Entre os defeitos e a melhor qualidade do marido

Pode ser que nem todas as mulheres casadas, mas a maioria – e eu me incluo neste grupo – adora enumerar os defeitos do marido. Dependendo do foco dado, pode parecer ter sido um erro o casamento. Ele não faz isso, ele não faz aquilo, ele só faz isso, ele só faz aquilo. A mãe dele blábláblá, a irmã, o pai, o cachorro. Marido tem mesmo um monte de defeito. Mas a gente casa e escolhe continuar casada – meio sem explicação, mas #fato.

Eu sou bocuda que só eu mesma… já disse isso aqui antes, minha mãe sempre me disse também. Vira e mexe, reclamo do meu bem.

Nos últimos dias, na minha recuperação pós-parto, entretanto, aconteceu algo muito, muito legal. E eu, como deve agir um bom ser humano, devo reconhecer e dizer ao mundo como às vezes a gente fica prestando atenção nos defeitos e esquece as qualidades daqueles que nos acompanham.

A amamentação sempre foi importante para mim. Eu sofri um pouco no começo com o mais velho, sofri um bocado quando o leite secou e fiz questão de amamentar esta pequena rebenta que me chegou há quinze dias. Entretanto, eu não contava com o fator de que ela teria uma sucção beeeem mais forte que a do irmão e que, por isso, desceria muito mais leite e os meus bicos rachassem absurdamente mais. A conclusão é que faz 15 dias que amamentar, a cada 2, 3 horas, é uma sessão de tortura (tá, melhorou um pouco de domingo pra hoje). Conforme aquela boquinha linda em forma de coração vem chegando perto do meu mamilo, eu vou respirando fundo e me afastando. Nunca, mas nunca mesmo, senti tanta dor. Não é algo controlável, ela pega o peito, as lágrimas pulam do meu rosto e o grito simplesmente explode… Algumas vezes, isso é melhor, algumas, pior. No direito é mais fácil, no esquerdo, mais difícil.

Diferentemente de quando o Cauê nasceu – e aí vem o elogio -, meu marido se compadeceu da situação e a cada mamada, ele senta ao meu lado e me dá a mão para que eu a aperte o mais forte possível, se não, ele massageia meus pés enquanto eu choro. Se eu hesito em amamentá-la, ele está ali para me dar força e me apoiar, compartilhar a dor.

Maridos podem ter vários defeitos. Bebem, não bebem; transam, não transam; traem, não traem; ajudam, não ajudam. Mas a qualidade de estar ao seu lado no momento em que vc sente a maior dor da sua vida é algo essencial, vital. Se não fosse este homem, não sei se já não teria desistido, porque vê-lo ali, querendo sentir a dor que eu sinto, me dá mais vontade de tentar e tentar de novo, porque eu sei que, se eu fraquejar, ele não vai me julgar; porque eu sei que ele quer o melhor para mim e sabe o quanto a amamentação pra mim e, por isso, o quanto é importante ele estar ali.

Querido, marido amado, é por praxe que a gente reclama, perdoe-me, por favor. Mas gostaria de agradecer publicamente por tudo que vc tem feito nos últimos dias. Você é um ser humano único, especial, com um caráter inabalável e um coração gigantesco. Sou uma mulher grata ao universo por tê-lo encontrado e sou mais grata ainda por você me escolher para estar ao seu lado. Obrigada por tudo.

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16 pensamentos sobre “Entre os defeitos e a melhor qualidade do marido

  1. Chorei agora lendo o seu relato, ele me fez voltar a 1 ano e 7 meses atrás, aconteceu exatamente isso comigo, era bem assim, Elena ia chegando perto e eu ia me afastando e quando ela pegava o seio eu dava um grito e chorava…. e se não fosse o apoio do Roger, acho que desistiria, sofri muito, mas resisti, o apoio foi fundamental e consegui amamentar até que ela não quisesse mais, amamentei até ela ter 1 ano! E tenho saudades!

  2. Querida amiga e querido amigo,
    Eu vim ler esse post e acabei chorando no meio do escritório. Choro de emoção e de alegria por poder participar de um momento tão lindo como esse e por compartilhar tamanha beleza.
    Eu não poderia imaginar essa cena sem Igor ao seu lado, comadre. Ele é, sim, um homem de grande caráter e que se doa pelo outro. Isso é visível para nós, que estamos de fora do casamento. E eu também, publicamente, digo que isso é nobre.
    Parabéns, meu caro, por dar apoio a sua esposa que gera e alimenta a luz do mundo, seus filhos.

    • Gente voces querem me fud…estou com os olhos cheio de la…(homem não chora)!Faço apenas aquilo que tenho certeza faria por mim.

      Ps: Glau, sou seu fã por tudo e obrigado pelo elogio!

      • É por isso e por mais coisas ainda que somos fãs do Igor!!! Dá-lhe, querido genro!! Melhor, só se fosse sãopaulino, Uhuuu!!

