A mãe que posso ser

Já há algum tempo, gostaria de escrever sobre “a mãe que eu posso/consigo ser”, mas a ideia nunca tinha sido materializada. Hoje, li um texto e passei por uma situação que me trouxeram até aqui.

A Glau, do Blog Coisa de Mãe, escreveu hoje um post maravilhoso sobre isso, tendo como foco o jeito de uma mãe ser – “Amor demais não faz mal” trata de como algumas pessoas condenam a cama compartilhada, tendo como argumento de que isso pode deixar as crianças inseguras.

Mais tarde, visitei uma amiga que acabou de ter seu segundo bebê. A pequena tem quatro dias e o mais velho, 1 ano e meio. Acredito que a experiência do segundo filho seja realmente diferente, principalmente porque vc precisa lidar com outra criança além do recém-nascido. Lá, com a pequena no colo e o pequeno correndo de um lado para o outro, senti a quantidade de cobrança, de jeitos, sugestões e etc.  do que devia ou não ser feito.

As duas vivências me trouxeram à memória (bem viva por sinal) as minhas questões sobre “o jeito certo de ser mãe”.

Antes de parir, a gente cria, internamente, um monte de expectativas e regras do que será a experiência com um bebê, um filho, a criação. Entretanto, quando eles nos chegam nos braços, percebemos quão distante estávamos da realidade e ficamos inseguras. Quando meu filho nasceu, eu trazia comigo vários modelos de mãe ideal que eu gostaria de ser. E percebi que eu não conseguiria ser nenhuma delas.

O primeiro ano do meu filho foi um dos mais difíceis da minha vida. Havia tantos jeitos de se cuidar de um bebê: jeito certo de amamentar, cama compartilhada (ou não), rotina (ou não), livre demanda de amamentação (ou não). Para tudo o que você decidir fazer, haverá a turma do sim e a do não.

Como se não bastasse a cobrança interna da própria mãe, muitas pessoas que estão ao nosso redor – baseadas em suas experiências, inseguranças, sentimentos – passam a opinar sobre o que você está fazendo. “Olha, não é assim que se amamenta”, “Ah, quando você era pequena, não foi tão difícil”, “Eu nunca fiz isso para meu filho e ele é uma pessoa maravilhosa”… por aí vai. Ninguém faz isso por maldade, faz porque acha certo e quer compartilhar, quer que a mãe tenha uma experiência menos sofrida.

Entretanto, o peso que essas “sugestões” pode ter para uma mãe (e sua enorme carga de culpa, porque, aqui entre nós, parece que ser mãe é sentir-se culpada) é enorme. Quer dizer, as pessoas falam e a gente fica mais angustiada, porque cada um fala uma coisa e a impressão que se tem é que estamos sempre erradas.

Eu demorei muito para chegar a essa conclusão: NÃO EXISTE JEITO CERTO DE SER MÃE (como disse a Glau mais cedo)! Nós somos – e sempre seremos – a mãe que podemos ser, vamos fazer o melhor possível. Nem sempre o melhor de mim é o melhor para o outro. Eu posso ser assim. O mais legal não é nem isso: é que nós somos a melhor mãe possível para os nossos filhos. Nossos filhos têm a mãe que podem ter. Não estou querendo apoiar as loucas que jogam e maltratam suas crianças. Estou falando de nós: você, eu, ela. Nós somos assim, temos esse jeito, acreditamos nessas coisas. E pronto. Não me venha me fazer sentir culpa por eu não ser de outro jeito. Se precisar melhorar, mudar, eu vou. Mas não me diga o que é certo ou errado – deixa eu descobrir! Não me venha dizer como ser a mãe do MEU filho…

Algumas mães acreditam que a cama compartilhada é importante, outras não. E daí? Nem uma, nem a outra devem ser julgadas. Algumas mãe não estabelecem rotinas para seus filhos, outras são rígidas demais. Há a livre demanda e há o peito a cada certa quantidade de tempo. Ninguém está errada. Cada uma saberá sentir o que faz mais sentido para ela. Nós sabemos que, quando precisa, perguntamos. Sim, eu vou perguntar se eu perceber que há algo errado.

