Não Consigo x Não Quero

Parece até que eu vou falar das crianças e dos adolescentes, não é? Mas não… essa frase típica dos menores encaixa-se muito bem na rotina dos adultos, não é mesmo?

Fatos: não consigo levantar nada muito pesado. Não consigo correr metros em segundos. Não consigo alcançar prateleiras altas sem a ajuda de banquinhos/escadas. Não consigo colocar os pés nas orelhas… Todos esses exemplos mostram situações que, devido à natureza do meu corpo, são impossíveis de serem realizadas.

Do outro lado, está tudo aquilo que usamos a mesma frase: Não consigo ter tempo para mim mesma, não consigo fazer comida todos os dias, não consigo dar mais atenção a meu filho, não consigo parar com isso, não consigo começar aquilo.

A questão que estou tentando colocar é: quantas vezes usamos o “não consigo” como uma maneira de amenizar a verdadeira sentença que está por trás – o “não quero”? Será que eu realmente não consigo separar alguns minutinhos no meu dia que sejam somente para mim? Ou a verdade é que não quero trocar as coisas que estou fazendo (e que prefiro) por ficar fazendo “hora” no banheiro, na frente do espelho. Talvez eu não queira assumir que preciso me cuidar mais. Quando digo que “não consigo comer pouco” será que não estou querendo dizer, na verdade, que “não quero lidar com minha ansiedade, já que a comida me acalma”. Quantas vezes, a gente usa uma no lugar da outra?

Não acho que a gente deva ser o super sincero e, muitas vezes, bancar a mal-educada: “eu não quis ir a sua casa hoje”. Realmente, é melhor dizer que não conseguiu… para manter a amizade e não magoar ninguém.

O que acho (e é muito pessoal) é que talvez a gente pudesse assumir mais vezes, para nós mesmas, que o “não consigo” é somente uma máscara e que seria bom se, de vez em quando, nós tentássemos enfrentar o que essa máscara esconde. Não é lá muito fácil. E não significa que vamos conseguir superar a dificuldade encontrada. Acho que nem todas as dificuldades precisem ser enfrentadas de pronto, mas é muito bom colocá-las na lista do que um dia pretendemos fazer.

Ter mais consciência do que se passa internamente não vai fazer, necessariamente, com que nós mudemos de uma hora para outra. Entretanto, quando a gente sabe mais de si mesma, parece carregar menos peso, fazer as coisas com mais tranquilidade e menos ansiedade, não é mesmo?

3 pensamentos sobre “Não Consigo x Não Quero

  1. Aprendi o quanto é importante olhar para si mesmo. O mais importante para a mudança é mesmo a consciência, mas a gente precisa “querer” mudar para “conseguir” olhar para si e se enxergar, fazer uma auto-análise e se propor a fazer diferente. Eu acredito que a nossa mente é capaz de coisas incríveis, e que temos uma força interior que precisa ser cultivada todos os dias para enfrentar as dificuldades. Quando a gente esquece dessa força, sua chama vai rareando como uma vela que se apaga.

  2. Podemos tudo, desde que desejamos verdadeiramente. A vida tem me mostrado, que somos autores de boa parte de nossas escolhas e omissões, audácia e acomodação, nossa esperança ou desconfiança, como saboreamos o nosso tempo, a nossa época, que afinal é sempre AGORA!
    Parabéns pelo Buteco, adorei!
    bjk

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