A dor do parto antes do nascimento – eu e minhas “bandeiras”

Quando tudo o que a gente acredita e defende torna-se mais pesado do que a gente pode carregar, quanto devemos nos massacrar por isso?

 

Eu já falei sobre esse meu problema aqui – As verdades absolutas -, mas, apesar de já ter pensado muito sobre isso, deslizei novamente.

Há pouco mais de um ano, descobri que, sim, era possível ter um parto normal depois de uma cesariana, como meu antigo obstetra havia prometido e o seguinte, negado. Comecei a ler muitas coisas a respeito do parto natural, dos benefícios do parto normal, dos malefícios da cesariana. Quando engravidei, procurei uma médica que também acreditasse nisso e fosse até o fim com essa ideia.

Passei todos esses últimos nove meses planejando, lendo, tirando dúvidas, tentando saber exatamente como seria e fazendo o que estava ao meu alcance para que o parto seja normal. Li muito, fiz plano de parto (um exemplo é este aqui), o qual levei para a médica e para o hospital (ambos ainda não tinham tido contato ainda com um – e aceitaram muito bem), discuti no curso de gestante, convenci todas as minhas amigas e família de que cesariana é a pior escolha de todas e etc.

Eu só não contava com um detalhe: a demora para minha filha nascer. Eu estou com praticamente 41 semanas e nada da bonita aparecer aqui fora. Tá, eu sei, a maioria dos partos normais ocorre entre a 40a e 41a semana. Tá, eu sei, é assim mesmo. Mas na minha cabeça louca, extremamente planejadora e controladora, eu tinha comigo que a bonita ia nascer com 39 semanas.

Com 37, comecei a sentir as primeiras contrações. Desde lá, elas não pararam. Alguns corpos têm a facilidade de evoluir para o parto. O meu, não. Minha irmã não teve dor nenhuma até completar as 40 semanas, dia em que meu sobrinho nasceu. Minhas amigas que tiveram parto normal pareceram ter algo muito mais rápido e tranquilo. Era isso que eu esperava para mim mesma: uma evolução rápida e serena.

Entretanto, não é isso que está acontecendo. A cada semana que passa, a cada pergunta que escuto sobre o nascimento da pequena, mais eu me sinto aflita por ainda não ter dado certo. Para ajudar, como qualquer grávida a essa altura do campeonato, estou enorme, pesada, mau-humorada, não consigo dormir muito, não consigo comer muito, não consigo nada muito, porque tudo cansa, tudo me deixa brava e etc. Eu realmente gostaria de estar disposta, feliz, bem-humorada, mas isso vai além da minha capacidade.

Como carregar, então, a bandeira do parto mais natural possível? Sim, podem preparar a cruz as extremistas, estou quase desistindo… Toda semana, quem me convence a esperar mais um pouco, quem me lembra do quanto eu sonhei por este momento, são minha amada médica e minha linda enfermeira obstétrica (e amiga). De verdade? Não consigo mais raciocinar sobre o que é ideal. O que realmente é ideal a esta altura do campeonato? Sabe, é ótimo pensarmos em todas as vantagens do parto natural, é lindo quando somos pessoas tranquilas, seguras, fortes. Eu não. De verdade, estou dizendo isso chorando, mas é fato, sou fraca, não sou tão forte, porque tenho que me convencer todos os dias para esperar mais um pouquinho.

E se eu chegar lá no fim – daqui uma semana – e não tiver conseguido? Como vou lidar com minha frustração de uma segunda cesariana? A ignorância, às vezes, é uma benção e o silêncio, feito de ouro… Teria sido melhor se eu não tivesse levantado bandeira nenhuma, esperado quieta, sem criar tanta ansiedade, sem fazer tantos planos.

Não quero que pensem que, de uma hora para outra, deixei de ver o quão benéfico é um parto natural. Mas passei a acreditar que mais benéfico ainda é uma mãe e um bebê felizes e saudáveis. Sim, não importa muito como foi o parto, mas como a mãe estava ao receber seu pequeno pacotinho. Sim, a gente deve lutar para que haja um número menor de procedimentos padrões, valorizando mais as relações humanas, mas dentro disso, também temos que valorizar e respeitar o que é possível para cada mãezinha. Porque, querendo ou não, nós mães somos, antes de tudo, seres humanos.

10 pensamentos sobre “A dor do parto antes do nascimento – eu e minhas “bandeiras”

  1. AMIGA QUERIDA, que vontade de ir aí te dar um abraço apertado!

    Tô com você pro que der e vier, quem já passou por isso sabe! Venha como vier essa pequena vai ser amada e querida. E verdade seja dita, quero ver a carinha dela logo. Então a SUA decisão cabe a você, sem satisfação a ninguém e sem (mais) combrança. Você já se cobra demais, a gente bem sabe disso.

    E já vou logo avisando às extremistas que quiserem te crucificar, pensem 2 vezes que eu boto pra correr hein?!

    BEIJO ENORME E ABRAÇO ESMAGADOR na mãe e na filha!