Agora, queridas amigas mamães, por favor. Cada uma tem um jeito de tratar seu próprio filho. Você pode não querer fazer o mesmo com o seu, mas julgar a outra, apontar, condenar, fazer comentários querendo dizer de como a outra está errada é muita, muita sacanagem. Deixe espaço para que ela pergunte a sua opinião, mas não faça uma mãe se sentir mal por ela ser diferente de você, não é mesmo?

Na verdade, na verdade mesmo (tá, pra mim), é que não faz a menor diferença a quantidade de comida que a mãe põe na colher, o modo como ela organiza a alimentação ou o sono. Nós não temos muitas certezas do que fará aquela criança um adulto feliz, realizado. A gente sabe que cada um tem as suas dificuldade e vai descobrir um jeito de seguir adiante. Não dá para afirmar com certeza de que a criança que dorme com a mãe é insegura e a que tem muitas regras é topada. Mas, isso sim, podemos afirmar que cada mãe constrói um laço com seu próprio filho e quanto mais segura ela estiver, mais felizes os dois estarão.

Afinal de contas, duvidar da capacidade de uma mulher ser mãe (dar conta do recado) é como duvidar da virilidade de um homem.

20 pensamentos sobre “A mãe que posso ser

  1. Mais um ótimo texto… Tenho pensado muito nisso, não há um único caminho a ser seguido, e muitos deles podem chegar à formação de um filho decente, independente, feliz… Preciso me policiar pra não julgar as pessoas pela minha própria cartilha!

  2. muito bem amiga, concordo plenamente e ainda não vejo a hora de te encontrar para dividirmos experiências e matarmos a saudade! Vc é ótima Sô! bjux enorme no coração!

  3. Não sou mãe, mas acho que essa questão é como todas as outras. A grande diferença é que, quando mexe com a cria, a mãe não fica quieta.
    Mas, se refletirmos, assim é com seu trabalho, com seu namoro, com seu casamento e tudo mais. Todo mundo adora olhar para fora antes de olhar para dentro.
    Bom é poder falar de você o do outro para discutir o que é melhor para você e sua família e não para mostrar como você é melhor. Por isso adoro nossas reuniões “lulus”, acho que conseguimos nos autocriticar sem brigas de egos. Isso nos faz crescer como pessoas.
    Grande beijo, amiga.

  4. Olá! Meu lema é: “Estou fazendo o melhor que posso de acordo com a pessoa que sou hoje nesse exato momento.”. E é assim que eu tenho vivido nos últimos 8 anos, desde que meus trigêmeos nasceram. Sou daquelas mães que sempre tem espaço na cama para os três, às vezes é duro, porque já são grandes, mas tento contornar aqui e ali. Se tivesse manual e receitas a seguir seria mais fácil, mas não tem. Eu vou pelo meu instinto e penso sempre, como disse antes, estou fazendo o meu melhor.
    Eu concordo contigo, ñão temos que julgar! Às vezes sinto que a internet gerou competição de mãe!É preciso sempre saber porque escrevemos nos nossos blogs para não se perder. Acho importante o intercâmbio e as dicas de todas as mães, mas elas servem como dicas mesmo, algo que você vai escutar e adaptar ao seu dia a dia. Às vezes acaba numa discussão infrutífera e desavenças desnecessárias. Se eu peco é por amor em demasia!
    Beijos,Aline

  5. Vc està certissima So, cada mae sabe o que è melhor para o seu filho, e cada experiencia è unica, eu sempre me lembro de uma frase que meu pai me disse quando eu o criticava por ter educado a minha irma diferente (jà que ela è a problematica da familia).
    Ele entao me respondeu:
    – nao se faz um curso para ser pai.
    Aprendemos vivendo e tambem errando, o importante è dar o melhor de nòs sem tanta cobrança, sei que sò assim podemos fazer nossos filhos felizes.
    beijos no coraçao.

  6. Oi Sofia, parabéns pela iniciativa. Existem várias ong’s que trabalham a questão da primeira infância, mas poucas se aprofundam em questões de sensibilidade materna de modo direto. Sucesso!

  7. Gostei muito do texto. Sofri muito nos 4 primeiros meses da minha pequena, depois … dei o grito de liberdade das opiniões alheias. Deu certo.
    Minha filha hj tem 4 anos (completa 5 em abril) e estamos muito felizes.

