Quando nós desistimos de mudá-los

Outro dia estava conversando com uma amiga e ela me contava como seu namorado havia mudado. Passamos a conversar sobre a transformação dos homens e isso me deu uma ideia de um post: é impressionante como os homens mudam quando nós desistimos de mudá-los.

O início

No começo do namoro, é tudo lindo. Romantismo, paixão, muito sexo, passeios. Com os meses (e os anos), a relação esfria e o casal tem a oportunidade de conhecer o outro como realmente é. Isso sempre traz à tona o mesmo tema: ele/ela tem um monte de defeitos que poderiam mudar.

Passamos meses (ou anos, ou a vida toda) tentando mudar o outro. Eu sou expert em tentar mudar namorados. Eu tentei sem sucesso mudar todos eles. Lógico que não deu certo. Como não dá certo, fazemos uma enorme lista das características inaceitáveis do próximo namorado. Mas isso também falha, lá estamos nós, novamente, no ciclo da vida…

A questão parece ser: por que não conseguimos mudar o outro? Choramos pitangas para as amigas, reclamamos, discutimos a relação com eles por horas a fio, brigamos… e não chegamos a lugar algum. “Por quê, Meu Deus, por quê?” nos perguntamos, inconformadas… Fazemos tudo por eles, somos compreensivas, mudamos nosso jeito para que a relação flua, abrimos mão de tantas coisas por eles… “Por que, Meu Deus, eles não podem fazer o mesmo por nós?” Oh, como somos ótimas no papel de vítimas.

Aceitação

A realidade parece ser bem mais densa… ou inaceitável para muitos. A verdadeira questão é: “Por que não podemos aceitar o outro do jeito que ele é?” Simplesmente entender as dificuldades alheias, as manias, os defeitos, pensando que, sim, nós também temos tudo isso. Talvez seja mais fácil para os homens porque eles parecem nos aceitar muito mais que nós os aceitamos. E não é conformismo. É compreensão. Não adianta querer que o outro mude. Nós, honestamente, não mudamos – apenas nos adaptamos (porque, se realmente tivéssemos mudado, não reclamaríamos tanto).

Qualquer relação exige entrega. Entende-se por entrega não a anulação do que é individual, mas um coração livre para aceitar a realidade. Patinamos demais porque, não importa quantos relacionamentos tivermos, sempre haverá defeitos para serem apontados. Ao nos entregarmos, passamos a aceitar que o outro é um ser humano como nós e, por isso, ele tem tanto direito de errar quanto nós. “Quando nós aceitamos nossas limitações, passamos a aceitar a dos outros”, dizia meu terapeuta.

Mudança

Tudo isso não significa que, nas relações, devemos aceitar tudo e relevar tudo. Pelo contrário. Como não existe mais a tensão envolvida nas discussões sobre mudanças, o outro passa a ter tempo (e “cabeça”) para pensar sobre aquilo que incomoda; nós passamos a ter uma postura mais motivacional sobre ambos crescerem individualmente; as críticas deixam de ser ácidas e passam a ser construtivas. A relação deixa de ser local de “transfêrencias internas” e passa a ser local de troca. E não há nada melhor do que muita troca, não é?

Se temos espaço para pensar, surge, também, espaço para mudar. As transformações ocorrem naturalmente. Não adianta chegar no casulo da borboleta e ficar gritando “Tá vendo como você é lenta? Vai, vai logo, vira logo borboleta”. Ela tem o tempo dela, assim como as flores, os ovos, a gestação e, inacreditavelmente, o ser humano. Respeitar o tempo de transformação do outro é um ato de extremo amor, desligado da paixão furiosa e egoísta. Amor que desejamos para nós mesmas… por que não oferecer para o outro? (mamãe sempre nos dizia isso, né?)

Assim como nas sementes (piegas esse exemplo, eu sei), toda transformação vem de dentro para fora. A planta só brota de dentro da semente para fora da terra. Não existe meios de fazer o contrário. Na verdade, toda mudança é como uma luz interna que se acende de repente e dá a possibilidade de enxergar algo que antes não era visível. Se o outro (ou nós mesmos) não enxergamos, não adianta ficar dizendo que há isso ou aquilo. A consciência ilumina no momento dela – quando ilumina.