  2. Olha, cada mulher sabe o limite do seu corpo, se vc achar que não dá, tira o bb e carrega logo no colo… não ligue para a opinião negativa de outra mulheres ( pir…. não é delas e o corpo tb não ), vc é grandinha e sabe melhor q ninguém da sua vida!
    No mais muita saúde, paz e tranquilidade!

  3. Olá, Sofia!
    Olha eu acho que você tem todo, todo o direito de mudar de idéia diante das circunstâncias. Você teve suas razões para defender o parto normal e tentá-lo ao máximo (inclusive eu imaginei que você já tivesse tido o bebê) mas as variáveis se modificaram, oras, o que você pode fazer? Ninguém vai te julgar nem te condenar por isso, pelo menos não alguém que tenha sensibilidade e bom senso.
    Eu já decidi uma coisa, espero o parto normal até a 40a semana. Passou disso vou agendar a cesária. No meu caso, porque tenho pavor, simplesmente pavor, do bebê passar do tempo na barriga. Não quero correr nenhum risco.
    E no seu caso acho sim que mais vale a mãe com bom humor e disposição para cuidar do baby do que sofrendo como você está.
    Um beijo e sinta-se livre para seguir o caminho que sua intuição mandar!

  4. Oi Sofia,

    Pela primeira vez entro no seu blog e me deparo com uma situação idêntica a que passei há um ano e três meses atrás.

    Vou te falar sobre a MINHA experiência e espero que você não me entenda mal.
    Eu também fiz tudo isso que você fez, cheguei a 40 semanas, minha bolsa estourou e eu passei 4 dias em trabalho de parto sem um único centímetro de dilatação. Não tinha doula nem nada, só um médico muito a favor do PN então estava só por mim mesma.
    Fiz TUDO que me mandaram fazer pra ajudar no trabalho de parto: caminhei, fiquei de cócoras (por horas), comi pimenta, fiz sexo, caminhei mais, fui pra piscina e nesses 4 dias não conseguia dormir, nem comer, nem pensar direito porque tinha muitas contrações e sentia muita dor… no meio desses 4 dias ainda tive uma briga feia na família, meus parentes me ligavam de 5 em 5 minutos pra falar que eu era louca, que estava colocando a minha vida e a vida do bebê em risco, pra eu ir logo pro hospital e “tirar” o bebê da barriga assassina.

    Sinceramente eu fechei os ouvidos pra tudo isso, trabalhava dentro da minha mente os meus objetivos. Fui ao hospital várias vezes pra monitorar a situação, não fiz nenhuma loucura, mas esperei e fiz tudo que pude pra conseguir parir.
    No final do quarto dia eu já não tinha mais forças, já estava podre de cansada, liguei pro meu médico e pedi pela cesárea. Ele seguiu meu plano de parto dentro do possível e eu me senti MUITO mal de entregar os pontos.
    Durante a cirurgia eu só chorava, vomitei várias vezes e me sentia triste e invadida, mas tinha a certeza que fui até onde pude e até onde aguentei.
    Vou te dizer sinceramente que a frustração não passa! E acho que só passaria se um dia eu de fato conseguisse parir um bebê porque é algo que sonhava muito, mas não passa mesmo.
    Com o tempo fica menos latente, mas sempre que pensar ou falar no assunto você vai achar que deveria ter tentado ou aguentado um pouco mais…e ser mãe é isso mesmo, é culpa né?!

    De qualquer jeito só queria te mostrar o que passei para que você tente avaliar de alguma maneira se vai ou não esperar…

    Espero que tenha mais ajudado do que atrapalhado.

    Boa hora, muita saúde e muito leite pra vocês.

    Beijos!

  5. Oi Sofia! Nem imagino a sua ansiedade, nem mesmo… Mas sei q mtas vezes nada sai como o planejado… Minha mãe nunca teve dilatação suficiente, eu nasci de cesariana. Na segunda gravidez, de risco, do meu irmão, ela não poderia arriscar de jeito nenhum parto normal (não lembro direito por que, mas tinha a ver com o quadro clínico do meu irmão) e não é que o bonito resolver aparecer no sétimo mês e nem aguardou o anestesista? Sim, foi parto normal (após a minha cesariana) sem nenhuma anestesia e ele sobreviveu!!!😀 Foi um susto, tudo fora dos planos e hoje ele é um jovem forte e saudável. Assim como a sua Catarina será, do jeito que ele tiver que sair… Mas como pessoa ansiosa que sou te compreendo em tudo – ansiedade, mal humor – só que não nessa situação!
    Um beijo grande!

  6. Eu não tinha certeza de que daria conta de um PN. Queria, mas sou sincera, digo mesmo que não sabia se daria conta. Então o plano era: esperar entrar em TP e daí pra frente decidir o que fazer. Esperei, esperei e esperei. Completei 41 semanas e nada de Alice querer nascer. Durante a gestação eu cheguei a ter um quadro de pré-diabetes gestacional, coisa que corrigi a tempo. Mesmo assim, minha médica olhou pra mim e disse: sabe que não podemos esperar mais, não é? Eu concordei e marcamos para o dia seguinte.