    Bjo
    Adorei o Blog

  8. Concordo profundamente contigo! Fiz um post sobre isso também, aliás, acho que já fiz vários. Pra que a gente perde tempo avaliando que tipo de mãe é a outra? Pra mim já me bastam os questionamentos de que tipo de mãe eu sou! kkkk

    Beijos!

  9. É por essas e outras q eu criei o “Eu sou sua mãe”. É tanta opinião que a gente ouve, faz assim, faz assado, olha esse menino vai ficar mimado, olha não pode dar mto peito pq ele vai ficar obeso. Olha se ele ficar no colo nunca mais vai te deixar em paz.

    Tudo entra por um ouvido, e sai por outro. Eu cansei! Eu sou a mãe dele poxa!Eu é que sei.

    Eu sigo mto meu coração pra cuidar do meu filho, mas é óbvio q só coração e intuição tbm não dá! EU leio mto, mas MUITOOOOOOO mesmo sobre bebês, principalmente nas questões de saúde. Ele está com 6 meses nunca precisou ir ao médico e nem ficou doente, é uma criança saudável, feliz e principalmente MUITO AMADA. Tem suas rotinas q tbm foi alvo de crítica, nos adaptamos a ele e ela a nós! Somos uma família feliz exatamente do jeito q somos, respeitando as necessidades de nosso filho a cada dia!

    As pessoas precisam lembrar: Cada um é mãe ou pai de seu próprio filhos. Deus nos deu filhos para cada um cuidar do seu! hahahahhaha

  10. Ótimo post! Objetivo, sincero e honesto!
    Quando meu filho nasceu, ouvia de tudo “Faz um chá p/esse menino que a cólica passa.” “Tem que colocar a faixinha no umbigo p/não ficar saltado.” “Ele tá com frio, não tá vendo que está soluçando??” Enfim, essas e outras lições de como cuidar de meu próprio filho sempre me incomodaram profundamente… Mas eu ouvia calmamente e filtrava as informações. Assim como faço com matérias que vejo em revistas sobre criança, por exemplo. Somos mães e conhecemos nossos filhos como ninguém! Quem melhor do que a mãe p/ saber se essa ou aquela dica se aplica à personalidade e aos hábitos de seu filho? Como você disse: Não me venha dizer como ser a mãe do MEU filho…

    Bjs,
    Dani

  11. “Mas, isso sim, podemos afirmar que cada mãe constrói um laço com seu próprio filho e quanto mais segura ela estiver, mais felizes os dois estarão”.
    Você fechou com chave de ouro.Também concordo que opniões são, ás vezes, interessantes. Ouço todas de coração aberto porém não sigo a maioria. E me sinto segura com isso.
    Só vivenciando para poder dizer o quanto e difícil e gratificante.
    Estou amando a nova fase.
    Beijos
    Mariana Sampaio

  12. Primeira vez aqui, adorei o nome do seu blog. Tudo a ver!!!

    Concordo plenamente com o que você escreveu… nossa… quantas aflições uma mãe passa só por ficar ouvindo sem pedir a opinião dos outros.
    Você escreveu muito bem sobre todos os pensamentos de uma nova mãe ou recém mãe, não sei como descrever!!! Gostaria de todas as mães pudessem ler isso…
    E muito obrigada por tirar um tantinho da culpa das minhas costas..

    acho que faz parte da natureza da mãe tentar ser perfeita!!!

    Obrigada!!

    Beijos
    Karin

  13. Lindo post! Não tenho filhos, mas tenho experiência em criar irmãos e acho muito doloroso achar o tom correto do educar com firmeza e amor. Dói ser firme, manter a palavra, colocar regras e limites, mas é uma dor de amor, certo? Você está totalmente certa, sempre tem alguém querendo te ensinar a educar, sempre tem um palpiteiro de plantão.

  14. Só hj entrei no seu blog e pude ler, adorei tudo vc é 10.
    Esse post ficou fantástico, serviu mt para mim que as vezes critico algumas amigas. Mas com certeza depois do que li aqui não farei mais isso.
    Parabéns pelo seu blog.
    Um abraço

  15. Pingback: Como cuido do meu bebê « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

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