Quem paga por nossas escolhas

O problema das nossas escolhas é que geralmente não somos os únicos a pagar por elas – principalmente quando se é mãe.

Outro dia fui ao cinema com uma amiga e minha mãe numa sessão mais tarde, às 23h. Queríamos ver a estreia de Harry Potter (sim, eu adoro), meu marido topou ficar com o pequenucho e achamos deliciosa a ideia de irmos ao cinema tão tarde para ver algo tão esperado. Quando fomos dormir, já era mais de duas horas da manhã.

No outro dia, adivinhem como fiquei… um bagaço, claro. É lógico que vários fatores contam para eu ficar tão cansada apenas por ir dormir tarde, já que eu não bebi, não dancei, não fiz nada demais. Acho que a gravidez é um deles. O fato é que eu estava tão cansada que às 11h da manhã meu marido me mandou tirar um cochilo, porque ele faria o almoço. O almoço não saiu: quando acordei, ele argumentou que ainda estavam sem fome e estavam me esperando. Fomos almoçar mais de duas horas da tarde. Meu domingo foi horrível, passei-o morrendo de preguiça, sem conseguir dar a menor atenção ao meu filhote. Meu marido passou-o jogando vídeo game e, depois, assistindo ao futebol. Quando me dei conta, já era tarde, não tinha janta e o Cauê estava desmaiando de sono, todo irritado. Assim que ele dormiu, fiquei pensando em como nossas escolhas atingem quem menos pode se defender.

Parei para pensar em várias decisões, nas várias vezes em que estou cansada de ser mãe (sim, sou humana e sinto isso) e quero pensar somente em mim mesma. Pensei no quanto eu trabalhava há pouco mais de um ano, focando somente na minha carreira, pensei em escolhas que fiz em função daquilo que eu gosto, sem pensar nos outros ao meu redor.

Eu sempre achei que o mundo tinha que entender essas escolhas e “pronto-acabou”. Não tinha percebido como as pequenas, principalmente, afetam alguém que está aqui porque fiz uma escolha – tê-lo – e ele não tem muitas opções além daquelas que eu tomar.

A gente bem sabe que toda mãe é filha de Deus e merece (deve) ter momentos somente dela. A gente precisa ser feliz para fazer os filhos felizes. Entretanto, acredito que, muitas vezes, principalmente hoje em dia, a gente fica fazendo escolhas para sermos felizes sem levar em conta se alguém está infeliz por isso.

Os pequenos ainda não conseguem tomar decisões por eles mesmos, não conseguem dizer que estão infelizes com a gente ou com a vida e todas as vezes que escolhemos sermos “felizes” independente deles, eles não podem fazer nada a não ser aceitar. Meu filho só come se eu puser comida no prato dele; só toma banho se eu o mandar para o chuveiro, só escova os dentes quando avisamos – ele tem apenas três anos. Feliz ou infelizmente, até uma certa idade, ele só tomará boas decisões se eu indicar o camiho e, para isso, eu preciso abrir mão da “minha felicidade” para tentar alcançar a “nossa felicidade”.

Acho que este é um assunto muito difícil e que mexe com todos. Ninguém deve ser julgado, mas nós devemos, sim, avaliarmos a nossa posição como mães (pais) e pensar o quanto fazemos nossos filhos felizes. Quando percebi isso, deixei de querer reclamar tanto das escolhas que tenho feito. Afinal de contas, em alguns anos, os filhos se vão e eu ficaria reclamando por tudo que não fiz…

P.S.: Não estou defendendo fazer todas as vontades dos filhos. Sou contra sermos servas dos pequenos. Estou falando apenas da disciplina que a vida exige das mães.

P.S.2: Também não estou defendendo abrirmos mão totalmente de quem somos para cuidar dos filhos, aos modos de antigamente. Por favor, não, depois, quando os filhos se vão, as mães entram em depressão. É preciso que sejamos nós, cuidemos de nós, sejamos felizes, mas com limites (também)!

Um pensamento sobre “Quem paga por nossas escolhas

  1. Amigaaaa! Que muito real isso! Passei por uma experiência muito parecida nesta semana e pensei exatamento o que vc nos oferece neste post. Mas eu saí com uma amiga aqui na Alemanha … pela primeira vez sem o Ritsch … e blabla o resto vc já escreveu, tudo igual, próximo dia, tive sono … ressaca e preguiça de cuidar do meu pequeno! Porém não senti remorso nenhum, como esses momentos são muuuiiiitoooo raros e continuarão sendo por um bom tempo, preferi escolher a lembrança de que em alguns momentos não posso pensar na maternidade como uma obrigação que me prende e proíbe de viver situações inesperadas e que com certeza algum aprendizado trarão! Be happy! é mesmo o lema das mães! Os filhos não morrerão de fome com tanto amor que os oferecemos a cada segundo … e nem serão intoxicados se comerem uma “bobagem” pra matar a fome, etc … se a gente se dá o direito de estar cansada, ou triste, ou fraca raras vzs como fazemos!
    Obrigada pelo post Sô!
    Estamos voltando pro Brasil e quem sabe no comecinho de 2011 ainda vou te visitar! Já me alegro em pensar na possibilidade!
    grande bjux no coração!

Só é um Buteco se tiver conversa! Vem, deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s