Os contos de fada e a nossa realidade

Passei muitos anos sonhando com os contos de fada. Eles pareciam nortear meus sonhos, minhas emoções. Depois de muita terapia e choque de realidade, descobri que minha vida assemelha-se muito mais aos filmes Shrek e Os Incríveis. Ao contrário do que imaginava, alegro-me com a comparação.

Homens (boa parte deles) são como o Shrek e, nós, como a princesa Fiona: passamos um tempão isoladas da realidade, achando que seremos encontradas por um príncipe que, quando aparece, é um ogro. De amor por quem nos resgatou para ódio por sua “aparência” é questão de minutos, entretanto muito tempo se passa até nos darmos conta de que nós, também, somos “ogras”.

Por meu marido ser o jeito que é, apesar de muuuito especial, ogro, digo que sou uma Sofia grande, ou seja, Sofiona (ou Sou Fiona). Deixar de lado a aparência de princesa e passar a aceitar que não somos tão perfeitos não é algo muito fácil, mas valeu a pena topar viver no pântano da realidade… hehehe

Tudo bem. Casamos com os “ogros”, ainda assim, continuamos a achar que nosso casamento será sempre “felizes para sempre”. O outro filme que citei para melhor ilustrar esse ponto é “Os Incríveis”. A crise no trabalho, no casamento, as brigas, mesmo sendo super heróis, é demais. Acho que a cena que mais gosto (e mais me vejo) é a da família no caminhão-foguete, tentando salvar a cidade e discutindo qual é o melhor caminho para chegar ao destino… (quem nunca discutiu com o marido teimoso sobre o melhor caminho?).

Proponho uma discussão, para esse blog não ficar tão chato… Afinal de contas, Buteco é lugar de conversas, trocas, não de monólogo, não é mesmo?

O que vocês, mulheres, acham sobre esse assunto: contos de fadas, mundo heróico e realidade?

Beijos a todas

9 pensamentos sobre “Os contos de fada e a nossa realidade

  1. Eu acho que a gente está aí para imaginar mesmo. Apesar de não ser do tipo que fica sonhando com príncipe, acho que grandes objetivos fazem com que tenhamos grandes conquistas, independente da área da vida. Só não podemos achar que os planos são realidade, eles são planos que nos trazem à realidade, onde as pessoas são diferentes e as coisas acontecem, querendo ou não. Os sonhos trazem a esperança, os desejos, a empolgação. Depois disso vem a realidade que nos traz as verdadeiras tristezas, mas também as verdadeiras alegrias.
    Mas uma coisa que fica martelando na minha cabecinha é: E eles que querem que sejamos mãe/amiga/mulher/dona-de-casa/mulher-maravilha?

    • Ju:
      Acho q realmente eles “exigem” q sejamos tudo isso… mas para pra pensar: será q eles conseguem desempenhar tantos papéis como nós? hehehehehe É lógico que, quando mais maduros, eles conseguem.
      Talvez sejamos nós mesmas q nos sentimos na “obrigação” de sermos tudo isso. Já q temos essa “coisa” de nunca ficarmos paradas, de ter q dar conta de tudo. Geralmente, a gente não aceita nossas próprias falhas e fica se exigindo sermos heroínas…
      Quando será q a gente passa a usar o “chapéu roxo”?

  2. Eu acho que o que a metáfora do ogro tem a nos mostrar é que a verdadeira beleza é a interior, sem ser piegas, um exemplo que ultrapassa beleza física: aquele marido que sai para beber com os amigos e volta 3 da manhã é o ogro, mas como vamos reclamar se nas atitudes do dia-a-dia são carinhos e muita cumplicidade? quando acordamos com um café na cama ou um chazinho durante a gripe, a gente pode ter certeza que dentro do ogro tem um coração bom, assim como shrek!! Já nos mulheres, somos as heroínas, mas para desempenhar esse papel a gente acaba virando ogra, pois priorizamos cuidar da família, da casa e do trabalho e aí esquecemos de nós… aí vêm os cabelos brancos, unhas descascadas, pernas “piludas”… aí a fiona precisa ainda arranjar tempo para se transformar em princesa, cuidando da aparência e mantendo ainda por cima o bom-humor!! Sras. Incríveis nós, não?!?!

    • Com certeza, Mari!!!
      Esta semana estou totalmente misturada: a aparência da Fiona ogra, com as mil-e-uma coisas para fazer da Sra. Incrível – q se desdobra (e estica) para dar conta de tudo!!!
      O que os filmes não mostraram (e eu me dei conta agora) é que a gente tem sorte de ter amigas heroínas para dividir tantas coisas!!!!

  3. Bom, já te contei que eu lia um monte de porcarias quando era adolescente, né?! Certa vez, eu me lembro de ter ganhado um desses livros de banca de jornal, Sabrina, Julia (algo assim) e conforme eu ia lendo eu me lembro de pensar: cara será que tem mulher que acredita nesses homens? isso é muito príncipe encantado do mundo moderno! O cara que aparece justo na hora que a mocinha estava sendo atacada! Só faltou o cavalo branco…
    Acho que sempre fui simples, não gosto de complicar o que não precisa ser complicado. Então, a minha “projeção” de príncipe encantado variava conforme as etapas da vida. Na adolescência eu queria alguém que não me cobrasse muito, mas que eu tivesse intimidade pra ligar no meio da madruga quando quisesse. Quando me formei e quis me mudar queria alguém que viesse comigo, topa? Ele topou. Aí, quando engravidei, putz, no meio do doutorado, precisava de um príncipe que dividisse TODO o trabalho comigo, de criar, limpar, cuidar e educar. Tive a sorte de encontrar todos os “príncipes” numa pessoa só!
    Eu costumo dizer que na vida a gente encontra dois tipos de homens (caralho eu sempre divido as pessoas, enfim) os que nos entendem e os que nos apoiam. Os primeiros dão ótimos amigos. Eu optei pelo segundo, não me arrependo.

  4. Os contos de fada fazem parte de nosso inconsciente, muito de nossos atos e pensamentos têm raízes profundas em ramificações que nem ousamos imaginar, as histórias são apenas uma dessas tantas variáveis que fazem parte do nosso ser e de nossas relações.

    Casamento, trabalho, lazer, família são bases instáveis. No sentido que não podemos criar expectativas além da realidade do que são. Sempre haverá o lado bom e ruim de qualquer escolha que fazemos e nenhuma garantia, além disto. No casamento, por exemplo, basta iniciarmos esse compromisso para termos as alegrias da vida a dois contrabalanceadas com as responsabilidades que elas acarretam. Além do fato de que ambos estão sujeitos a irem para outros caminhos e mudarem toda a trajetória.

    Os erros e acertos e a aprendizagem fazem parte da vida, é a caminhada que fará a grande diferença. Afinal, de que adianta ser um final feliz se a história terminou??

    Parabéns pelo site reflexivo, lúdico e criativo!
    Gostei daqui!!
    Beijos!

  5. Pingback: O casamento e a paixão « Buteco Feminino – Mesa para Conversa de Mulher

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