conclusão: ir até lá me ajudou muito e aprendi a tirar um pouco do leite quando empedra.

Entretanto, não resolveu. Meu peito continuava a doer muito no momento da amamentação. Resolvi dar um descanso ao mais machucado, tirando o leite e dando em um copinho para a pequena. Mais uma vez, me enganei. Ao tirar o leite, acabei mandando a informação para o cérebro de que era para produzir mais leite. O bico que estava melhor acabou mais machucado por causa da quantidade. Eu estava, mais uma vez, com ambos os seios machucados, empedrados, doloridos.

No final de semana, tudo o que eu queria, era desistir. De sábado para domingo, eu não dormi direito, só consegui dar o leite no copinho e passei o dia nervosa, chorando, porque eu realmente não aguentava mais sentir dor e queria desistir – como eu queria. Sem comer direito, sem dormir direito, sentindo dor e culpa, não há ser humano que não fique em estilhaços. Resolvi ir até o hospital para ver se havia alguém que pudesse me ajudar. Sei lá, me indicasse uma pomada milagrosa (e que pudesse ser usada na amamentação), tivesse uma varinha mágica e curasse meus seios – eu só não podia continuar daquele jeito. É lógico que eu não encontrei nada disso, mas quase. Lá, uma enfermeira foi chamada para me ajudar e, durante mais de 1 hora, ela sentou-se ao meu lado, acompanhou a nenê mamando, desempedrou todo meu leite e, o mais importante, me acalmou… Estando mais tranquila, eu sentia menos dor e conseguia pensar melhor.

Desde que voltei de lá, há quase três dias, meus seios só melhoraram. Descobri que existem duas medidas realmente eficientes para melhorar o peito dolorido: luz várias vezes ao dia e desempedrar após cada mamada – ou antes se estiver muito dolorido – mas, cuidado, é só para tirar aqueles pontos mais doloridos e não esvaziar a mama – como eu tinha feito antes.

É lógico que a gente sabe da importância da amamentação. A gente sabe o quão importante é em vários sentidos, dos biológicos,

fisiológicos aos emocionais e psicológicos. Entretanto, após passar por tanta dor, não dá para julgar uma mãe somente porque ela desistiu. É dor e cada uma sabe seu próprio limite. Pensei até um ditado alterado “Rachadura no peito da outra é refresco”. Porque é fácil a gente julgar, difícil mesmo é manter a sanidade quando tem que sentir dor a cada duas, três horas por vários dias seguidos.

A boa notícia é que dá para ter esperança. Minha pequenucha está mamando normalmente e a dor está diminuindo cada vez mais e substancialmente. Não dá para dizer que é fácil ou somente que “vai passar”. Na verdade, a gente tem que pensar que a gente vai superar essa fase.

6 pensamentos sobre “Amamentação: ato de amor, ato de superação

  1. Boa tarde!
    Tbm tenho um baby de 04 meses que se chama Jaime.Ele mama mt , maais mt mesmo desde do dia que nasceu é o meu segundo filho tbm,da primeira não foi assim.
    Do Jaime tenho mais leite e mais dedicação, após cada mamada eu passava o proprio leite do peito e esperava secar para me vestir, tbm tomava sol e colocava luz, isso me ajudou mt meus seios não racharam.
    Amamentar requer mt dedicação, amor, paciência e ter conciênciada importancia do leite materno na vida dos pequenos.
    Boa sorte para vc e mts felicidades a Sofia é mt linda.
    Uma abraço

  2. Essa dor é muito forte mesmo, tantas mulheres falam da dor do parto (que não senti por fazer cesárea e nem mesmo da cesárea que pra mim foi muito tranquilo) mas o que senti mesmo foi essa dor da amamentação.

    Mas acho que tudo vale a pena por nossos filhotes crescerem fortes e saudáveis.

    Bjos

    Elaina #amigacomenta
    http://www.vidademae.net/

  3. Aii eu lembro como essa primeira fase é dolorida. Acho que demais, as vezes parece que não vai passar nunca.
    Ainda bem que existem os Bancos de Leite e nos dão as devidas informações, eles também me ajudaram muito.
    Acho que isso é o mais importante, antes de desistir procurar ajuda e informação facilita a decidsão.

    Beijos

    Karin

  4. Pingback: A dor do desmame « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

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