A paixão e os vários “príncipes encantados”

Ideal

Desde pequena sempre fui daquelas meninas que se apaixonavam fácil e loucamente e achavam que aquele era o homem da minha vida. Passava horas da noite imaginando como teríamos momentos lindos e mágicos, sempre como num filme romântico. Eu procurava as coincidências, os fatos que tornavam aquela história única. O problema é que sempre terminavam em um gênero diferente: comédia ou drama…

Eu tenho um enorme histórico de paixões e bafões memoráveis… Minhas amigas com certeza se lembrarão, rindo destas histórias…

Minha primeira paixão foi aos 8 anos… também foi meu primeiro fora! Fabinho era o filho da melhor amiga da minha mãe. Trocamos cartinhas algumas vezes, eu dizia que ele era meu namorado. Quando fomos acampar juntos, passei o que parecia uma foto do futuro: diante de seus amigos, ele disse para mim que jamais namoraria uma menina tão feia e boba… Ai, ai…

Na 4a série, eu gostava de um garoto da minha sala. Após meses me contendo, resolvi escrever uma carta, mas decidi não entregá-la. Como toda menina que tem uma ótima “amiga”, em um momento de distração, ela pegou a carta e entregou-a ao felizardo. Morrendo de vergonha, corri para o banheiro e lá passei umas boas horas chorando. Quando finalmente resolvi sair, a sala toda estava no pátio, na aula de E. Física, e, ao me ver, começaram a rir e a tirar sarro, pois o infeliz havia lido minha declaração para eles. Sorte, não?

Alguns anos depois, quando achei que daria o primeiro beijo, o malvado garoto saiu dizendo que eu havia mordido sua boca e não sabia beijar…. anos e anos de tiração de sarro…

Ao dar meu primeiro beijo de verdade, passei anos com uma paixão platônica – sabe aqueles meninos que são parente do parente e que só vemos em raras ocasiões? Então, eu passava todo esse tempo sonhando em como ele era especial e nós seríamos eternamente felizes. Depois que nos beijamos, além da demonstração dele de querer algo um pouco mais “forte” do que beijos para minha idade, ele fez o mesmo que os outros – tirou sarro de mim, me ignorou e coisas dos tipo.

Há outros meios de acabar com uma paixão. Na 8a série, apaixonei-me por um menino da sala. Admirava-o, achava-o lindo, etc. Em uma brinca (brincadeira – festinha daquela época para dançarmos), nós finalmente ficamos. Quando ele começou a me beijar, a paixão foi embora junto com a enorme língua que tentava alcançar o fim da minha garganta.

Pouco tempo depois, comecei a namorar e gostei de ter essas relações mais duradouras. Tive vários namoros longos, todos muito cheio de confusões e sonhos de matrimônios perfeitos. Mas as histórias das grandes paixões, consequentemente dos grandes foras, foram entre esses namoros.

Aos 16, em uma fase bem alternativa, “casei-me” sob as estrelas (e depois levei um fora sob o telefone), encontrei um príncipe (não virou sapo, mas foi embora no cavalo branco), conquistadores baratos tocavam violão, davam flores e depois as namoradas (que juravam não ter) vinham querer me bater na porta de casa…

Quando fui à Índia pela primeira vez, conheci um argentino que me deixou meses e meses perdidamente apaixonada. Tínhamos a mesma idade, estávamos naquele lugar incrível, tínhamos gostos parecidos. Passamos dias conversando e, quando parti, passei meses sonhando com o dia em que iria até Buenos Aires, esperando-o na frente de sua casa para surpreendê-lo e viver feliz para sempre… Ô, dó… Nunca mais nos falamos, além de uma ou duas cartas naquele mesmo mês…

No terceiro colegial, gostava de um menino muito fofo que não estudava na mesma escola. Passamos a ficar, mas nunca assumimos um namoro. Eu era completamente apaixonada e ele parecia ser também, mas era um moleque fazendo graça para os amigos. O engraçado dessa história ocorreu em um dia em que resolvi visitá-lo em sua escola. Como era um estilo de cursinho, na hora do intervalo, todos os alunos iam para a rua. Eu o vi encostado no muro, atravessei a rua com o olhar sexy… quando cheguei na calçada e comecei a falar um “oi” sensual, fui atropelada pelo carrinho de pipoca… Imaginem… a escola inteira rindo de mim, os amigos dele passando mal. Eu e ele sem saber o que fazer…

