Os verdadeiros culpados – ou “Os filhos e ‘A culpa é do Fidel'”

Hoje assisti ao filme “A culpa é do Fidel”. Aluguei-o por boas indicações, mas sem saber exatamente do que se tratava. Adorei. Achei-o fantástico. Trata-se de uma narrativa sobre uma pequena menina francesa que vê a ideologia socialista/comunista adentrar em sua casa através da vivência de seus pais no começo da década de 1970. A garotinha tenta entender porque os hábitos antigos foram mudados, questionando a tudo e a todos, inclusive a própria ideologia seguida por seus pais.

Não pretendo discutir política, história, sociologia ou qualquer coisa neste sentido.

Observando o filme e, ao mesmo tempo, meu filho de 3 anos sentado no chão, brincando à vontade, comecei a me questionar a respeito dos valores que transmitimos às gerações sequentes… Eu gosto tanto de oferecer conforto, qualidade, variedade, etc ao meu “garçon” (menino)… não dou tudo a ele, mas a gente sempre quer o melhor para os filhos. Entretanto, o que ofereço além de alimentação, conforto, educação escolar e objetos materiais? Qual é a ideologia que lhe transmito? Será que seremos uma “Simpson’s family” fútil? Tá bom, sei que não ofereço tanto a ele nem sou o tipo de pessoa que não transmite valor algum.

Ainda assim, o que vivemos? Qual é nossa rotina? Como é o mundo hoje? Parece não haver nada além de coisas virtuais e materiais. Parece que isso é a única coisa que se enxerga hoje em dia. E DEFINITIVAMENTE não é isso que gostaria que meus filhos vivenciassem.

Posso ser pretenciosa só um pouquinho? Posso fazer uma lista do que desejo para eles (e deles)? Sei que não sairão aos meus pedidos, mas fico pensando em quem serão e isso me preocupa muito.

  • Gostaria que meus filhos tivessem muita imaginação e conseguissem brincar longiquamente, sem necessariamente muitos brinquedos ao redor. – Para não ser como aquelas crianças que só sabem brincar se tiverem com um brinquedo (da última geração).
  • Gostaria que se interessassem por Arte (plásticas, música, literatura, etc), soubessem muito História, tivessem uma boa noção de Geografia. – Para nunca fazerem papel de “idiota” (fool) ou burro mesmo.
  • Gostaria que falassem outras línguas além do óbvio inglês. – Parece bobo, mas apenas nas Américas fala-se somente duas línguas (os americanos falam somente inglês!). Em outros países, mesmo na Europa, as pessoas dominam sua língua materna, o inglês e alguma outra língua ou dialeto. Quanto mais línguas se fala, maior é seu vocabulário e, como dizia uma professora da faculdade, “nós somos do tamanho de nosso vocabulário”.
  • Gostaria que conhecessem mais lugares e culturas no mundo do que eu conheci e sequer imagino que existam. – Assim, eles saberão que nunca se é o centro do universo e que o mundo é muito maior do que se pode enxergar.
  • Gostaria que fossem generosos, com uma leve ingenuidade e muita astúcia – podendo oferecer o necessário a quem precisa e não sendo passados para trás.
  • Gostaria que acreditassem em alguma coisa, seja Deus, Maomé ou o Amor ou somente o Universo, mas que tivessem fé de que há algo maior e que nos dá força.
  • Gostaria que acreditassem em si mesmos, sabendo que o que há de maior neste universo está também dentro deles – mas não gostaria que sua auto-estima fosse maior que sua humildade.

A dificuldade de se ensinar tudo isso é porque precisamos vivenciá-las, precisamos ser exemplos e encorajadores deste tipo de prática. Mesmo assim, não há garantias de que termos sucesso.

O que tudo isso tem a ver com o filme? Acho que relaciona-se muito mais à época. Lá, havia algo concreto para se lutar, as ideologias pareciam claras e as pessoas mais engajadas. Não quero discutir a necessidade (ou não) de ideologias ou lutas e bláblá. Apenas acho que poderíamos transmitir muito mais do que transmitimos. Para sermos os verdadeiros culpados por alguma coisa (boa, tomara).

4 pensamentos sobre “Os verdadeiros culpados – ou “Os filhos e ‘A culpa é do Fidel'”

  1. clap clap clap clap! (sou eu batendo palmas amiga – onomatopéia nunca foi meu forte) Enfim, gostei particularmente do desfecho, se a gente deseja algo para os filho, que sejamos exemplo. Vamos arregaçar as mangas então né?!

  2. Olá Sofia
    sou a mãe do Enzo que estava na classe do Cauê na escola.
    Parabéns pelo seu blog, compartilhamos os mesmos ideais… virei fã do seu blog (encontrei ele por acaso)

    Bjs

  3. Que tudo essa lista! e eu ousaria a colocar mais um item: Que eles zelassem pela saúde. Não ser xiita a ponto de deixar de curtir as coisas boas, mas q mantivessem bons hábitos, p evitar problemas futuros.
    Jokas da mi diiirce

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