    Ainda tenho uma pequena frustração por não saber o que é entrar em TP. Mas confesso que isso não me afeta não, penso muito pouco sobre isso.

    Se vc acredita e quer de verdade, vai fundo!! Mas se não der, tenta seguir em frente, do melhor jeito que vc puder. Com a consciência de que vc fez o possível!

    Beijos
    Tati

  7. Olá, é minha primeira visita aqui e meu Deus como me identifiquei contigo, sou mãe de primeira viagem e desde que pensei em ter filhos levantes essa bandeira, levei uma gestação tranquila certa de que ia parir natural e lindamente, até chegar as 35 semanas quando tudo foi ficando difícil, meu bebê grande, meu corpo pequeno, inchada, cansada, estressada, com 37 semanas tive uma crise nervosa que fez o meu marido me chamar pra conversar e propor que conversássemos com a GO sobre uma cesárea.
    Enfim, postei sobre isso no meu blog, tive meu filhote dia 01 de março através de uma cesárea marcada e carregando todas as frustrações do mundo pelo parto normal que não aconteceu mas tranquila por não carregar o estress e o cansaço para o nascimento do meu filho e hoje não faz diferença como ele veio ao mundo e sim o fato de que tenho um bebê gorduchinho, lindo e calmo do meu lado e eu consegui mesmo com ele em casa desancar mais do que naquele fim de gestação.

  8. Olhe, tente relaxar e não se culpar tanto. Tenho duas amigas que sonhavam com o parto natural, assim como você, e tentaram até o último instante, mas não conseguiram. Uma delas passou mal, foi para o hospital e por questões de segurança e saúde não pode tentar o PN. A outra aguentou firme até quase a 42º semana, mas na consulta semanal com a GO, ficou sabendo que o líquido estava diminuindo e poderia ser arriscado esperar mais. Ambas de certa forma se frustraram, mas não se culparam, pois entenderam que naquele momento o melhor seria estarem bem com seus bebês no colo e cheios de saúde.
    Não sei se acredita em Deus ou tem fé em algo. Se sim, ore. Ele te dará a força necessária para seguir seu caminho, seja qual for, e estará contigo sempre.
    Um abraço carinhoso! E um parto abençoado!

  9. OI, Sofia!
    Depois de muita Ioga, caminhada, curso pré-natal e tudo mais, tive que fazer uma cesárea no parto do meu primogênito, que estava em sofrimento às 40 semanas. Chorei muito, mas como tinha escolhido o médico mais natureba de Brasília, confiei plenamente nele. Na segunda gestação, fiz de tudo para ter normal. Até massagem de períneo. A bolsa estourou em plena lua cheia e fiquei feliz da vida. Mas, novamente, entrei na faca, porque o trabalho de parto não evoluiu. Minha nenê nasceu “idosa”: enorme, com unhas gigantes, enrugadinha e coberta por uma “pele” que descamou por muitos meses. O terceiro, eu já não tinha opção, mas também esperei a bolsa romper.
    Sabe? É claro que preferia ter tido os três de parto normal. Podem dizer o que quiser, até porque minha recuperação foi DIFICÍLIMA nos três casos. Mas me acalmo e fico feliz, pensando que se eu fosse uma índia no meio no mato teria morrido logo na primeira vez.
    Agradeço meu médico, que fez cursos com as mestres parteiras do Nordeste, é perito em parto de cócoras sem episio e sem analgesia e deve ser um dos obstetras com o maior número de horas-voo de parto normal do País. Pois ele viu a necessidade e possibilitou que hoje fôssemos uma família.
    Um beijo,
    ouça seu coração e fique tranquila!
    Marusia

  10. Agora entendi porque você esteve tanto tempo fora!!!
    Acho que quem acompanha seu blog na grande maioria é mãe e então entendem completamente o seu sentimento.
    Assim como você eu realmente idealizei um parto natural, humanizado e talx.
    Mas confesso que no final, quando todo mundo ficava me questionando sobre o nascimento do meu filho, eu já estava ficando maluca, e penso que essa é a pior parte, você como mãe até espera o tempo do seu filho, mas a sociedade tem uma neura tão grande que parece que seu filho tem que nascer pra ontem. Que raiva que isso me dava.

    No final das contas você realmente tem que estar em paz com as suas decisões, não acho que NINGUÉM é digno de dizer que você trocou de bandeira… sabe, não tem nada haver, seu filho não vai ser menos amado por causa do tipo de parto que você escolheu.
    Fica em paz minha flor, o que importa é o seu bem estar e do filho que você está carregando, não se culpe por não ter um parto do jeito que você sonhou. O mais importante é a saúde. Você sabe como é passar por uma cesariana, então vai se sair bem dessa também.
    Não tem problema nenhum em mudar de opinião! Tenha consciencia disso… não interessa o que as pessoas vão falar, pensa em você e nessa coisa linda que vai vir ao mundo muito em breve!!!

    Que Deus ilumine sua hora!!!

    Beijos
    e muitaaaa saúde!!!

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