  3. OI, Linda,
    ainda não te dei os parabéns pela filhinha! A esses, somo os parabéns ao papai pelo companherismo e a vc por compartilhar sua gratidão.
    Guenta firme que já já a amamentação fica mais tranquila. (Meus filhos também pareciam uns aspiradorezinhos de pó, a enfermeira que furou a orelha da menininha ficou DE CARA com o poder de sucção daquela coisinha cor-de-rosinha!)
    Beijo Grande!
    Marusia

  4. Oi Sô,
    Fiquei emocionada ao ler o que você escreveu. Lindo o gesto do Igor e mais lindo ainda o seu ao agradecê-lo publicamento.
    Parabéns a vocês!!!
    Um grande beijo.
    MStela
    PS: Tenho visto as fotos da Catarina. Ela é muito fofa!!
    PS2: Sua mãe foi quem me indicou seu blog.

  5. Pingback: Amamentação: ato de amor, ato de superação « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

  6. Soft, adorei o post e é claro…chorei…
    Eu sei o que está sentindo,pois foi assim da minha 1ª filha,mal de mulher,rsrsrs do Daniel o 2º foi tranquilo…
    Eu chorava e ñ deixava que ninguém mexesse com ela,para que ñ acordasse para mamar,era muita dor…até que uma amiga falou para eu colocar as cascas do mamão e da banana,nenhuma pomada deu jeito,mas isso deu…só que outro dia um médico falou que pode dar fungos,bem em mim não deu nada…
    Bem,parabéns pelo maridão, o meu tbém foi de grande ajuda neste momento,por isso chorei,lembrei de tudo isso,afinal a Su já tem 10 anos…Que Deus abençoe sua família…e nós somos faladeiras mesmo…`
    Não gosto de falar mal do maridão,mas às vezes quando todas estão falando mal entro na onda, para ninguém ficar de olho nele,kkkkkkBjs mil,flor!

  7. Que lindo!!
    Não tem nem palavras para descrever a minha emoção ao ler seu post…

    Lindo.

    Parabéns para vc e para o marido. Felicidades infinitas para a família toda!!!
    Bjos.

  8. Sei bem como é… fiz um post essa semana exatamente sobre isso. Essa dor parece insuportável, mas graças a Deus ela passa! No meu caso demorou 3 meses…mas passou.

    E fico muito feliz ao ver maridos ajudando nessa nossa jornada pois não é fácil.

    Elogie mesmo seu marido pois ele merece! Meu marido tb é assim, mas a maioria nem sequer se importa e isso é muito triste.

    Parabéns à vcs dois!

    Bjs

    Elaina #amigacomenta
    http://www.vidademae.net/

  9. Amei esse post! Reclamamos por praxe mesmo e pq é dicertido tb…kkkkkk Vc me fez pensar que apaesar de td meu marido tá merecendo um agradinho. Principalmente após se oferecer pra ficar á noite com a pequena para eu poder ir a uns desfiles que queria.Vou lançar o “vale elogio”…rsrsr Beijos.

  10. Nossa, que declaração!!!! Tb chorei quando li. Como eu reclamo do meu e muitas vezes esqueço de dizer o quanto ele é maravilhoso. Obrigada por abrir meus olhos. Hj mesmo quanto ele chegar vou dizer o quanto ele é maravilhoso!!!

  11. Pingback: A dor do desmame « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

  12. Nossa, depois de ler isso, vou demorar mais um dez anos para casar, rsrsrs. Não sei do que mulher tanto reclama. Se transa reclama, se não transa reclama, se ajuda reclama, se não ajuda reclama. Parece que pouco se importa com o sentimento do parceiro. Eu sou tão sossegado… Acho que eu não mereço isso: reclamação diária e só às vezes, ou melhor, raramente, um elogio.

    Preciso adquirir mais paciência para tanto.

    Além disso, preciso me conformar com a ideia de ser visto apenas como uma pessoa que DEVE estar ao lado da mulher sempre que ela precisar, como se eu não tivesse fraqueza ou necessidade de ser amparado também. Como se só a mulher fosse o centro do universo e só ela passasse por percalços, dores e frustrações. Não sei de onde vem tanto egocentrismo. A maioria dos textos escritos por mulheres são sempre tão unilaterais e invariavelmente abordam a temática feminina. Dificilmente são imparciais e abarcam ambos os sexos. Eu nunca me identifico neles, aliás, sempre me sinto excluído e colocado em uma condição de inferioridade – não que eu não goste, rsrs, mas o excesso e a falta de bom senso coletiva cansa.

    E ainda falam em igualdade…

    Às vezes me sinto até inocente perto de uma mulher. Não sabia que era assim, não sabia que eu deveria ser apenas um apoio para ela, como Atlas é para o Firmamento.

    Acreditar que elas amam foi a pior tolice que cometi. Um dia elas te amam, fazem juras de amor, cobram reciprocidade e se fazem de vítimas, noutro falam que nada está bom e que só querem amizade e então somem – vai embora e não volte mais mal agradecida!

    Nunca mais acredito no amor de uma mulher, saberei que ela está comigo apenas por conveniência. Obrigado por me mostrar isso.

    Boa noite!

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