Então, melhor do que brigar com a semente por ela não brotar logo, é aproveitar o momento para regá-la, colocá-la perto da luz, deixar a terra bem fértil e sem pragas… Quem sabe a danada não brota?

Alguns Exemplos

Quer alguns exemplos – além dos seus e das suas amigas?

Tive vários namorados com diversos vícios – pergunta se algum deles os deixou por minha causa? Aliás, acho que são viciados até hoje… Exemplo básico.

Na faculdade, tive uma amiga que não aguentava mais o namorado chato (dizia ela). Encontrou um fofo, apaixonou-se, terminou com o outro para ficar com o “grande amor da sua vida”. O que ela descobriu? Homem = padrão. O lindo que não tinha defeitos mostrou ter tantas dificuldades quanto o anterior… percebeu que preferia os defeitos do anterior. Por sorte, estávamos ainda na nossa belle époque e ela conseguiu encontrar-se e encontrar alguém.

A gente sempre acha que o que vivemos é o melhor exemplo. Tudo bem. Para variar, esse é com meu marido querido. Eu já estava cansada do jeito dele, do quanto bebia e etc. Fiquei muito brava, subi nas tamancas, disse que era para ele escolher entre eu e a cerveja. Ele disse que não pararia de beber por minha causa. Enlouqueci. No outro dia, arrumei todas as coisas dele e coloquei as malas na porta. Ele levou um susto e eu achei que estava “ganhando”. Para variar, estava errada.

Passamos horas e horas discutindo. Por que não parar de beber, por que não deveríamos ficar juntos, como éramos diferentes, nunca conseguiríamos viver em paz, como eu estava cansada… blá, blá, blá. Eram duas horas da manhã (conversávamos desde as nove) e estávamos rindo, rindo muito. Para cada argumento que eu dava, meu marido o transformava em uma piada – sem me desrespeitar, mas me mostrando o quão absurdo era o que eu falava. E me disse: “Querida, são duas da manhã e estamos rindo ao discutir a relação. Você acha mesmo que uma relação assim tem que acabar?”

Nossa… realmente. O que eu estava priorizando? O que eu queria com um relacionamento? Por que, ao invés de atacar, eu não poderia apoiar? A partir dali, decidi aceitá-lo. Tudo ficou um pouco mais fácil porque, aos poucos e naturamente, ele foi mudando e eu também… Não significa que nossa relação é linda e nós nunca brigamos. Apenas acho que parei de me lamentar tanto e isso gera um alívio no espírito.

O benefício do dom da paciência

Para encerrar com um pouco de humor, acho que devemos nos atentar a algo. Já reparou como os ex-namorados possuem a capacidade de ser diferentes com a namorada pós-você?

Sabe por quê? Você passou anos cuidando, tentando, falando, etc. Fez todo o trabalho pesado. Quando cansou, sem perceber que a mudança já estava a caminho, terminou. E entregou o “bonito” de bandeja para a outra já transformado.

Muitas vezes, o dom da paciência nos traz benefícios…

3 pensamentos sobre “Quando nós desistimos de mudá-los

  1. escreve um livro! sério! tá muito melhor do qe eu comprei hoje! hahahaha!! sofia e suas dicas! claro que nem sempre eu sigo a risca, por que vc, sempre dá dicas para coisas mais “eternas, enquanto durem”, eu as vezes quero me divertir e sofrer um pouquinho só pelo gosto, mas um dia levo tudo o que vc escreve a serio! vc vai ficar orgulhosa! hahshshahsa!! ebijos

  2. Ufahhhh alguém que pensa como eu. Que delícia Sô, parece que estamos conversando … estou muito feliz em ler isso. Eu concordo com você palavra por palavra eu estou, como você, me transformando e me tornando muito mais leve a desfrutar cada minutinho desta oportunidade de viver.
    bjux querida, muitas saudades …

  3. Adorei !
    Quanto aO benefício do dom da paciência, eu penso assim:
    O cara argumentaria que aprendeu com o outro relacionamento (voce) que isso nao podia fazer e entao com o proximo faz tudo direitinho. Mas oras tem que aprender no final do relaciomento e dar para a outra aquio que ele nao te deu???
    A culpa eh nossa pq simplesmente apos fazer o trabalho duro nao tivemos paciencia sufiiciente?

    Beijos!

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