Fui eu que terminei quase todos meu namoros. Caras complicados, coisas do tipo. O único que terminou comigo foi uma dessas paixões que eu encontrava todas as características para uma linda história de amor. Eu me arrastava pelo filósofo, vendo nele um ídolo, uma admiração. Namoramos duas vezes, com intervalo de cinco ou seis anos entre um namoro e outro. Como se não bastasse a primeira vez que ele terminou, cantando “Trocando em Miúdos”, foi ele que terminou também da segunda vez. O único homem que terminou comigo, o fez duas vezes… Foi bom porque, depois da última vez, fiquei como que vacinada e desisti de encontrar “o homem da minha vida”.

Quando eu conheci meu marido, também me apaixonei por ele. Mas como estava cansada de foras e decepções, repetia para mim mesma o tempo todo “Estou apaixonada, mas não é ele…”

Sempre perguntei à minha mãe como é que sabíamos se aquele seria ou não o homem com o qual vamos nos casar. E ela sempre me disse: “Nós não sabemos, é sempre com quem a gente menos imagina”. Na verdade, não dá para saber quais são as características exatas, principalmente porque há uma mistura entre sonho e realidade. Há uma busca incansável por uma história perfeita, momentos mágicos.

A diferença é que, quando amadurecemos, percebemos que temos que nos apegar ao que é possível, procurar por pessoas reais, aceitar o outro. Na verdade, há uma compreensão da rotina como uma oportunidade de viver coisas belas. As “histórias de amor” na qual nos apegamos duram o tempo necessário para que não possamos enxergar a realidade. A realidade é que homens e mulheres são, de modo geral, muito parecidos. Precisamos apenas decidir quais defeitos somos capazes de superar e quais são as qualidades que conseguimos enxergar em detalhes passados desapercebidos.

Ao descobrir a gravidez e passar a conviver melhor, a paixão sentida por meu marido diminuiu muito. Até chegar ao altar, precisei superar um monte de ideais que nunca se concretizariam. Ali, no momento do sim, e no dia-a-dia, passei a viver, finalmente, uma história de amor, mas real e cheia de desafios a serem superados.

Temos o costume de dizer que “fulano é o amor da minha vida”, mas ainda não chegamos ao fim da vida para afirmar tal coisa. Afinal de contas, não sabemos o que o futuro nos reserva. O que podemos dizer é que tal pessoa é, com certeza, a mais importante até hoje e que, muito do que aprendi, foi graças à ela, muito do que me faz feliz é estar ao seu lado.

Detalhe: amo jazz antigo, sempre disse para mim mesma que me casaria com o homem que dançasse uma música dessas comigo. Na noite em que fiquei pela primeira vez com meu marido, ao chegarmos em casa, ele veio até o computador, escolheu uma dessas músicas e me puxou para dançarmos…

4 pensamentos sobre “A paixão e os vários “príncipes encantados”

  1. Adorei o seu texto de hj, parei para pensar e concordei com sua mãe! nós nunca vanos saber, a hora que vem , vem sem avisar, sem bula e sem prazo de validade, mas o amor das nossas vidas são os de agora, os do passado foram naquela época e agora vamos torcer e nos esforçar na medida do possível para que esse dure para a vida toda. beijos e saudades

  2. Ahahahahaha, com certeza as amigas vão rir dessas histórias, porque ler as suas histórias é lembrar-se da nossa própria, já que vivemos muito disso aí juntas. E que delícia, né Sô?!?!
    A parte mais engraçada, e porque não ridícula, é o tal do conquistador barato que tocava violão. Conquistou você, a mim… e a tal da namorada, não é que ela existia? ahahahahhaa… que fase, amiga, que fase!
    E quanto ao nosso presente, tenho certeza que os homens do momento são sim os homens da nossas vidas, os homens de nossa vida agora. São sim!

    • Nossa, Glau:
      Se a gente investigar, tenho certeza de que o conquistador ainda continua com o violão por aí! hahahahaha E provavelmente continua com uma namorada q não sabe quem ele é…
      Foi muito bom ter passado por tudo isso com vc e continuar passando ainda mais coisas hoje em dia!
      Agora, modéstia a parte, nossos maridos são uns fofos, não são?

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